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ECONOMIA - VINHO




Trajetória do vinho no país

O vinho foi produzido pela primeira vez no Brasil por Brás Cubas, em 1551, no planalto de Piratininga (São Paulo). No entanto, a história da viticultura brasileira começa mesmo muito mais tarde, com a chegada dos imigrantes italianos, em 1875. Antes deles, o vinho já havia sido produzido em vários pontos do país e no Estado, mas seria através deles que se formaria a indústria de vinhos, e que o Rio Grande do Sul se tornaria o grande produtor nacional, com mais de 90% dos vinhos feitos no país.

Em 1626 o jesuíta Roque González de Santa Cruz plantou as primeiras videiras em solo gaúcho. Foi em São Nicolau, uma das reduções jesuíticas na fase anterior à criação dos Sete Povos das Missões. No entanto, com a destruição das reduções (ocorrida entre 1630 e 1636, por iniciativa dos bandeirantes), o cultivo de uvas e a produção de vinho foram interrompidos.

Mais de um século depois, em 1742, com a chegada dos açorianos e madeirenses que se fixaram em Rio Grande e Porto Alegre, foi retomada a produção de uva e vinho. Já em 1813, nas proximidades de Rio Pardo, o açoriano Manoel de Macedo Brum iniciou a produção comercial de uva e vinho e, em 1820, Saint Hilaire, ao fazer sua viagem pelo Rio Grande do Sul, comentava sobre os parreirais que encontrou. Poucos anos depois (1824), os colonos alemães trouxeram novas cepas de videiras européias, observadas com entusiasmo pelo viajante Arsene Isabelle, em 1834.

A mãe das videiras gaúchas, entretanto, chegaria ao Estado um pouco mais tarde. Em 1840, o comerciante Thomas Messinger plantou, na Ilha dos Marinheiros, em Rio Grande, alguns bacelos da videira americana Isabel, que lhe tinham sido enviados dos Estados Unidos por José Marques Lisboa. A Isabel, extremamente resistente a doenças e pragas, iria se espalhar rapidamente e, em 1860, já predominava em quase todos os vinhedos gaúchos -- onde, ainda atualmente, ocupa cerca parcela expressiva dos parreirais.

Mas a Isabel teria de esperar a chegada dos primeiros imigrantes italianos, em 1875, para "subir a serra". Os colonos trouxeram consigo mudas de videiras européias, para produzirem o vinho a que tanto estavam acostumados. Mas essas videiras foram aos poucos dizimadas por doenças causadas por fungos, o que fez com que os italianos fossem buscar, no vale do Rio Caí, na zona de colonização alemã, mudas de Isabel, que levaram para a Encosta Superior da Serra do Nordeste, onde ficavam as suas colônias.

Ali, começaram a produzir vinho, inicialmente para consumo próprio, e contaram com o incentivo do Governo do Estado, que em 1900 fundou em Porto Alegre a Estação Agronômica, que trouxe da Europa diversas castas viníferas, cujos bacelos foram distribuídos pela região de colonização italiana (Caxias, Bento Gonçalves e Garibaldi).

Em 1907, mais uma vez visando incentivar o cultivo da uva e a produção de vinho, o governo trouxe os enólogos Lourenço e Horácio Mônaco, formados na Itália e que trabalhavam na região de Mendoza, na Argentina, para realizarem a divulgação dos métodos mais modernos de cultivo e vinificação. Com eles, teria início a vitificação "científica" no país.

A partir da chegada dos irmãos Mônaco, surgiram várias empresas produtoras de vinhos, entre elas a Dreher e Salton, em 1910, e a Peterlongo, em 1913, as duas últimas ainda em operação, mas todas elas esbarravam em uma dificuldade: como escoar a produção? O transporte entre a região colonial e a capital era difícil e complicado, feito em barris de madeira transportados em lombos de burro.

Esse problema, entretanto, foi resolvido com a inauguração da estrada de ferro Caxias-Montenegro, em 1915, através da qual os vinhos eram encaminhados para Porto Alegre, de onde, pela Lagoa dos Patos e através do Porto de Rio Grande, poderiam ser despachados para o resto do país.

A partir de então, através de iniciativas governamentais (com a criação de Estações Experimentais de Viticultura e Laboratórios de Enologia) e do esforço privado (como a criação da Companhia Vinícola Rio Grandense, fundada em 1929, e que já em 1935 lançaria os primeiros varietais brasileiros) a vinicultura gaúcha cresceria cada vez mais.

A partir da década de 40, as vinícolas gaúchas realizariam algumas exportações esporádicas, como a feita pela Peterlongo, que em 1942, durante a Segunda Guerra, realizou vendas de champagne para o magazine americano Macy's, e a Aurora, que em 1958 vendeu dois milhões de litros para a França.

Ainda nesse ano, a Federação das Cooperativas de Vinho do Estado vendeu 15 milhões de litros para aquele país, que, além de ter tido uma safra pequena, enfrentava problemas no Norte da África, não podendo importar vinho de suas colônias lá localizadas.

Entretanto, o grande salto rumo ao mercado internacional seria dado já na década de 1980, quando empresas como a Aurora começaram a realizar um trabalho sistemático de penetração em mercados de outros países.

Outro marco da evolução da viticultura brasileira foi, na década de 1970, a implantação de empresas multinacionais no setor: a Martini & Rossi, Möet & Chandon, Maison Forestier, Heublein e Almadén, que, ao chegarem ao Estado, trouxeram processos de vinificação mais modernos, fazendo com que as demais empresas também procurassem se atualizar.

Além disto, a década de 1970 também se destacou por abrir uma nova fronteira para a vitivinicultura brasileira, com a instalação de vinhedos na região da fronteira, e o início da exploração das potencialidades da região do Vale do São Francisco.

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