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Parque Estadual do Turvo
Criação, características, fauna, história
e muito mais
TAIM |
LAGOA DO PEIXE |
ARACURI | TURVO |
APARADOS | ESPINILHO |
MATA ATLÂNTICA
1.1.CRIAÇÃO
Estima-se que o Estado do Rio Grande do Sul, antes
da colonização, possuía 40% do seu território recoberto por florestas.
Estas florestas correspondiam a uma área aproximada de 9.800.000 ha e
ainda eram terras devolutas no final do século passado, tendo sido
utilizadas para o assentamento de imigrantes europeus. Preocupado com a
crescente devastação das florestas estaduais, o Poder Público
preocupou-se em proteger algumas áreas.
Em 1947, com base numa exposição de motivos
apresentada pela Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio, o
então interventor Federal, Cylon Rosa, decretou uma área de 17.637,05 ha
da Floresta Pluvial Subtropical do Alto Uruguai, como Reserva
Florestal Estadual do Turvo. Conforme o Decreto Número 2.312, de de
11 de março de 1947, a reserva foi criada com o objetivo de "proteger
a formação florestal e propiciar refúgio para espécies da fauna, sendo
proibido qualquer tipo de alienação, arrendamento ou ônus, bem como
exploração agrícola ou industrial".
1.2.TRANSFORMAÇÃO DA RESERVA FLORESTAL EM PARQUE
ESTADUAL.
Em 1954, por efeito da Lei Número 2.440, de 2 de
outubro de 1954, "todas as matas de domínio do Estado e com mais de 250
ha "foram transformadas em Parques Estaduais, excluindo-se apenas as
"áreas desflorestadas e transformadas em lotes rurais".
A Reserva Florestal Estadual do Turvo passou então
à categoria de Parque Florestal Estadual do
Turvo.
Nos Parques Estaduais ficaram "expressamente
proibidas a caça a pesca e o corte de essências nativas, abertura de
aceiros, desbastes periódicos e subdivisões da floresta em talhões".
2. LOCALIZAÇÃO
O Parque Estadual do Turvo localiza-se no Noroeste
do Estado do Rio Grande do Sul, na Região do Alto Uruguai, no município
de Derrubadas. Limita-se ao Norte com Santa Catarina e Argentina,
através do Rio Uruguai, à Oeste com o Rio Turvo, à Leste com o Rio
Parizinho e ao Sul com propriedades rurais.
3. CARACTERÍSTICAS FÍSICAS
A área do Parque Estadual do Turvo é de 17.491,40
ha, representando quase 50% da área total do município de Derrubadas e
0,065% da área do Estado. Está incluído no Planalto de Lavas Basálticas
da Bacia do Rio Paraná e apresenta altitudes que variam entre 100 e 400
metros com elevações de escarpas com grandes inclinações, e vales que se
abrem para oeste e para o norte, originando a rede de drenagem natural.
Além dos rios que fazem limites com o Parque, rios
Uruguai, Turvo e Parizinho, este é cortado, transversalmente, pelos
"lajeados" Mairosa e Calistro, que nascem fora da área do Parque e
recebem vários tributários menores, todos de grande importância na
formação da rede hidrográfica local. Existem ainda muitos arroios que
nascem nas elevações e deságuam diretamente no Rio Uruguai, bem como um
grande número de pequenas lagoas.
O solo é argiloso, pobre em quartzo, rico em ferro
e manganês, cor vermelho escuro, com pouca profundidade média, drenagem
rápida e muito suscetível à erosão.
O clima, conforme a classificação de Köppen,
corresponde a Subtropical Temperado Úmido, com nevoeiros freqüentes,
índices médios anuais de precipitação pluviométrica de até 1900mm anuais
e temperaturas com variação entre 6,6 e 37,4 graus centígrados, em
média.
4. CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS
4.1. VEGETAÇÃO
A área do Parque encontra-se coberta, em sua quase
totalidade, pela Floresta Subtropical Latifoliada ou Floresta
Latifoliada Decidual, também denominada "Mata
Subtropical do Alto Uruguai".
