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Publicação: 08/09/2007
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Há mais de 500 milhões de anos a pressão do magma nas camadas inferiores da Terra levantou a crosta terrestre, formando enormes montanhas nas imediações da região onde está hoje a costa do Rio Grande do Sul. Ventos violentíssimos começaram a desgastar essas elevações - o chamado escudo granítico, que se estendia de Montevidéu ao Cabo de Santa Marta, em Santa Catarina -, fazendo surgir uma camada primitiva de areia. Por mais ou menos 120 milhões de anos houve um grande derrame de lava a partir de fendas na parte central do país, em treze ocasiões diferentes, trazendo a lava até uma boa parte do atual Rio Grande do Sul. Foi criada uma barreira para o avanço do mar, numa linha imaginária que pode ser estendida de Torres a Sant'Ana do Livramento, passando por Porto Alegre. Muitos tubarões nadaram à volta do Morro Palomas, em Livramento, onde atualmente se plantam parreiras e se produzem uvas para a elaboração de vinhos finos. Chuvas torrenciais, ventos fortes e toda a sorte de intempéries, passaram a desgastar a rocha basáltica que se formou em decorrência dos derrames. Nessa época não havia litoral, mas apenas rios que vinham de cima carreando sedimentos e com uma violência sem nada igual atualmente, revelam pesquisadores desses fenômenos. Com a erosão, os mares primitivos foram sendo assoreados e a pressão da água consolidou a plataforma continental. Por seu lado, os mares também passaram a lançar areias sobre os sedimentos basálticos que continuaram descendo a serra. Isto acontecia nas chamadas transgressões (avanços), durante as quais o mar invadia o continente - por milhões de anos avançou e recuou e as areias que depositava, associadas aos sedimentos que escorriam do planalto basáltico, é que formaram o solo de nossa costa. Até o Mioceno, há sete milhões de anos, a sedimentação do atual litoral era feita apenas em decorrência do efeito das intempéries no derrame basáltico. Chuvas torrenciais e ventos muito fortes desgastavam o basalto e levavam seus resíduos em direção ao mar. Em Mostardas, por exemplo, cientistas encontraram uma camada de 100 metros com esses sedimentos trazidos pela erosão do derrame basáltico. Por essa época (há sete milhões de anos) é que o mar fez a primeira transgressão, colocando sobre tais sedimentos mais uma camada de areia, que em Mostardas alcançou até 1.153 metros e, num de seus extremos, apenas 40 metros. Depois desses eventos do Mioceno passou a predominar a sedimentação basáltica, que voltou a atingir o ponto máximo também em Mostardas - 270 metros, decrescendo gradativamente de leste para oeste até os contrafortes do Escudo Pré-Cambriano (formado há 4,55 bilhões de anos, nos primeiros momentos da formação da crosta terrestre). Essa sedimentação continental foi dominante entre os últimos sete milhões e 12 mil anos, embora tenham, alternadamente, ocorrido algumas transgressões e regressões do mar, dando os contornos definitivos do litoral. Foram essas transgressões e regressões que desenharam a atual geografia - como o cordão de dunas e lagoas que se estende por toda a costa. Mas as transgressões e regressões somente puderam realizar seu trabalho porque o derrame basáltico elevou a base da nossa costa, sobre a qual o mar depositou areia. Havia uma transgressão quando as calotas polares derretiam, o que acontecia nos períodos chamados de interglaciais. Nos períodos glaciais o mar recuava e uma evidência desses acontecimentos é a plataforma continental, que adentra o mar até 300 quilômetros. Num determinado momento, o mar chegou a baixar cem metros em relação ao nível atual. Como o Rio Grande do Sul estava na extremidade do derrame basáltico, o processo de transgressão e regressão do mar foi muito mais acentuado. Nos estados ao norte ele foi pouco significativo pelo fato de o derrame basáltico ter sido mais violento, formando, conseqüentemente, uma crosta mais alta. Assim, nesses Estados, há logo depois das praias grandes cadeias de montanhas e, no litoral, bonitas baías que tornam o veraneio mais tranqüilo.
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