Prólogo: A Formatura
Antes do princípio, o Patrão colou grau na Faculdade de Arquitetura. Deixou a toga dependurada em Alfa-Centauro e jogou o capelo, dando origem à Via-láctea. Arremangou a camisa e foi criar o mundo. Aí sim, no princípio, criou o céu e a terra.
A Festa
Naquela época, o Criador ainda enfiava, ele mesmo, a mão na massa. Por seis dias inteiros, trabalhou feito uma mula – que só é o que é em homenagem a Ele – entreverado no monte de lama que era a Terra. Bem de tardezinha, Deus se lavou num açude e, para descontrair, fez um bonequinho de barro e lhe assoprou o nariz. Depois do trabalho feito, o Patrão admirou o mundo com aquela pose de açucareiro, mui satisfeito com o resultado. Bateu nEle uma baita vontade de comemorar. Por não ter muita companhia, chamou a bicharada para, juntos, fazerem aquele baile.
Como ainda não havia papel-cartão nem impressora off-set para fazer os convites, O Patrão resolveu pôr em prática uma teoria dos tempos da faculdade. Ali por seis da tarde, chamou o bonequinho-de-barro para espraiarem eles dois a notícia da festa no boca-a-boca. Em instantes já havia mais um convidado: a Serpente. Esses três chamaram mais um, e já eram quatro. Em um minuto, esses quatro viraram sete. Nos sessenta segundos seguintes, sete viraram onze; onze viraram dezoito; dezoito viraram vinte e nove. Era tanto bafafá que em dez minutos o Salão do Éden já tinha cento e vinte e três. Quando já batia vinte e cinco pras sete, o Salão contava com trinta e três milhões, trezentos e oitenta e cinco mil, duzentos e oitenta e dois convidados.
Foi um verdadeiro banquete: fartura de leite e mel, erva verde, erva que dava semente e frutos de árvores frutíferas segundo suas espécies. Até hoje, quando alguém ainda faz um baile, um jantar ou um churrasquinho no fim de semana, o faz tentando imitar a festa da primeira e melhor sexta-feira de todos os tempos.
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