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As praias gaúchas recebem
visitantes até da Groenlândia
Aves migratórias de locais tão distantes como a Groenlândia são grandes frequentadoras
dos lugares mais tranqüilos das praias gaúchas. Outras vêm de mais perto, como a
Argentina ou Uruguai. Outras, ainda, são moradoras fixas desses locais, ou usam as praias
como local de repouso. Mas, para todas essas aves, o equilíbrio ecológico e a
preservação das praias é vital.
O Rio Grande do Sul tem uma importância ecológica mundial no que diz respeito às aves
migratórias. O Estado tem uma fauna de aves costeiras avaliada em 33 espécies. Algumas
delas se alimentam na praia, outras repousam na praia e se alimentam no mar. A maioria é
migratória e utiliza a praia em uma das fases de sua migração. Poucas nidificam nela.
É esse o caso do piru-piru, ave mais ou menos do tamanho de uma galinha, que é residente
fixo das praias gaúchas durante todo o ano. Ele se alimenta dos moluscos que se encontram
enterrados na beira do mar, e faz seu ninho nas dunas costeiras.
Também freqüentadoras assíduas das praias gaúchas são as gaivotas. Existem duas
espécies, a gaivota-cozinheira (que recebe esse nome porque anda sempre atrás das
embarcações, quando nessas está sendo preparada comida) e a gaivota-de-cabeça-negra. A
cozinheira, que é a maior das duas, faz seus ninhos nas ilhas em frente à costa do
Uruguai e de Santa Catarina, e vem ao Rio Grande em busca de alimentos.
A cabeça-negra nidifica nos banhados. Como essas aves são generalistas, isto é, comem o
que encontrarem, seja carniça, restos de peixe ou moluscos, colaboram com a limpeza da
praia. Elas estão presentes nas praias gaúchas durante todo o ano, mas na primavera são
encontradas em menor número, porque é essa a época em que vão nidificar.
Outro grupo que aparece com freqüência é o das Sternas, também chamadas de
trinta-réis ou andorinhas-do-mar. No Rio Grande, seis espécies são mais comuns. Uma
delas, a Sterna hirundo, vem do Hemisfério Norte. As outras cinco espécies são
do Hemisfério Sul. A Sterna hirundo faz seu ninho nas regiões temperadas dos
Estados Unidos e Canadá, durante os meses de maio a julho, quando é verão nessas
áreas. Depois, migra para o Sul, atingindo desde o Sul do Brasil até a Patagônia.
No Rio Grande ela aparece em grande número no verão, na Lagoa do Peixe, e na Ponta dos
Pescadores (na Lagoa dos Patos). Em março e abril também aparece em grande número na
Praia do Cassino, em Rio Grande.
De uma maneira geral, as Sternas usam a praia para repouso, e se alimentam em
outros locais. A Sterna hirundo pesca em alto mar. As outras cinco espécies do
Hemisfério Sul pescam nas lagoas costeiras. Dessas cinco, apenas duas nidificam no Rio
Grande do Sul, em locais no interior. A Sterna superciliaris (que é a menor delas,
do tamanho de uma pomba) faz seus ninhos em praias de água doce, como as da Lagoa Mirim.
No inverno ela se desloca para a praia, passando essa estação ali.
Já a Sterna trudeaui também indifica no Estado, mas não se sabe onde. As outras
três espécies nidificam mais ao Sul, em regiões do Uruguai e da Argentina, e também
aparecem nas praias gaúchas no inverno.
Enquanto as Sternas usam a praia para repouso, um outro grupo, o dos maçaricos de
praia, a utiliza para repouso e alimentação. Os maçaricos encontram sua alimentação
nos mariscos e crustáceos que obtêm na zona intermareal (entre as marés). Nesse grupo,
chamam atenção as batuíras ou foge-maré (porque ficam correndo na frente das ondas),
pela viagem épica que realizam.
Aves de pequeno porte, as batuíras são migrantes que nidificam no Hemisfério Norte, na
tundra ártica (no Canadá e Groenlândia). Elas fazem seus ninhos naquela região durante
o verão (de maio a junho no Hemisfério Norte), que é muito curto, e depois migram para
o outro lado da Terra. As batuíras-de-peito-vermelho fazem seus ninhos até 80 graus
norte, em um raio de até mil quilômetros do Pólo Norte.
Quando chega a época de migrarem, fazem longos vôos, em bandos, sem escalas, até o
Sudeste dos Estados Unidos, onde ficam cerca de duas semanas comendo, para se recuperarem.
Em seguida, partem para a Patagônia, onde passam o período quente do Hemisfério Sul (de
outubro a março). Em março começam sua viagem de volta, e é então que visitam o Rio
Grande.
Nesse mês aparecem em grande número na praia do Cassino e em outros pontos do litoral
gaúcho. Ficam aqui até o final de abril, quando voltam para a tundra. Esse período
coincide justamente com o pico de abundância de jovens crustáceos e mariscos dos quais
se alimentam. Nas praias gaúchas as batuíras-de-peito-vermelho trocam a chamada plumagem
de repouso sexual (predominantemente cinza) pela plumagem nupcial, que é bem mais
colorida, com o peito avermelhado.
Como as penas são predominantemente compostas de proteína, a alimentação é um fator
importante durante esse período de troca de plumagem. Depois que concluem a muda, as aves
têm também que se alimentar bem, para garantir a nova etapa da viagem que farão.
Acumulam então reservas de gordura subcutânea, principalmente nas regiões do peito e
barriga. Essa gordura chega a um terço do peso total da ave. No final de março pesam, em
média, 120 gramas. No final de abril, quando estão prontas para partir, atingem 180
gramas. Uma vez "reabastecidas", as aves levantam vôo em bandos, e se dirigem,
voando dia e noite sem parar, para a costa Sudeste dos Estados Unidos, onde realizarão
novo reabastecimento para ir para suas áreas de reprodução.
Como essas aves se orientam para realizar trajetos tão longos? Não existe uma resposta
definitiva, mas apenas hipóteses. Uma das mais prováveis é que têm a capacidade de
realizar a navegação celestial, isto é, de se guiarem pelos astros. Outra é a de que
poderiam sentir os campos magnéticos da Terra, utilizando-os como referência. Ou ainda
se cogita que poderiam sentir os graus de força de atração da Terra, determinando assim
a latitude.
Outra questão freqüentemente levantada é a de como as aves sabem que está na hora de
partir. Esse aspecto é essencial pois, nessa migração, há um cronograma que tem que
ser estreitamente obedecido: se chegarem cedo demais, a tundra estará gelada e morrerão
por não encontrar alimento. Se chegarem muito tarde, os filhotes não terão tempo de
crescer antes do retorno. Mas, ao contrário do problema da orientação, existe uma
resposta para esse aspecto. A determinação das épocas de iniciar viagem é feita pelo
fotoperíodo, isto é, pela observação das horas de luz do dia. Assim, quando o dia tem
determinada duração, as aves "sabem" que devem partir.
Informações gerais sobre o meio ambiente gaúcho:
Página inicial da área de ecologia
O
papel do Rio Grande na sinfonia da vida
Rio Grande, o ponto de encontro dos animais
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Página sobre a formação geológica do Estado
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