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Publicação: 11/09/2007
Atualização: 11/09/2007
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Ventos fortes e grandes ondas causadas pelos ciclones que atingem o Rio Grande do Sul, particularmente durante o outono e inverno, continuam sendo um problema na costa gaúcha. Os navios de maior porte não enfrentam mais os riscos de décadas passadas, mas podem ser arrastados para a praia se não tomarem cuidado nas proximidades da costa — durante os temporais mais violentos interrompem a navegação para não correrem o risco de quebrar o casco. As maiores dificuldades envolvem os barcos de pesca que, diversas vezes ao ano, continuam engrossando as estatísticas de naufrágios. — A agitação das ondas é um dos grandes problemas para as embarcações. A cada 30 a 40 anos podem ocorrer ondas de até oito metros de altura. Normalmente, durante os temporais, podem chegar a seis ou sete metros — revela o professor Osmar Möller, do Laboratório de Oceanografia Física do Departamento de Física da Universidade Federal de Rio Grande (Furg). O tamanho da onda, explica ele, depende da velocidade do vento, de sua duração e da distância em que o vento ocorre sobre o mar. Uma onda de cinco metros, por exemplo, exige ventos em torno de 50 quilômetros por hora, soprando por ao menos vinte horas e que atinjam uma distância de ao menos 500 quilômetros. Assim, para chegarem ao Rio Grande do Sul com uma altura de cinco metros, as ondas vêm sendo formadas desde a altura de Mar Del Plata, no sul da Argentina, explica Osmar. — As ondas ganham altura e diminuem o cumprimento na medida em que se aproximam da costa e são deformadas pela plataforma marítima, que no Rio Grande do Sul é mais extensa, entrando 180 quilômetros mar adentro. Assim, quanto mais perto da costa, maior a violência das ondas. Essas ondas mais violentas são conhecidas como “swell” – elas chegam com três a quatro metros de altura e, quando se aproximam da costa, aumentam para cinco a seis metros. Muitas delas arrebentam justamente na área normalmente ocupada pelos pesqueiros — diz Osmar Möller. Mesmo resistentes e com condições para enfrentar mar violento, nem os navios de maior porte como os graneleiros e petroleiros deixam de tomar cuidados especiais com essa turbulência causada pelos ciclones. — Muitas vezes é possível observar esses navios “capeando” no mar revolto. Eles diminuem as máquinas e colocam a proa apontando contra a onda. Com baixa velocidade eles ficam nessa condição apenas se equilibrando porque, se navegarem, o barco pode subir e bater com força na água, com risco de quebrar o casco. Mas os barcos pesqueiros não resistem a isso — acrescenta Möller. Ele explica que o Rio Grande do Sul tem a costa mais violenta do país porque é o ponto de entrada das frentes frias e onde se formam os ciclones. Como muitas das frentes seguem depois para o mar e não avançam em direção ao norte do país, grande parte da turbulência fica restrita ao Estado. Os ciclones, explica o meteorologista Eugenio Hackbart, da Rede de Estações de Climatologia Urbana, com sede em São Leopoldo, são formados pelo encontro de massas de ar frio originárias do Pólo Sul com as massas de ar tropical úmido, de baixa pressão, que vêm da Amazônia. — Quando ocorre a convergência entre esses dois sistemas, há uma predominância da massa de ar polar, que impulsiona em direção ao Atlântico as massas de ar quente, que passam a se concentrar entre a costa uruguaia e a do Rio Grande do Sul. Essa atividade gera um movimento de rotação, resultando no ciclone extra-tropical que é normal nesta época e que é o responsável pelas fortes rajadas de ventos, que são mais violentas no mar — diz Hackbart. Há quinze dias, no último ciclone que atingiu o Estado, os ventos na costa gaúcha chegaram a 130 quilômetros horários, formando ondas de cinco a seis metros.
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