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ECONOMIA - VINHO




Os italianos e o vinho

A suspensão do tráfico de escravos, em 1850, fez com que escasseasse a mão-de-obra no Brasil. Os escravos disponíveis foram progressivamente concentrados nas lavouras cafeeiras paulistas, agravando ainda mais o problema. Com isto, tornou-se necessário incentivar a imigração, substituindo a mão-de-obra servil pela livre, medida que foi incentivada pelo governo imperial, que montou toda uma estrutura, através de agentes de colonização, comissões para demarcações de terra etc., para atrair e assentar os imigrantes.

O Rio Grande do Sul, na segunda metade do século XIX, já havia recebido uma colonização bem-sucedida, feita, a partir de 1824, pelos alemães que se situaram, preponderantemente, na região do Vale do Rio Caí.

A colonização alemã, ao se expandir, seguira os vales dos rios da Depressão Central, interrompendo-se nas encostas inferiores da Serra Geral. Dali para a frente, estava uma região desabitada, coberta de florestas, que, atravessada a serra, iria se encontrar, ao norte, com os Campos de Cima da Serra. Essa região, de florestas sub-tropicais e muito acidentada, onde o governo contava com terras devolutas, seria destinada aos imigrantes italianos.

Mas por que italianos? Primeiramente, porque o governo brasileiro tinha interesse em imigrantes europeus, preocupadas que estavam as elites do país com o "branqueamento" da raça. Os europeus eram considerados mais trabalhadores, mais "civilizados" do que os nascidos no país. Em segundo lugar, havia a dificuldade em obter imigrantes em outros lugares, como a Prússia. A divulgação das condições adversas enfrentadas pelos primeiros colonos vindos para o Brasil e a preocupação com um possível despovoamento, fez com que aquele país chegasse a tomar medidas legais, em 1869, para restringir a imigração para o Brasil (rescrito de von Heydt).

Os italianos, por sua vez, atravessavam um período de crise econômica. As sucessivas guerras que tinham levado à unificação da Itália tinham também exaurido o país, a nascente indústria não absorvia a mão-de-obra existente, e a agricultura fazia-se de tal forma que, para o pequeno produtor, não restavam muitas opções além de manter-se em uma estreita faixa de mera sobrevivência: como não conhecia técnicas avançadas de produção, terminava por exeuri-la; se não era proprietário, plantava a meias, em terras arrendadas.

Foi, portanto, o medo da miséria, a necessidade de garantir a sua subsistência e a de seus filhos que levou o italiano a emigrar. O colono veio para ter sua terra, criar a família e alimentá-la. Seu objetivo era muito limitado, só o de sobrevivência digna, informam historiadores regionais.

A noção de que o imigrante italiano "vegnuo in Mérica per catare la cucagna" (veio para a América para fazer fortuna) é, portanto, mais literária do que real. O que esses cerca de 70.000 homens (número aproximado dos que vieram entre 1875 e 1914, período de maior fluxo) buscavam era pão e paz.

Essa paz, entretanto, não foi encontrada com facilidade. Não obstante a estrutura montada pelo governo, o colono teve que derrubar a mata, construir sua casa (de início, muitos usavam lençóis ou outros panos de improviso para fazerem suas barracas) e depender do pinhão - abundante na mata - para se alimentar. Costumava, também, caçar pássaros para complementar suas refeições (que, na Itália, eram extremamente carentes de proteínas, baseando-se sobretudo em cereais). As passarinhadas, atualmente tão condenadas, eram uma fonte importante de alimentos, como o era a pesca.

As primeiras colônias criadas (ainda em 1870) foram as de Dona Izabel e Conde D'Eu (situadas nos atuais municípios de Bento Gonçalves e Garibaldi). Com uma ocupação de início muito lenta, a partir de 1875, com a chegada mais maciça de imigrantes, foram sendo progressivamente ocupadas. Nesse mesmo ano, foi iniciado o povoamento de Colônia Caxias (no chamado Campo dos Bugres).

Além das terras, que deveriam pagar em um tempo pré-fixado de cinco anos, os colonos recebiam alguns instrumentos de trabalho e uma ajuda de alimentação, para se manterem nos primeiros tempos.

Todas as colônias eram organizadas da mesma forma. Eram divididas em léguas (cada légua um quadrilátero de 5.500 metros de lado) que eram divididas no sentido longitudinal por estradas (denominadas travessões). A partir do travessão, eram demarcados os lotes, com uma média de 32 lotes por travessão, e cerca de 132 lotes por légua. As áreas recebidas por cada família variavam, mas convencionou-se, na região, chamar de "uma colônia" a área de 24 hectares, e de "meia colônia" a de 12 hectares. O imigrante, uma vez de posse de sua colônia, deveria limpar o terreno, plantá-lo e começar sua "nova vida".

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