A região onde se localiza o Município de Cacequi, foi inicialmente povoada por indígenas, sendo deles a origem do município, que significa "Água do Cacique" ou "Rio do Cacequi", referindo-se a um dirigente indígena que reivindicou as terras próximas ao arroio Cacequi.
Com o processo de ocupação e povoamento do Rio Grande do Sul, os indígenas foram expulsos da região, permanecendo o nome do local dado por eles, ou seja, o do arroio Cacequi.
A ocupação do Estado ocorreu num contexto de disputas entre Portugal e Espanha. A região das Missões, da qual fazia parte a área do atual município de Cacequi, muito disputada, pertenceu aos portugueses, em troca da Colônia do Sacramento de acordo com o Tratado de Madri, em 1.750. Mais tarde, pelo Tratado de Santo Ildefonso, em 1.777, os espanhóis ficaram com as Missões, Sacramento e as rotas de navegação do Prata.
O Rio Grande do Sul só ganharia sua configuração atual, em 1801, com a retomada das Missões pelos portugueses. Mas, para manter a posse e domínio do território gaúcho, os portugueses recorreram à doação de terras, através das sesmarias. Estas funcionaram como reforço de estratégia política e militar de povoamento, o que já estava sendo realizado em outras partes do Estado.
Inicialmente, as terras que hoje correspondem ao Município de Cacequi pertenciam ao Município de Rio Pardo, criado em 27 de abril de 1809. Nesta época, a parte oeste do Rio Grande do Sul não encontrava-se efetivamente povoada, bem como, a região de Cacequi.
As terras doadas por sesmarias, em Cacequi, foram de propriedade de Joaquim José Domingues, o primeiro morador do município. Este também recebeu a Fazenda Santa Vitória, deferida em 14 de junho de 1816. Esta fazenda, doada por sesmaria, no decorrer dos anos, integrou os moradores da vizinhança, que construíram estabelecimentos comerciais, uma pequena capela, uma ferraria, formando-se uma comunidade.
Esta sesmaria localizada na fronteira com Rio Pardo possuía uma légua de frente por três de fundo, concessão feita pelo Marquês do Alegrete. Ao norte, limitava-se com a Coxilha Grande e ao sul com o arroio Cacequi.
A carta deferida às terras, tinha como uma das instruções, de que o proprietário, deveria deixar, em uma das margens um quarto de léguas para a "comunidade geral".
O estanceiro Joaquim José Domingues, ainda requereu, mais tarde, duas sesmarias em nome de sua mãe, viúva de Eusébio José Domingues e Silva, vindo de Santo Amaro, Estado de São Paulo, que veio como bandeirante para o Rio Grande do Sul. Sua mãe, D. Josefa, morou muitos anos na sua propriedade, mas mudou mais tarde para Rio Pardo. Suas terras localizavam-se no local que viria a ser parte da Fazenda Nacional de Saicã, atual, terceiro distrito de Cacequi.
As lutas pela posse de terras atingiram o Município de Cacequi por vários anos após o estabelecimento dos primeiros sesmeiros. Em 15 de fevereiro de 1827, o General Lúcio Mancilla vence o Coronel Bento Manoel Ribeiro no Passo do Umbu, levando os guerreiros para a margem direita do rio Ibicuí, mas logo após, retiraram-se. Este foi o único combate realizado nestas terras e que culminaram com a independência do Uruguai.
Em 04 de abril de 1848, pela Lei Provincial n°08, cria-se o Município de São Gabriel e dele fazendo parte o Município de Cacequi. São Gabriel desmembrou-se do Município de Caçapava, criado pela Resolução de 25 de outubro de 1825, que correspondia ao Município de Rio Pardo.
Posteriormente, é criado o Município de S
ão Vicente, também chamado de General Vargas, pela Lei Provincial n°1032, de 29 de abril de 1876. Dessa forma, ocorre uma transferência administrativa das terras de Cacequi para o Município de São Vicente.
Nessa época, a sede de Cacequi era a Vila Saicã, situada a margem direita do arroio Saicã pela Lei Provincial de 04 de dezembro de 1860, para onde foi transferida a sede da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário.
Em 22 de janeiro de 1863, lança-se a pedra fundamental de Igreja de Saicã. Porém, a sede retorna novamente à Freguesia de Nossa Senhora do Rosário, em 15 de novembro de 1864, por determinação do Governo Provincial.
A Vila de Saicã durante a segunda metade do século XIX, constituía-se no mais importante núcleo de povoamento do atual Município de Cacequi. Em 30 de janeiro de 1885, foram realizadas manobras militares em Saicã, sob o comando do Marechal do Exército, Conde d'Eu.
Uma batalha foi simulada sendo Chefe do Estado Maior, o Tenente General Salustiano Gerônimo dos Reis, o comandante da 1° Divisão, o Tenente General Barão do Batovi e da 2° Divisão, o Brigadeiro José Luiz da Costa Júnior. Assim, pela Lei n°1664 de 12 de janeiro de 1888, é criada a Coudelaria Rio-Grandense. No final do século XIX (1890), o Estado passa a construir a rede ferroviária, que ligou Cacequi à Porto Alegre, Santa Maria, Bagé, Santana do Livramento, Uruguaiana e ao restante do Estado. A Rede Ferroviária Federal S. A. (RFFSA), trouxe os trilhos procedentes de Santa Maria para Cacequi, incrementando sua economia e realizando importante função no transporte de mercadorias e de passageiros.
