Estação Ecológica de
Aracuri
TAIM |
LAGOA DO PEIXE |
ARACURI | TURVO |
APARADOS | ESPINILHO |
MATA ATLÂNTICA

(Colaboração de Maria Luiza
Soldatelli Baum)
Onde dormem os
papagaios
Eles são ariscos, barulhentos, gostam das copas das árvores, mais precisamente do
pinheiro araucária, cujo pinhão é seu alimento predileto. Como não estão
domesticados, não repetem nomes e palavrões com a facilidade que outras aves de sua
espécie exibem quando aprisionadas e levadas para a diversão de crianças, nas cidades.
Os cientistas chamam-lhes amazonas petrei, mas todas as pessoas os conhecem como papagios,
dos gêneros charão e do peito-roxo, os mais comuns.
Embora dividam o espaço com pouco mais de cem espécies de outras aves, entre as quais
algumas viajantes de longas distâncias, como o gavião papa-gafanhoto, que vem dos
Estados Unidos para passar a primavera e o verão em nossas matas, esses papagaios são os
ocupantes mais famosos (embora cada vez mais raros) da Estação Ecológica de Aracuri, no
município de Muitos Capões, a cerca de 300 quilômetros de Porto Alegre.
Criada em 1981, com 277 hectares, essa é uma das estações menos problemáticas no
complexo administrado no Estado pelo Governo Federal. Não existem invasores, a
população das redondezas não gosta de caçar e se sensibiliza com a necessidade de
preservar a área.
Os papagaios, lembram os vizinhos, sempre preferiram os capões de pinheiro araucária
existentes na atual estação. Com isso, a área tornou-se um "dormitório"
importante para os papagaios. Mas, antes de dormir eles aproveitam o que é um dos
destaques da reserva e dos capões de toda a região, os pinhões que as gralhas azuis --
vistas em grande quantidade por ali -- não conseguirem esconder enterrados.
Ao contrário das gralhas, ocupantes habituais e permanentes dos pinheiros, os papagaios
somente chegam entre as 17h30 e 18 horas, deixando o local novamente entre as 5h30 e seis
horas, sempre com a mesma rotina: chegam e saem em pequenos bandos, mas não descem para
as árvores e nem se dispersam pela região, enquanto todos não estiverem reunidos.
Ao chegarem à área da estação, ficam sobrevoando a mata até que todos os bandos
tenham se apresentado. Eles preferem as proximidades do chamado pinheiro vovô, com 36
metros de altura e já sem folhas devido aos seus mais de quinhentos anos de idade.
O primeiro semestre é a época de papagaios na Estação Ecológica de Aracuri, que se
enche de ruídos nos entardeceres e amanheceres. Os bandos, em épocas de maior
concentração, chegam a escurecer o céu. Eles começam a chegar em janeiro e fevereiro,
atingindo o auge, em termos de número de animais, em março. Ficam até junho, época do
pinhão, que comem com grande presteza: furam o fruto com o bico e comem tudo, enquanto
aguentarem. As sobras que caem no chão são repartidas entre os outros animais:
capivaras, pacas, cotias, veados do mato, entre outros, que não conseguem alcançar as
copas e não têm a presteza de descobrir os esconderijos das gralhas, que nem as
próprias localizam -- é por isto que esta ave, de um azulado muito bonito, é conhecida
como a mais eficiente "plantadeira" de araucária.
Contagem científica dos papagios do Aracuri feita por pesquisadores nos últimos anos
mostra que eles são entre nove e dez mil. A maior parte é de papagaios-charão, aquele
em que se destaca o verde e que tem fama de "falador" nas residências em que é
aprisionado.
Uma questão que intriga os pesquisadores é o destino e o local de procriação dos
papagaios. Existem apenas algumas teorias. A mais aceita é a de que, após junho e,
mesmo, julho, os papagaios se dispersam pelas zonas de mata do Planalto Médio, Depressão
Central, Serra do Sudeste, Aparados da Serra e Vale do Ibicuí. Na primavera, nidificam
preferencialmente na área compreendida entre Encruzilhada do Sul, Santana da Boa Vista,
Caçapava do Sul e Lavras. Até dezembro todos os filhotes já estão em condições de
voar e, por essa época, se misturam nos bandos de uma forma em que, naturalmente, se faz
uma miscigenação. Depois, na época do pinhão, distribuem-se pelos capões dos campos
de cima da Serra, especialmente na atual Estação Ecológica do Aracuri.
De toda a área protegida na estação calcula-se que 35% estão em mata, somente parte
dela considerada virgem, onde foram mínimos os dados causados pelo homem. O número de
pinheiros da reserva é estimado em próximo de 20 mil com mais de 20 centímetros de
espessura, mas são milhares os novos, que estão se formando no meio das árvores e
vegetação rasteira. A maior parte da estação é ocupada pelo que, no campo, se
denomina de vassoural, onde normalmente se colocaria o gado a pastar. No restante, com uns
oito hectares no máximo, existem banhados, as áreas preferidas pelas capivaras, que já
integram um bando de algumas dezenas.
Veja algumas informações sobre o
município de Muitos Capões, onde se localiza a Estação Ecológica do Aracuri
Informações gerais sobre o meio ambiente gaúcho:
O
papel do Rio Grande na sinfonia da vida
Rio Grande, o ponto de encontro dos animais
As praias gaúchas recebem visitantes até da
Groenlândia
Variedade influenciada pela existência de água
Resta pouco das antigas florestas
A lenta destruição da Mata Atlântica
Orquídeas são bonitas para atrair insetos
Banhado, ecossistema ameaçado pelo arroz
Página sobre a formação geológica do Estado
|
|