O Estado do Rio grande do Sul vive nesta sexta-feira (5) o Dia Sem Álcool. A proposição foi feita pelo deputado Kalil Sehbe (PDT), aprovada pelo Parlamento gaúcho e sancionada pela governadora Yeda Crusius. O objetivo é estimular o não-consumo de bebida alcoólica no dia 5 de setembro em todo o Estado.
O parlamentar pedetista salienta que o Dia Sem Álcool é um marco para que se conscientize a sociedade dos malefícios trazidos pela ingestão de bebidas alcoólicas. "Este é um momento para que toda a sociedade debata e não tenhamos mais dependentes químicos e alcoólatras", alertou ele. Sehbe disse que a lei foi sancionada há poucos dias e ainda carece de regulamentação, mas que possibilitará um trabalho maior e melhor na prevenção à dependência do álcool.
Luta contra a dependência deve ser diária A especialista em dependência química e responsável pelo setor de internação do Hospital Parque Belém, Vilma Rodriguez, avalia como positiva a lei que institui o Dia Sem Álcool, mas ressaltou que esta luta deve ser diária. "Esta lei traz uma reflexão diária, onde posso refletir se vou ou não beber e posso parar para avaliar os males que o alcoolismo produz para mim e para a sociedade", pondera Vilma.
O Centro de Dependência Química (CDQUIM) da instituição atende tanto pessoas dependentes do álcool como de outras drogas, e que de 20 a 30% das internações realizadas são de alcoolistas. "Além das internações, o hospital também oferece atendimento ambulatorial aos pacientes que não são crônicos", informa a especialista. De acordo com ela, as internações de dependentes de álcool ocorrem na faixa etária de 30 a 45 anos de idade. "Mas antes desta faixa etária já se constata o abuso e o uso nocivo do álcool", frisa Vilma.
A especialista disse que o tratamento aos dependentes de álcool é iniciado com um período de desintoxicação, buscando interromper o consumo. Como suporte é utilizada medicação, para que o paciente supere a crise de abstinência, e concomitantemente é desenvolvido um trabalho de terapia comportamental, seguida de avaliação psiquiátrica para identificar a ocorrências de outras doenças.
Alcoolismo como doença Albano, um dos diretores dos Alcoólicos Anônimos (AA), disse que a entidade mantém uma postura isenta, preocupando-se apenas com os portadores da doença do alcoolismo. "Para estas pessoas, o AA tem todas as condições de indicar um caminho e de falar sobre os problemas do alcoolismo e o que essa doença pode causar na vida das pessoas", destaca.
Albano deixa claro que para tratar da doença existe a medicina, mas que o AA tem uma série de princípios e de maneiras de proceder em relação à bebida alcoólica. "Acho muito importante que haja este Dia Sem Álcool no Rio Grande do Sul, justamente para levar as pessoas a refletirem", avalia.
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