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Publicação: 07/09/2007
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Em 1835, ano em que começou a Revolução Farroupilha, a
província do Rio Grande do Sul era, ainda, muito pouco povoada. Com não mais que 400 mil
habitantes, tinha sua população concentrada na região da Depressão Central e no
Litoral, com poucos núcleos habitacionais na zona de Cima da Serra e nas Missões, e com
a Campanha ocupada principalmente por estâncias de gado.
Existiam, então, quatorze municípios: Porto Alegre, Rio Grande, Rio Pardo, Santo Antonio
da Patrulha, Cachoeira do Sul, Pelotas, Piratini, Alegrete, Caçapava do Sul, São José
do Norte, Triunfo, Jaguarão, São Borja e Cruz Alta. Entre eles, três se destacavam:
Porto Alegre, capital da província; o porto de Rio Grande, por onde se fazia a maior
parte das transações comerciais; e Pelotas, onde prosperava a manufatura do charque.
As comunicações eram bastante precárias. Em 1823, o charqueador Gonçalves Chaves, em
seu livro "Memórias Ecônomo-Políticas", dizia que não existia uma só ponte
em toda a província. A principal forma de transporte de cargas eram as carroças, que
tinham que enfrentar caminhos intransitáveis durante os períodos de chuva. Isto
resultava em um grande isolamento de certas regiões, como a área da fronteira com o
Uruguai e Argentina que, tendo dificuldades de se comunicar com o litoral, canalizava sua
produção de charque para o porto de Montevidéu.
Também se utilizavam os rios, como o Taquari, Jacuí e Caí, através dos quais se
estabelecia a comunicação com Porto Alegre e, desta cidade, com o porto de Rio Grande.
Em 1832 houve um considerável progresso na navegação fluvial, com a introdução de
barcos a vapor. Mas a inovação, que tornava o transporte bem mais rápido do que o feito
pelos veleiros, foi prejudicada pela Revolução Farroupilha, ficando quase que totalmente
estagnada até o seu término.
Apesar do isolamento da província, e das diferentes zonas dentro dela, grande parte dos
produtos usados no Rio Grande era importada, pois, como nas demais regiões do país, a
indústria nacional era praticamente inexistente. Vinham do exterior fósforos, vassouras,
pregos, sapatos etc. As classes mais abastadas podiam encontrar tecidos e acessórios
vindos da Europa. O Rio Grande, por sua vez, exportava charque - principalmente para as
demais províncias -, e couros, para o exterior.
O isolamento poderia dar a falsa impressão de uma província pacata, com uma vida quase
parada. Isto, porém, não era verdadeiro.
Os gaúchos, durante o século passado, tiveram que lutar ferozmente com os espanhóis
para garantir suas terras e, mesmo no início do século XIX, ainda enfrentavam problemas
de fronteira, o último dos quais - antes da Revolução Farroupilha - tinha sido a guerra
pela libertação do Uruguai, que tinha permanecido ocupado pelo Brasil entre 1817 e 1825.
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| Fonte: |
Lígia Gomes Carneiro |
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