Além da Floresta, ocorrem outras formações
vegetais, em ambientes como: Banhados (em área de drenagem
insuficiente ou nascentes de rios); Campestres( áreas onde os
afloramentos de rochas basálticas impedem a formação de floresta,
predominando a vegetação herbácea); Lajedo (afloramento basáltico
à margem do Rio Uruguai, com vegetação herbácea e arbustiva, sujeito a
inundações periódicas) e Formações Antrópicas (pequenas áreas com
vassourais, capoeiras ou florestas secundárias, onde a floresta original
sofreu ação humana).
Em trabalho de pesquisa, realizado por Brack e
outros autores, publicado em 1985 , com o título, "Levantamento
Florístico do Parque Estadual do Turvo", foram encontradas, nessas
cinco diferentes formações, 772 espécies vegetais.
NA FLORESTA
Em levantamento florístico e fitossociológico dos
componentes arbóreo e arbustivo realizado por técnicos do DRNR em uma
área da floresta na estrada do Porto Garcia, foram amostrados 856
indivíduos, para aquela área:
88 espécies, 69 gêneros e 37 famílias;
Densidade de 546,5
árvores/há., no componente arbóreo, e 4499,25 indivíduos/há, no
componente arbustivo.
espécies arbóreas mais importantes
( índice de valor de importância IVI): Sorocea
bonplandii (cincho), Ocotea diospyrifolia (canela), Cabralea canjerana
(canjerana) e Tetrochidium rubrevinium (embirão).
espécies dominantes:
canela, embirão e Apuléia leiocarpa (grápia).
árvores mortas:
também demostraram-se importantes na floresta, com alto índice de valor
de importância (5ºlugar).
índice de espécies raras (espécies
com um só individuo amostrado), foi de 19,67% para o componente arbóreo
e de 33,3% para o arbustivo.
Quanto a distribuição vertical,
foram identificadas três estratos assim
caracterizados:
Um estrato arbóreo superior ou cobertura,
formado por árvores com alturas médias de 20m,
com indivíduos emergentes chegando a 30m, em sua maioria espécies
deciduais (que perdem as folhas no inverno), como a grápia, canjerana,
canafístola (Peltroporum dubium), cedro (Cedrela fissilis), louro (Cordia
trichotoma;
Um estrato arbóreo médio,
entre 10m e 20m de altura, denso e com muitas espécies perenifolias (que
não perdem as folhas), tais como: Syagrus romanzoffiana (gerivá), Styrax
leprosus (carne de vaca), Matayba elaeagnoides(camboatá branco), canela
dos gêneros Calyptrantes, Plinia, Eugenia, entre outros;
Um estrato arbóreo/arbustivo ou sub bosque,
formado por árvores arvoretas e arbustos,
caracteriza-se pela presença significativa de cincho, urtigão (Urera
baccifera), ingá marginata, pau de ervilha (trichilia elegans),laranjeira
do mato (Actinostemum concolor), são comuns os cipós, trepadeiras e as
epífitas, mas o sub bosque só se torna fechado nas clareiras, onde
crescem, principalmente, bambus.
Existem ainda, junto ao solo da floresta, um
estrato herbáceo, formado principalmente por ervas, rastejantes ou
eretas como as gramíneas e as compostas.
NOS CAMPESTRES
Com exceção dos períodos de chuva, os afloramentos
de rocha que caracterizam os campestres, impedindo a formação de
florestas, ficam quase totalmente recobertos por líquens, musgos e
ervas. Ente as ervas mais freqüentes encontra-se a petúnia e verbena.
Também são comuns várias espécies de bromeliáceas, cactáceas, compostas
e também de samambaias. Onde já existe formação de solo, ocorrem
arbustos e arvoretas como: cocão, quaresmeira, guamirim e também
espécies arbóreas como, açoita-cavalo, canela de veado, que neste
ambiente não ultrapassam a 4 ou 5 metros de altura.
NO LAJEDO
A formação rochosa às margens do Rio Uruguai, o
lajedo, apresenta poucas espécies adaptadas à condições extremas: nas
épocas de cheia quando o Rio transborda, e ficam meses expostas ao sol,
nas épocas de seca. São ervas como Stenandrium trinervi, bulbostylis
capillaris, Dickia brevifolia e também arbustos, como sarandi.
A espécie Dickia brevifolia, é uma bromeliácea de
folhas grossas, curtas, com pontas espinhentas, que precisa ser
protegida, pois só existem em poucos locais às margens do Rio Uruguai ,
correndo o risco de desaparecer. É uma espécie endêmica,
em extinção.
