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Publicação: 11/09/2007
Atualização: 11/09/2007
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A paisagem campestre não fascinaria tanto se não fosse pontilhada por lagos, habitados por patos selvagens e capões, como são conhecidos os trechos circulares de matas de araucárias. É nos capões que fica a maior parte dos 10% de araucárias que restou da floresta original. Antes que o Parque Nacional de Aparados da Serra fosse criado, em 1958, as cinco serrarias que funcionavam na região se apressaram em contar todas as araucárias que puderam. As que restaram medem cerca de 15 metros e enchem suas sombras de pinhões avermelhados, principalmente no período da colheita, entre maio e julho. Era nas florestas de araucárias que se alimentavam os índios xoclengues, primeiros habitantes de que se tem notícia naquele trecho da Serra Geral. Os xoclengues habitaram a Mata Atlântica da serra desde o período colonial até o início do século 20, vivendo em grupos nômades de até oito famílias. "Eles eram canibais que se juntavam para atacar as fazendas dos colonos", conta o montanhista gaúcho Átila Portal, que pesquisa a região há uma década. Átila dá cursos de travessia de canyons. Ajudou a resgatar uma das duas pessoas que morreram ao tentar descer os canyons do Parque da Serra Geral sem guia e sem o preparo adequado. São esses, por sinal, os mais belos passeios feitos no Parque de Serra Geral. Descer os canyons de Fortaleza e, principalmente, de Malacara são também os programas mais perigosos: os aventureiros descem por trilhas íngremes e pedras escorregadias, utilizando técnicas de escalada, do alto do abismo até o fundo do vale. "As cheias repentinas do rio, causadas pelas chuvas no alto da montanha, as serpentes e as avalhanches tornam a aventura arriscada", explica Átila. Não é preciso descer um canyon para perceber sua grandiosidade. A caminhada para chegar ao topo do canyon Malacara fascina qualquer um durante duas horas, a partir da sede. Campos verdejantes se encontram com muros de pedra usados como rota das tropas de mulas no início do século. No final, a vista do alto dos 900 metros do Malacara enche os olhos. Como em uma enseada de 5 quilômetros de extensão, duas bordas em formato de "u" ergem um portal de onde se vê o mar da distante Torres e as torres vermelhas da igreja Matriz de Praia Grande. Torres e outros trechos dos mares do sul também são a melhor imagem do canyon de Fortaleza, a 22 quilômetros de Cambará. Principalmente se seus 8 quilômetros de extensão forem vistos nos dias frios de céu limpo. Nessa gigantesca muralha que lembra um forte, é possível acampar sob a sombra do capão a menos de 100 metros do precipício. Os arredores do paredão principal são repletos de pequenos braços de canyon. Dá para ficar subindo e descendo as pedras durante o dia todo, visitando, por exemplo, a Pedra do Segredo, uma rocha de 5 metros que fica apoiada em outra de meio metro sem cair. A água gelada do rio que corre para a cachoeira do Tigre Preto faz o fundo musical, junto com o vento dos 1.170 metros de altitude e com a algazarra dos andorinhões-de-coleira que brincam de mergulhar no abismo. Os canyons do Churriado, do Macuco e do Faxinalzinho, igualmente tentadores, são desses lugares onde se sente prazer pelo simples fato de estar ali, observando as pedras escuras do fundo do vale e curtindo o sol sob o corpo agasalhado. Esse pedaço das serras gaúchas é o ponto mais frio do país, recebendo geadas constantes nas manhãs de inverno. Foi registrado em Cambará do Sul, no inverno de 1987, o recorde de frio numa cidade brasileira: 8,2 graus centígrados negativos. "Os únicos lugares com temperaturas parecidas estão longe das cidades, como o Pico das Agulhas Negras, em Itatiaia, no Rio de Janeiro", explica o meteorologista Solismar Prestes, do Instituto Nacional de Meteorologia. chega a nevar na região dos Aparados, com os termômetros registrando temperaturas de 10 graus centígrados negativos no alto da serra.
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