www.riogrande.com.br


          
 

  Porto Alegre,
 
Home| Login| Anuncie| Classificados| Notícias
 

 

VISITANTES

  Home
  Busca
  Municípios
  Novidades
  Populares
  Site Antigo
  Contato
  Chat
 

USUÁRIOS

  Cadastro
  Publicar
  Favoritos
  Minha Conta
  Postais
  Postais Grêmio
  Postais Inter
  Meu Link
  Classificados
  ClassiBR
  AnúnciosBR
  SP Virtual
 
 

POPULARES


  1.  A Galinha e o Lobisomem
  2.  O Causo do Dilúvio
  3.  Pesadelo de Peso
  4.  Arte
  5.  O Caso Jersey
  6.  Aposentadoria
  7.  Botões
  8.  O causo da primeira festa
  9.  Os gatos de Pereirópolis
  10.  O sabão milagroso (Um ano em Pereirópolis IV)
 

ONLINE


 
 



Pesquisa personalizada





Você está aqui:   Home > Cultura > Eu, Autor > Contos

Título : O Causo do Dilúvio
Autor: Volmar Camargo Junior
Cidade: Canela

Comentários | Adicionar a Favoritos | Outros Itens deste Usuário |
Enviar a Amigo | Reportar Abuso

Online: Não
Page Views: 434
Data Publicação: 05/02/2008
Última Atualização: 05/02/2008

O Patrão criou o homem com a tabatinga da beira de um açude. Depois, para o índio ter o que fazer, resolveu criar a mulher, rachando o bonequinho de barro no meio (aquela história de costela e de “imagem e semelhança” são só algumas das teorias). Deu um assoprão e saíram andando. Batizou os bonequinhos de Adão e Eva. Daí por diante, os dois trataram de se conhecer e de dar cagada. Desobedeceram o Criador, se incomodaram com os filhos, tiveram uma porção de netos flor de bagaceiros, e por aí vai. Entre a peonada celestial, que muita gente chama de anjos, corria o boato de que aquele bicho novo, o tal de ser humano, não ia prestar pra nada.

 

Quem não gostou nada dessas conversas foi o Dono da Querência. Mandou chamar os linguarudos que passavam mais tempo proseando do que nas lides do Universo. Já que a indiada terrena estava ficando sem-modos, o Altíssimo deu aos anjos a incumbência de encontrar, no meio da criação, um bicho que fosse bom o suficiente para ajudar a endireitar a tribo dos filhos de Adão. Muito dotados nas artes da conversa-fiada, a peonada não hesitou em pedir a Ele que elegesse o mais eloqüente para ser o embaixador do céu entre a bicharada. A proposta pareceu justa, e de pronto, escolheu-se um capataz mui conhecedor da Estância chamado Gabriel. Os outros foram enviados para arrumar o alambrado da Via-Láctea que andava caótico uma barbaridade.  

 

O diplomata foi sem reclamar. Apreciava a campereada, e sobretudo, andar solito pela imensidão do pago, que naqueles tempos era muito maior. Caminhando a despacito, mascando uma folhinha de hortelã, Gabriel teve uma idéia. Fez um chamado, desses que só o pessoal que trabalha pra Ele consegue. Num vá, apareceram três bichos detrás de uma macega: um gato-do-mato, um cachorro e um cavalo. Sentaram e prosearam — dizem que o gato conhecia a erva-mate, e essa pode ter sido a primeira roda de chimarrão da história. O Emissário, mui respeitoso, disse-lhes: “O Patrão quer que um de vocês seja o camarada do homem e da mulher”. Bicho é um tipo de gente muito honesta, e se gosta ou não da proposta, já mostra logo de cara. Pois aceitaram os três. O capataz passou a tarefa, e lá se foram pra onde os homens moravam.

 

Em pouco tempo, a parentada dos que gostam de comer maçã afeiçoou-se muito aos animais. Os homens, porque eram úteis: o cachorro era companheiro pra caça, o gato limpava a casa dos roedores e o cavalo, mesmo precisando domar antes, virou instrumento de trabalho. As mulheres, porque os bichos eram fofinhos, dava pra pentear, botar fita mimosa, vestir aquelas roupinhas e dar nomes para eles. A coisa desembestou quando os “camaradas” se acostumaram com o jeito de viver dos donos. O gato virou num inútil que só dormia e ainda se sentia o dono da casa. O cachorro só fazia o que mandavam se lhe dessem comida ou brincassem com ele (em geral as duas coisas). E o cavalo, bem, o cavalo continuou trabalhando; porém a indiada se coçava e puxava o ferro branco, e descobriram que guerrear montado era muito mais divertido.

 

Gabriel ficou guspindo formiga de tão brabo. Resolveu mudar de tática.

 

Enveredou-se pra cidade mais próxima. Saiu perguntando se alguém conhecia um único homem que valesse a bóia que comia. Pra sua surpresa, existia um: o Seu Noé. Este o recebeu muito bem, ofereceu um mate — ah, sim; o gato ensinou pra todo mundo o hábito de tomar chimarrão — proseou um pouco sobre seus guris, Sem, Cam e Jafé, sobre a morte do Seu Abel, contra-parente que foi morto ainda moço pelo irmão — tem gente que gosta de uma desgraça... O Embaixador Gabriel, firme no seu propósito, botou o talento à prova e inventou, na hora, uma história do arco da velha. Disse mais ou menos assim:

 

“Olha, Seu Noé. A coisa não ta fácil pros lados de vocês, os herdeiros do Seu Adão. O Patrão Velho anda indignado com as malcriações da humanidade e resolveu botar a casa abaixo. Só que tu, vivente, tem crédito com o Altíssimo! Ele sabe que tu é bom, generoso, correto e tem uma mão boa pra cuidar da criação. Entonces, sem delongas, Deus quer que tu faça o seguinte: junta um casal de cada tipo de bicho, acolhera todos eles mais tu, tua mulher e os teus piá e as prenda deles, constrói uma balsa de madeira de lei que caiba esse povo todo. Despois, pinta a dita com betume pra cobrir as fresta. E providencia umas galocha, porque ta vindo uma tormenta daquelas.”

 

            Inflaram-se feito uns perus, de orgulho de si mesmos. O Noé porque tava grandão com Jeová, e o querubim, porque daquela vez parecia que o plano ia dar certo. Ora, se passar dias e dias enfurnado só com os bichos e a família não endireitasse o homem, então era porque não tinha jeito mesmo. Dias depois sucedeu o tal do Dilúvio que tanto falam. Há quem diga que foi mais ou menos por essa época que nasceu o Ariri Pistola, que não viu o Dilúvio, mas pisou no barro.

 

            O resultado da empreitada foi que o Gabriel, além de tomar uma baita mijada, deixou de ser capataz e virou estafeta. Ninguém mandou sair inventando história e inundando mundo por conta. Depois disso, cada vez que tinha que mandar um recado pra gauderiada cá na Terra, o Patrão Velho mandava o Gabriel falar timtim por timtim o que Ele tinha dito.

E-mail: Fale com o Autor

Fotos adicionais





Google
 




Classificação Média dos Visitantes:    5.00 (até 5)
Número de votos: 1 Votos

Local de Votação:
 Comentários dos visitantes (0)
escreva um comentário (NÃO é para contatar o anunciante)
(Não foram encontrados comentários. O seu pode ser o primeiro!)
 




 
Ajuda | Termos de Uso | Política de Privacidade | Contato | Fale a Seus Amigos

Copyright © 2001-2008, Infomídia Produções Ltda. Todos os direitos reservados.