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Você está aqui:   Home > História Gaúcha > Missões > 7 - O Fim

XXI - A destruição completa

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Publicação: 08/09/2007


 A decadência foi de tal ordem que, em 1801, quando eclodiu nova guerra entre Portugal e Espanha, o fazendeiro Manoel dos Santos Pedroso e o contrabandista José Borges do Canto, à frente de somente 40 homens, conseguiram conquistar para Portugal os Sete Povos, na margem esquerda do Uruguai, atual Rio Grande do Sul. As Missões passaram a ser governadas por militares.
 
 Depois que em 1815 foi proclamada a independência das Províncias Unidas do Rio da Prata, tendo Buenos Aires como capital, a Banda Oriental, ou seja, o atual Uruguai, rebelou-se sob o comando de José Artigas. Durante a campanha contra Buenos Aires, Artigas conheceu em São Borja um índio daquela redução, Andrés Guacurari, que tornou seu filho adotivo e passou a ser conhecido como Andresito Artigas, nomeado por Artigas para o comando das Missões, que pretendiam tornar independentes.
 
 Ocorreram inúmeros conflitos entre forças de Artigas e portugueses, em território das Missões, de onde Andresito também partiu para atacar o Paraguai. A essa altura as reduções já não se caracterizavam como tal. Não tinham nada dos antigos aldeamentos e não passavam de quartéis e os índios estavam transformados em soldados, uma hora lutando a favor de um, outra de outro.
 
 Como represália às hostilidades de Andresito no lado brasileiro, em janeiro de 1817 o brigadeiro Francisco das Chagas Santos cruzou o rio Uruguai e destruiu completamente as reduções - que foram demolidas até os alicerces e saqueadas - de Yapeyú, La Cruz, San Thomé, Santa Maria, San Javier, Mártires e Concepción, saqueando ainda San José, Apóstoles e San Carlos, depois também destruídas. Em carta ao Marquês do Alegrete, seu superior, o brigadeiro Chagas Santos, em fevereiro desse ano, orgulhava-se: "... percorremos e devastamos todos os campos adjacentes a esses povoados, num raio de 50 léguas ...".
 
 Em 1818 Andresito foi derrotado e preso em São Nicolau. Levado para o Rio, apareceu morto na Fortaleza de Santa Cruz. Em 1820, José Artigas também foi vencido pelos brasileiros e refugiou-se no Paraguai, onde foi acolhido pelo ditador José Gaspar de Francia, um antigo aluno dos jesuítas.
 
 Quando foi proclamada a independência da Argentina, ficaram sob o controle de Francia - segundo acordo que chegou a ser firmado - as cinco reduções que estavam na margem esquerda do rio Paraná (atual território argentino), as oito da margem direita e as três situadas ao Norte do Paraguai (as chamadas reduções do Tarumá).
 
 Em 1817, no entanto, quando o brigadeiro Francisco das Chagas Santos arrasou as reduções na margem direita do rio Uruguai, Francia, que não queria complicações próximo ao Paraguai e também não pretendia vê-las cair em mãos de Andresito Artigas, tomou a iniciativa de mandar arrasar completamente as cinco reduções da margem esquerda do rio Paraná, sob o seu controle: Corpus, San Ignácio Mini, Loreto, Sant'Ana e Candelária.
 
 Restaram, assim, as 11 reduções ao Norte do rio Paraná, em território paraguaio, que eram governadas por um mordomo, o qual também descaracterizou completamente o sistema de administração dos jesuítas, a exemplo do que ocorrera nas margens esquerda e direita do rio Uruguai, respectivamente Brasil e Argentina atuais.
 
 Rebeliões surgidas foram esmagadas em 1832 nas reduções de Belém e Santa Rosa e os índios remanescentes foram levados ao sacrifício, em massa, durante a chamada Guerra do Paraguai, empreendida nos anos seguintes pelo ditador Solano Lopez. Em 1848, Lopez tornou as reduções "cidades livres", expropriou os índios e entregou-lhes unicamente um lote de terras. Os lotes foram abandonados, pois os índios não se acostumavam à exploração capitalista. As antigas reduções transformaram-se em cidades e, delas, restou pouca coisa.


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