O trecho ferroviário "Cacequi - São Gabriel" foi inaugurado em 24 de agosto de 1896, e a ligação do trecho "Cacequi-Alegrete", em 21 de dezembro de 1907. A partir da chegada da rede ferroviária e da estação ferroviária, nasce o núcleo urbano de Cacequi, que desenvolve-se, adquirindo novas funções para atender os serviços do novo transporte. Assim, constroem-se casas residenciais, comerciais, hotéis e oficinas, incrementando a cidade.
Com isso, Cacequi, passa a ter grande importância estratégica, embora desapareça a sua característica inicial, como ponto de pousada obrigatória para os passageiros.
Em 1913, o recente núcleo de Cacequi, "Povoado do Município de São Vicente", junto a estação ferroviária, já contava com 50 casas e 200 habitantes, e com iluminação a querosene. Mais tarde (10 anos), a estação ferroviária serviu como ponto de almoço, tendo o restaurante mais movimentado do Estado, de propriedade de Antônio Fonseca, primeiro morador no novel centro e, também, da diligência que levava os passageiros vindos de navios para o local junto ao rio Ibicuí, de onde aportavam os trens a vapor, "Netuno" e "Federação", os quais faziam o transporte até Uruguaiana. Atualmente, a Rede Ferroviária foi privatizada e o transporte de passageiros foi desativado, permanecendo somente o transporte de mercadorias.
Outro povoado que se expandia, em torno de 1913, era a sede do 2° distrito do Município de São Vicente, localizada entre os rios Cacequi, Santa Maria e Ibicuí, possuindo 60 prédios, 300 habitantes, casas comerciais, hotéis restaurantes, cinema, agência de correio, entre outros serviços.
A localidade de Umbu, era outro povoado que pertencia ao Município de São Vicente, atualmente sede do 2° distrito de Cacequi, possuía no início de século, 30 prédios e 150 habitantes, situado a 2 Km do rio Ibicuí. Nesta época, os estabelecimentos pastoris de propriedade de Ávila e Barreto, Severino de Olivei
ra Menezes, Alexandre Coelho Leal e Jerônimo da Silva Brum, eram os mais notáveis, com bons resultados de produção.
Em 1923, a Vila de Saicã, atualmente terceiro distrito de Cacequi, era sede do 4° distrito de Rosário do Sul.
O 2° distrito de São Vicente, constituído por Cacequi e Umbu, é desmembrado pelo decreto Estadual n°5973, em 22 de junho de 1935, passando a pertencer à São Gabriel. Assim, os povoados de Cacequi e de Umbu, tornam-se parte do Município de São Gabriel. Neste mesmo tempo, surgiram condições para o início do processo de emancipação de Cacequi.
O movimento de emancipação surgiu, após quase 10 anos, quando Cacequi passou a corresponder ao Município de São Gabriel. Várias comissões foram criadas e, finalmente, Cacequi constituiu-se em município pelo Decreto n°715, de 28 de dezembro de 1944. Porém, sua instalação ocorreu em 1° de janeiro de 1945, sendo nomeado o primeiro Prefeito, o Sr. Roberto Ranqueta Guimarães. E, em 05 de dezembro de 1947, foi empossado o primeiro Prefeito por eleição, o Sr. Doralício Menezes Machado e seu Vice-prefeito, o Capitão Ernesto Rossi.
O Município de Cacequi, nascido das estâncias, preserva traços de sua origem, caracterizando-se pelas atividades agropecuárias, especialmente, a pecuária. Sua proximidade com Santa Maria, cidade considerada pólo regional, o coloca integrado e atraído por suas funções e serviços oferecidos.
Cacequi faz limites com São Gabriel, Rosário do Sul, Alegrete, São Pedro do Sul e São Vicente do Sul, municípios com que Cacequi relaciona-se, mantendo fluxos de mercadorias e de pessoas. A sede do Município de Cacequi possui aspectos de núcleo urbano de pequeno porte.
A cidade ainda apresenta formas que foram criadas a partir da chegada da Rede Ferroviária e da Estação Ferroviária, as quais impulsionaram tipos de atividades que visavam atender ao transporte de mercadorias e de passageiros, sendo que este último hoje está totalmente desativado.
A rede urbana da cidade apresenta-se com traçados, que inicialmente foram construídos, acompanhando paralelamente os trilhos da ferrovia, ultrapassando-os e seguindo para o norte.
O desenvolvimento da cidade para o setor norte ocorreu, a princípio, devido a fatores fisiográficos e a própria instalação do recinto ferroviário. A várzea do rio Cacequi em condições que desfavorecem a ocupação urbana, devido as inundações em épocas de chuvas e a instalação do entroncamento ferroviário, fez com que a cidade de Cacequi se desenvolvesse para o norte da estrada de ferro e da estação ferroviária.
Por outro lado, a pavimentação da Rodovia RS 640, ao norte, e a extinção do transporte ferroviário, ao sul, atualmente pode ser um dos fatores que reforçam a tendência de urbanização para o norte. Esta transferência também ocorre com as funções básicas da cidade, especialmente, com o comércio do arroz, de forte produtividade e comercialização pelo município. (Fonte: Prefeitura Municipal de Cacequi).
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