Fronteira, há uma só. É a linha hipotética, resultante do acordo das nações sobre seus limites, que determina de que lado fica quem. No entanto, cada fronteira é uma fronteira, e cada homem de fronteira é diferente do outro, como pode ser facilmente constatado em um trajeto pelas fronteiras do Rio Grande do Sul. Dos "mergulhões" de Santa Vitória do Palmar ao único povo das Missões que sempre esteve habitado, o de São Borja, são muitas as histórias - algumas mais semelhantes a estórias - de nossa fronteira. Entre esses homens, tão diversos em hábitos há, entretanto, uma característica comum: todos eles se referem aos moradores do lado de lá como "castilhanos". São "castilhanos" com "i", argentinos ou uruguaios ou, de uma forma genérica, todos aqueles que falam mais espanhol do que português. Porque o homem da fronteira também fala espanhol - na maioria das vezes com a mesma fluência que o português. Mas fala mais português. Por outro lado, as influências variam: se de um lado os fronteiriços se dizem mais influenciados pelo Uruguai (em Santa Vitória do Palmar), de outro são os brasileiros que levaram sua cultura ao Uruguai (em Livramento). E, em Uruguaiana, com um rio no meio, brasileiros e argentinos se miram. Entre os três países, e através dessas fronteiras, já se trocaram guerras e heróis. Construídas mais a ferro e fogo do que por ocupação pacífica, as fronteiras do Rio Grande são, dentre as brasileiras, as que custaram mais caro: porque exigiram muitas guerras e, nessas guerras, muitas vidas. O Rio Grande do Sul tem 1.003 quilômetros em sua fronteira sul, com o Uruguai, demarcada por 1.156 marcos (como o da foto acima), que ainda não resolveram um antigo conflito territorial com o país vizinho e que envolve as imediações da Vila Thomaz Albornoz, um enclave de 22 mil hectares. Na fronteira com a Argentina, existem 724 quilômetros, todos eles acompanhando o curso do rio Uruguai.
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