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Mata Atlântica
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MATA ATLÂNTICA
Visão Geral
(Contribuição do geólogo e
consultor ambiental Jorge Augusto da Silva)
(Continuação)
Essa diversidade, ao mesmo tempo em que representa uma excepcional riqueza de patrimônio
genético e paisagístico, torna a mata extremamente frágil. A destruição de parcelas
ainda que pequenas dessa floresta pode significar a perda irreversível de inúmeras
espécies, por vezes sequer estudadas pela ciência.
É por essa razão que 171 das 202 espécies de animais brasileiros considerados
ameaçados de extinção são originários da Mata Atlântica.
A ameaça também se dá ao patrimônio étnico e cultural do Brasil, ou seja, as
comunidades indígenas, caiçaras e roceiras que, por séculos, viveram em harmonia com o
meio ambiente, retirando da mata e seus ecossistemas associados, sem destruí-los, os
recursos básicos para sua vida. Patrimônio é composto de conhecimentos sobre a floresta
e seus ciclos, o valor de suas madeiras, fibras, folhas e frutos, a variedade de suas
plantas medicinais e um conjunto excepcional de ritos, mitos e manifestações artísticas
que corre risco de desaparecimento junto com essas comunidades, cada vez mais expulsas de
seus locais e restritas em suas atividades. Inclui-se ainda aqui todo um acervo cultural
representado pela diversificada gastronomia baseada em produtos nativos da região como a
mandioca, o milho, a batata doce, o cará, o pinhão e uma grande diversidade de frutas
como o cajú, a goiaba, o abacaxi, o maracujá, o mamão, a mangaba, a pitanga, o cajá,
os cambucás e a jaboticaba.
No sentido amplo do termo, a Mata Atlântica engloba um diversificado mosaico de
ecossistemas florestais com estruturas e composições florísticas bastante
diferenciadas, acompanhando a diversidade dos solos, relevos e características
climáticas da vasta região onde ocorre, tendo como elemento comum a exposição aos
ventos úmidos que sopram do oceano. No reverso das escarpas, em suas porções voltadas
para o interior, caracteriza-se como uma mata de planalto, resultante da existência de um
clima úmido mas com estacionalidade bem marcada.
No litoral, dentro do conjunto da Mata Atlântica, encontramos diversas formações
vegetais associadas a ambientes de sedimentação recente e ao ambiente de marés, como é
a área de preservação das dunas de Itapeva-Guarita, em Torres, última mata
remanescente perto do mar, pois o restante foi removido pelo avanço da especulação
imobiliária na ocupação do litoral gaúcho.
Assim, na Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, além de algumas paisagens em graus
diversificados de antropização, englobam-se variados habitats: Floresta Perenifólia
Higrófila Costeira(Torres) ou Floresta Ombrófila Densa (Serra Gaúcha). Caracterizadas
por sua fisionomia alta e densa, conseqüência da variedade de espécies pertencentes a
várias formas biológicas e estratos. A vegetação dos níveis inferiores vive em um
ambiente bastante sombrio e úmido, sempre dependente do estrato superior. O grande
número de lianas, epífitas, fetos arborescentes e palmeiras, dá a esta floresta um
caráter tipicamente tropical.
Segundo a Legislação ambiental que definiu os limites da Mata Atlântica no RS, ela
começa pelo Rio Mampituba em Torres, indo até Osório, onde sobe a Serra Geral,
incluindo toda a Serra Gaúcha e aí novamente, desce o Itaimbezinho até as nascentes do
Rio Mampituba. Ou seja, todo o Litoral Norte e Serra Gaúcha, estão dentro da chamada
Mata Atlântica.
Os ambientes do Litoral Norte são muito sensíveis, porque ainda estão em formação. A
natureza ainda não encerrou sua configuração . Dunas, restingas, banhados, lagoas,
campos e matas, não são assim por acaso. Estes ambientes formam corredores de vida
silvestre, com papel definido na harmonia da região. Como a gralha azul que planta o
pinhão na Serra, como os pássaros que comem as sementes da figueira e semeiam com sua
defecação, mudas de figueira em todo o Litoral Norte.
Esta paisagem foi se transformando com a chegada dos europeus, inicialmente portugueses e
depois os alemães e italianos. Mas ela foi mais degradada nos últimos 40 anos, com a
chegada dos veranistas, com loteamentos irregulares, supressão da vegetação original
criminosamente e hoje a grande quantidade de lixo e esgoto que contaminam as águas e o
mar, em alguns pontos de nossas praias.
Quando a natureza está em equilíbrio, todas as coisas também estão. Porém, quando se
retira as dunas frontais das praias, se deixa sem proteção cidades e construções
litorâneas. Quando se instala um loteamento num campo de dunas, as dunas soterram as
casas.
Alto da página
Diretrizes para a política de conservação e
desenvolvimento sustentável da Mata Atlântica - Ministério do Meio Ambiente, dos
Recursos Hídricos e da Amazônia Legal - íntegra do documento, em formato do Winword
(diretrizes.zip, com 148 kb)
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A lenta destruição da Mata Atlântica
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Banhado, ecossistema ameaçado pelo arroz
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