Publicação: 14/09/2007
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O pequeno município de Sede Nova, com pouco mais de 3 mil habitantes, foi o primeiro a ser visitado por um grupo de técnicos da Emater/RS-Ascar interessados em saber como as comunidades rurais estão utilizando as plantas bioativas e seu contexto cultural. “Um dos eixos do nosso trabalho é a promoção da saúde, sendo um dos focos o trabalho com plantas bioativas. Contudo, este ano nós nos propomos a ouvir a comunidade para analisar o saber popular, a biodiversidade, a identificação e o uso correto das plantas”, explicou a coordenadora da área de Bem-Estar Social da Emater/RS-Ascar Regional de Ijuí, Elisabete Ristow.
Em Sede Nova, o grupo da Emater/RS-Ascar, que representava 12 municípios da Região Noroeste, conheceu o trabalho que vem sendo realizado há 20 anos no município pelas mulheres campesinas da Associação Marcilda. “Saúde alternativa para nós é a promoção da vida das pessoas. A gente vê a pessoa de uma forma holística, energética e não como uma máquina que precisa repor peças”, disse a coordenadora da Associação, Hilga Almeida.
A sede da Associação é bastante freqüentada por pessoas de todas as idades e classes sociais, que chegam em busca de xaropes, pomadas e orientações.“Nós cobramos, basicamente, a matéria prima. A nossa Associação não tem fins lucrativos”, frisou uma das sócias.
Os produtos são elaborados a partir de uma lista bastante extensa, onde figuram nomes de plantas como o poejo, a maçanilha, a tançagem, a babosa, a carqueja, o funcho e a calêndula, além de uma infinidade de sementes, como girassol e amendoim, e do mel, própolis e melado. “Ninguém fica anêmico se comer beterraba com melado”, sugeriu uma agricultora. “Eu me sinto viva quando trabalho com as plantas. Eu preciso da energia delas”, disse a agricultura Cenalira da Silva. Aos 77 anos, dona Lila, como é conhecida, desenvolveu o gosto pelas plantas com a mãe e avó. Mas ampliou o conhecimento herdado da família com a ajuda dos livros. “Nós temos muitos livros na associação. Eles nos orientam, pois o remédio pode virar veneno, dependendo da dose. Tudo que é em excesso faz mal”, alertou ela.
O encontro com os técnicos da Emater/RS-Ascar incluiu duas oficinas, em que as agricultoras demonstraram como elaboram um xarope, usado, em caso de gripe e resfriados, e, outra, para mostrar como elas utilizam o pêndulo (objeto pequeno, com uma ponta, suspenso por um fio).
Essa demonstração, em particular, despertou a curiosidade de alguns técnicos que se submeteram à análise do pêndulo. Sobre a mão do técnico estendida, dona Hilga segurou o pêndulo. A cada pergunta que a agricultura fazia, o pêndulo girava em sentido horário, indicando que a resposta para a pergunta era “sim” ou no sentido anti-horário, movimento interpretado como “não” para a resposta. “Desde a antigüidade já se usava o pêndulo. Ele indica que as pessoas emanam energia positiva ou negativa. Ninguém é neutro”, explicou a irmã da congregação Santa Paulina, Silvia Haas.
A religiosa foi convidada pela Emater/RS-Ascar para transmitir seus conhecimentos sobre Florais de Bach, denominação dada ao legado deixado pelo biólogo Edward Bach sobre o uso de essências florais, utilizadas para restabelecer a integralidade do indivíduo que se encontra separado de si mesmo, com a alma e o corpo desalinhados. “O estado mental da pessoa afeta o físico. Um pensamento negativo é a porta de entrada para a doença, que é um desequilíbrio da energia da pessoa. A mente sadia, as emoções controladas evitam doenças”, disse Haas.
Uso responsável das plantas Um aspecto que o grupo Marcilda fez questão de destacar diz respeito à ética que envolve a manipulação das plantas e a indicação do uso para as pessoas leigas. “Nós não curamos ninguém. Nós indicamos caminhos”, disse Almeida. A mesma preocupação, segundo Ristow, tem norteado as ações da Emater/RS-Ascar, que procuram estar em harmonia com a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, em vigência no país desde junho de 2006, a partir de um decreto do presidente Lula. O principal objetivo dessa política é garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicas, promovendo o uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia produtiva e da indústria nacional. “É importante saber o que a ciência pensa, mas neste ano nos propomos a conhecer o trabalho feito nas comunidades, reavaliando a cultura popular, pois jamais gostaríamos de ser um dos responsáveis por tirar da mão do povo esse conhecimento”, disse o coordenador da Microrregião de Três Passos da Emater/RS-Ascar, João Schommer.
Experiências semelhantes à de Sede Nova, realizadas com plantas bioativas, devem motivar novos encontros entre os técnicos da Emater/RS-Ascar e as comunidades rurais de Tenente Portela, Bom Progresso e Tiradentes do Sul nos próximos meses.
Plantas bioativas A coordenadora da área de Bem-Estar Social da Emater/RS-Ascar Regional de Ijuí, Elisabete Ristow, explica que a Instituição tem adotado a expressão “plantas bioativas” para definir aquelas que possuem alguma ação sobre os seres vivos. Assim, se enquadram nesse conceito as plantas medicinais, aromáticas, condimentares, inseticidas, repelentes e tóxicas, entre outras. “A alface e o repolho da nossa horta, por exemplo, são plantas bioativas”, exemplificou Ristow.
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| Fonte: |
Emater/RS-Ascar |
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Fotos Adicionais
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