4.2.FAUNA
O Parque Estadual do Turvo representa hoje um dos
últimos refúgios, no Estado para espécies de grandes mamíferos como
onças-pintadas(Panthera onça) e antas(Tapirus terrestris).
Em levantamento realizado por técnicos da
Secretaria da Agricultura do Estado, desde 1977, foi encontrado no
Parque um total de 48 espécies de mamíferos, pertencentes a 20 famílias.
Entre os grandes mamíferos foram encontrados,
entre outros:
anta (Tapirus terrestris);
mão-pelada (Procyon cancrivorus);
bugio (Alouata fusca);
mico (Cebus apella);
porco- queixada (Tayassu pecari);
porco- cateto (Tayassu tajacu);
veado- pardo (Mazama americana);
veado- virá (Mazama guazoubira);
tamanduá- mirim (Tamanduá tectradactila);
cutia (Dasypoctra azarae)
5 espécies de felinos;
onça- parda (Felis concolor);
jaguatirica (Frlis pardalis);
gato- maracajá (Feliss wiedii);
gato- mourisco (Felis yagouaroundi);
onça- pintada (Panthera onça);
Entre os pequenos mamíferos podem ser citados:
morcego (Artibeus lituratus);
tapiti (Sylvilagos brasiliensiss);
serelepe (Sciurus sp);
tatu- galinha (Dasypus novemcinctus);
A área do parque é igualmente importante para a
preservação de muitas espécies de aves, sendo algumas raras e em via de
extinção, como:
jacutinga (Pipile jacutinga);
guaxe ou gralha- argentina (Cacicus haemorrhous);
uru (Odontophorus capueira);
pica- pau- rei (Phloeoceastes robustus);
araçari- banana (Baillonicus bailloni).
Albuquerque publicou em a1981, a "Lista preliminar
das aves observadas no Parque Estadual do Turvo", onde constam218
espécies de aves (39% das espécis de aves citadas para o Estado), sendo
que duas espécies estavam sendo citadas pela 1º vez para o Estado:
rola- azul (Claravis pretiosa) e siriri- social (Myrozetes similis).
São ainda citados para o Parque entre outros:
RÉPTEIS- lagarto (Tupinambis teguixim)
SERPENTES:
jararaca (Bothrops jararaca)
jararacussu (Bothrops jararacussu);
coral- verdadeira (Microrus sp);
cotiara (Bothrops cotiara);
ANFÍBIOS:
rã- chorona (Physalemus sp)
sapo- boi (Bufo crucifer);
sapo- ferreiro (Hyla faber).
É notável, também, a diversidade de borboletas e
de outros insetos, aranhas e microorganismos.
5.ASPECTOS PAISAGÍSTICOS
Além da beleza natural de todos os ambientes que
compõe o Parque, incluindo as várias quedas d’água de grande valor
paisagístico, este se notabiliza por conter em seus limites com a
Argentinas o Salto do Yucumã . Este Salto constitui-se em local de rara
beleza cênica, onde o Rio Uruguai descarrega todo o volume de suas águas
em uma fenda longitudinal com aproximadamente 1800metros de extensão,
com quedas de 12 à 15m de altura. O canal onde as águas se precipitam
possui uma largura média de 30m e uma profundidade estimada em torno de
90 à 120m. Visto da margem brasileira, mais baixa, o Salto apresenta-se
como um degrau basáltico, coberto por uma cortina de águas brancas e
ruidosas.
6.ASPECTOS HISTÓRICOS
Em 1974, quando foi criada a Reserva Florestal
Estadual do Turvo, a Região do Alto Uruguai era muito pouco habitada,
estando ainda recoberta por grandes extensões da floresta das bacias dos
Rios Uruguais e Paraná. A evolução da ocupação humana na Região
caracterizou-se, no início, pela busca do lucro rápido, proviniente do
extrativismo da madeira. Para tanto a floresta foi sendo explorada e
devastada.
Sem que houvesse a reposição das espécies nobres
abatidas, a floresta foi deixando de representar fonte de lucro e,
gradativamente, foi cedendo seu lugar para atividades agrícolas.Com o
passar do tempo a Região do Alto Uruguai transformou-se em Região
Celeiro do Estado e, nas últimas décadas, expandiram-se mais rapidamente
suas fronteiras agrícolas, com as monoculturas de soja e trigo.
