Os dinossauros gaúchos
Fósseis de três dinossauros, com cerca de 220 milhões de anos, de uma
espécie desconhecida pela Ciência, foram encontrados em Santa Maria, durante
expedições realizadas nos meses de janeiro e fevereiro de 1998, por pesquisadores do
Laboratório de Paleontologia do Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS.
A descoberta pré-histórica - uma das mais importantes para a comunidade científica nos
últimos tempos - teve repercussão internacional. "Estudos sobre a história
evolutiva dos dinossauros mostram que os exemplares coletados são muito primitivos, dos
mais antigos do mundo", afirmou na época Martha Richter, coordenadora do
Laboratório de Paleontologia e uma das integrantes da equipe junto com os paleontólogos
Max Langer, Fernando Abdala e Maria Cláudia Malabarba.
Até então, apenas um dinossauro havia sido encontrado no Rio Grande do Sul, na década
de 30, também em Santa Maria. Trata-se de um Staurikosaurus pricei, que está no
Museu de Zoologia Comparada, em Harvard, nos Estados Unidos. "Essa espécie é
considerada uma das mais antigas do Planeta, juntamente com outras coletadas na
Argentina", explicou Max Langer. Com essa descoberta, o Rio Grande do Sul ficou em
uma posição privilegiada. "Talvez o Estado seja o berço dos dinossauros",
admitiu Martha Richter.
Os esqueletos dos três dinossauros foram achados inesperadamente. O objetivo das
expedições era coletar fósseis de répteis e de peixes. "Ninguém esperava
encontrar dinos e quando vi os ossos de um bicho diferente de tudo o que se conhecia, não
fiquei seguro de que era um dinossauro", lembrou Langer, que descobriu dois
esqueletos.
À medida que as escavações nas rochas finas sedimentadas de terra vermelha continuavam,
mais os pesquisadores tinham certeza de estar diante de fósseis de animais incomuns, uma
espécie de dinossauro nunca antes vista.
O passo seguinte foi recolher os blocos de rocha contendo a ossada quase completa dos
répteis e levar o material para o Laboratório de Paleontologia da PUCRS. Essa etapa do
trabalho também contou com a ajuda dos paleontólogos José Bonaparte e Jorge Ferigolo,
ambos da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Logo depois, num minucioso
trabalho, semelhante ao de um quebra-cabeças, os pesquisadores passaram a se dedicar a
retirar os ossos dos sedimentos e montar os esqueletos.
Parte de um dinossauro já foi montada. Pelo tipo de camada geológica em que os
esqueletos foram preservados, os cientistas afirmam que os animais viveram num período
chamado Triássico, dentro da Era Mesozóica, conhecida como Idade dos Répteis.
Os fósseis dos dinossauros encontrados indicam que eles tinham aproximadamente um metro
de comprimento por 50 centímetros de altura. Eram animais esguios e ágeis, que se
locomoviam numa grande planície - hoje correspondente à região que vai dos municípios
de Candelária a Mata, passando por Santa Maria e São Pedro do Sul - cortada por rios e
pequenos lagos, com abundante fauna de répteis, anfíbios e peixes que viviam num clima
bastante quente e árido.
(FONTE: PUCRS Informação)
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