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Publicação: 08/09/2007
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Entre Santos e Assunção (Paraguai), e o Peru, os índios diziam existir, antigamente, pegadas de um pregador carismático, a quem chamavam de "Pai Zumé", na grande província espanhola do Paraguai, e de "Pay Tumé", nas terras do atual Peru. Contava-se que, de pai para filho, foram transmitidos alguns ensinamentos do pregador, como o de que "a doutrina que eu agora vos prego, perdê-la-ei com o tempo. Mas, quando depois de muitos tempos, vierem uns sacerdotes sucessores meus, que trouxerem cruzes como eu trago, ouvirão os vossos descedentes essa doutrina". A citação foi feita em 1639 pelo padre jesuíta Antonio Ruiz de Montoya, que, percorrendo o sertão paraguaio e o atual Estado do Paraná, acompanhado de sua cruz, procurava remontar os passos de "Pai Zumé", visitando locais onde existiam pegadas centenárias, que ele, unindo suspeitas próprias às lendas dos indígenas, acreditava ser do apóstolo São Tomé - aquele que quis ver as chagas de Cristo na primeira aparição deste aos apóstolos, após a ressurreição, como ensina a Bíblia. Os índios que transmitiam a lenda ao longo do tempo foram os primeiros a sensibilizar-se com a causa cristã, ao ver os jesuítas aparecerem em suas aldeias, condenando os enormes haréns e obrigando todos a se batizar, assistir missas, rezar, cantar etc. Tendo ou não cruzado a região há quase dois mil anos atrás, pregando, São Tomé e sua lenda ajudaram em muito a implantação das primeiras reduções que iriam constituir a florescente república que atualmente poucos conhecem - a dos guaranis, nosso primeiro estado industrial, cultural e militar na América Latina, com bases teocráticas.
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