Atualmente as plantações agrícolas substituíram a antiga floresta, dela
só restando diminutos e raros fragmentos entre as lavouras,
insuficientes para manter as inter-relações originais.
Neste contexto, o Parque Estadual do Turvo cresceu
em importância, pois representa hoje o único remanescente,
representativo e preservado, dos ecossistemas naturais da região.
Desde a sua criação como Reserva Florestal, esta
área sempre esteve sob a jurisdição da Secretaria da Agricultura. O seu
manejo, inicialmente, visou apenas a preservação, mantendo um serviço de
vigilância permanente. Graça a este, apesar da perda de área (146,1há),
ocorrida em 1965, foi mantida livre do introsamento e hoje está com sua
situação legal regular e definida, sem problemas fundiários.
Desde 1954, quando deixou de ser uma Reserva
Florestal e passou a categoria de manejo Parque , cumpre com seu
objetivo de oferecer local para visitação pública. Nesta época era
permitida a visitação em uma área de praia, nas margens do Rio Uruguai,
denominada Porto Garcia. Em 1983 a abertura de uma estrada com 14,8km de
extensão , ligando a periferia do Parque ao Salto do Yucumã, tornou
possível o acesso do público visitante a este local atrativo. Foi então
instalada uma área de visitação, com algumas churrasqueiras, mesas e
bancos rústicos, em uma clareira de 2há, aberta no final da estrada.
Na década de 70, foi também montada uma infra-
estrutura mínima para atender os objetivos de preservação, bem como de
pesquisa, com a construção da sede administrativa, de residências, de
postos de vigilância e de alojamento e com aquisição de equipamentos e
veículos. Nesta ocasião o Parque contava com 15 funcionários.
Em 1976, foi feito o mapeamento do Parque e em
1980 publicado o seu Plano de Manejo.
No final da década de 80, a prefeitura de Tenente
Portela, através do convênio com a Secretaria da Agricultura, melhorou a
infra- estrutura oferecida na área de vistação, construindo sanitários e
quiosques com churrasqueiras mesas e pias.
Em 1988, foi apresentado no Congresso Federal
Estadual de Nova Prata, RS, por Renata Bulhões, estagiária do
Departamento de Pesquisas, o trabalho "Levantamento da Situação atual do
Parque Florestal Estadual do Turvo e Sugestões ao Plano de Manejo".
Nesta análise concluiu haver falta de pessoal qualificado, tanto para a
fiscalização, como para o atendimento ao público, salários muito baixos,
residências e instalações precárias e sem manutenção, falta de
sinalização, inexistência de treinamento e de coordenação de pesquisa e
falta de um programa de interpretação para o visitante, com centro de
interpretação e trilhas.
Buscando mudar esta situação em 1994, a equipe
técnica da DUC- Divisão de Unidade de Conservação, responsável pela
administração do Parque, esteve revisando o Plano de Manejo como um todo
e elaborou um "Plano de Ação Emergencial para a Visitação no Parque
Florestal Estadual do Turvo". Este plano tem como objetivo básico
transformar o Parque num instrumento ativo no desenvolvimento da Região,
e também na recuperação de seu ambiente, hoje um exemplo de devastação e
desequilíbrio. Foi apresentado para a comunidade em 26 de abril do
corrente ano e poderá ser posto em prática através do convênio entre a
Secretaria da Agricultura e a prefeitura de Derrubadas.
7. USO PÚBLICO ATUAL
O uso público do parque Estadual do Turvo está
restrito, atualmente, à área do Salto do Yucumã. Esta área de visitação
compreende um local de recepção, junto ao pórtico de entrada; uma
estrada que atravessa o interior da floresta, ao longo de 14,8km; uma
área de recreação, com cerca de 2há, formada Por uma clareira no final
da estrada; um caminho com cerca de 600m de extensão que leva ao Rio
Uruguai, e uma larga extensão rochosa, o lajedo, entre a beira da
floresta e a margem do Rio, ao longo do Salto do Yucumã.
Fonte: Prefeitura Municipal de
Derrubadas
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