
Detalhe das Guaritas, cadeia de serras com vales profundos - Foto de Marcos Cidade Ruperti
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Clube União
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Publicação: 11/09/2007
Atualização: 11/09/2007
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Por volta de 1777 o Regimento dos Dragões instalou um acampamento militar no local de um antigo aldeamento dos índios charruas, para servir de frente avançada nos conflitos com os castelhanos, que disputavam com os portugueses o território do atual Rio Grande do Sul. Existem informações indicando que os índios denominavam o local de "caá-ça-paba", o que quer dizer clareira na mata. Por isso o povoamento que se desenvolveu no local teria tido o nome de Caçapava. Outra versão atribui os méritos da fundação do atual município de Caçapava do Sul ao vigário Bento Cortez de Toledo, da cidade paulista de Caçapava, que, por ter um irmão e outros parentes envolvidos com a Inconfidência Mineira, teria fugido para o sul, onde, por volta de 1800, deu origem ao povoado, homenageando-o com o nome de sua cidade natal. Como Caçapava do Sul tem uma destacada posição estratégica no centro do Estado, foi escolhida para ser a segunda capital da República Rio-Grandense (de 9 de janeiro de 1839 a 30 de maio de 1840). Não tendo conseguido se apoderar de Pelotas e Rio Grande, os farrapos sentiram-se ameaçados em Piratini (a primeira capital) e, por isso, transferiram a sede de sua república para um local mais protegido, em Caçapava. Dali, partiram algumas iniciativas importantes da rebelião farroupilha, como a ordem de invadir Laguna, em Santa Catarina, onde se formou a República Juliana especialmente para dar um apoio marítimo ao movimento separatista, pelo fato de não ter sido possível conquistar Rio Grande. Como consequência, foi em Caçapava que Garibaldi decidiu construir os lanchões com os quais os farrapos seguiram para o Estado vizinho através da Lagoa dos Patos, por terra entre Palmares do Sul e Tramandaí e, dali em diante, por mar. Entre outros acontecimentos importantes ocorridos na época, está a reunião do Conselho de Procuradores da República, durante a qual foi redigida a lei que regulamentava a eleição dos constituintes e legisladores que ocorreu posteriormente em Alegrete, a terceira capital da República. Prédios históricos Da época dos farrapos restam em Caçapava do Sul duas construções ainda muito bem conservadas: o "Reduto Farroupilha", um prédio construído no início do século passado, que abrigava os revoltosos e onde já funcionou a Câmara de Vereadores da cidade, a cadeia, uma escola pública e o Fórum. Hoje abriga o Centro Municipal de Cultura e a Biblioteca Domingos José de Almeida (farroupilha que criou na cidade a primeira biblioteca pública do Rio Grande do Sul), tendo um acervo com cerca de 400 peças antigas, desde ossadas pré-históricas e urnas funerárias indígenas, até lanças, armas e outros objetos dos farrapos. A outra casa histórica está localizada na Rua Sete de Setembro, nos fundos da Igreja Matriz: ali nasceu Borges de Medeiros e, durante o funcionamento da capital farroupilha na cidade, abrigou os ministérios do governo rebelde. Ali há atualmente uma residência particular. A casa conta com nove peças, mais os porões. Onde está a garagem, funcionava durante a Revolução a oficina onde era impresso o jornal rebelde "O Povo". Forte Dom Pedro II A posição estratégica de Caçapava do Sul também a tornou um importante ponto de defesa do território contra a temida invasão do ditador argentino Rosas ao Brasil, em meados do século passado. Por isso, juntamente com Rio Grande, a cidade foi fortificada pelo "Barão de Caçapava", general Francisco José de Souza Soares de Andréa, que presidia a Província e era seu comandante das armas. Mas somente o Forte Dom Pedro II, construído em Caçapava, resistiu no tempo. Ele começou a ser construído em 1848, mas as obras foram paralisadas em 1856, por não ter se concretizado a invasão argentina. Na forma de um polígono hexagonal e com uma área de 19 mil metros quadrados, onde caberiam 20 mil homens, está situado no fim da Rua Ulhoa Cintra, na zona norte da cidade.
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