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ECONOMIA - VINHO




A religiosidade
dos italianos


Acostumados a pequenas propriedades e a uma vida comunitária intensa, os primeiros italianos estranharam muito as condições que encontraram nas colônias. Isolados, no meio do mato, procuraram recriar, o mais rápido possível, a vida que levavam na Itália.

Havia, para isto, um fator facilitador: a maioria era do norte da Itália, e quase todos eles falavam o dialeto vêneto, o que permitia que, vindos de que lugar fosse, pudessem se entender.

Para reconstruir seus hábitos comunitários, a primeira providência a ser tomada era construir uma igreja. Católicos fervorosos, estavam habituados a centrarem suas atividades sociais na igreja de suas vilas de origem, e, aqui, na impossibilidade de encontrar uma estrutura religiosa já montada, trataram de criar a sua. As famílias mais próximas se organizavam e construíam uma capela, que passaria a ser o núcleo básico da colonização italiana.

Com a capela construída, havia o problema de encontrar um sacerdote, o que, naquela época e região, era muito difícil. Nisto, também, os colonos iriam usar de sua "criatividade": criaram a figura do padre leigo, geralmente alguém que tinha sido sacristão na Itália, ou que era conhecido por sua religiosidade. Ele era o encarregado de conduzir as novenas, abençoar os doentes, batizar as crianças. Alguns, mais animados por sua condição "religiosa", chegavam a rezar missas.

A vida social girava toda em torno da capela. Ao seu lado surgia um campo de bocha, uma bodega (onde se jogava a "mora"). Também se faziam visitas aos colonos mais próximos, à noite, após o trabalho. Essas ocasiões, que na Itália serviam também para que as mulheres fiassem em conjunto, eram chamadas de "filó" (de "filare", fazer fio), e, nelas, os visitantes eram recebidos com pinhões cozidos ou pipocas.

Mas a grande ocasião de festa estava mesmo associada à capela. Era a "sagra", festa do santo padroeiro da capela, que era anunciada para a vizinhança, através de foguetes que eram disparados um dia antes de sua realização. Assim, os moradores das outras "linhas" (ou travessões) sabiam que haveria uma grande festa. Para ela, todos contribuíam, cedendo seu vinho, seu trigo, ou preparando os pratos típicos da cozinha italiana.

O ponto alto da festa era a "missa solene", realizada por volta das dez e meia da manhã. Como estavam acostumados, na Itália, aos corais religiosos, os italianos trataram de formar aqui os seus e os corais das capelas vizinhas eram convidados para cantar na sagra.

Depois da missa, fazia-se a procissão, em honra ao santo padroeiro, seguida de almoço comunitário e, à tarde, de jogos e diversões. Não se faziam bailes, que, em uma comunidade extremamente católica, eram considerados "licenciosos".

Contrastando com a fartura presente nas safras, a vida do dia-a-dia do colono era parca. Como a família era a base da produção, as crianças tinham de trabalhar muito cedo - situação que, no interior, se mantém até hoje. O estudo não era valorizado, pois "não ganhava o pão". Pão esse que era escasso, pois a alimentação cotidiana era extremamente modesta, baseada na polenta, salame e pão. Apenas nos dias de festa é que se faziam os "galetos al primo canto, gnochis, cappeletti", que atualmente são deifnidos como comida típica italiana.

A comida era feita em uma cozinha separada da casa, por medida de segurança. Se houvesse incêndio, a casa estava a salvo. Além das massas, os italianos trouxeram, como acompanhamento principal das refeições, o vinho, que fabricavam nos porões de suas casas, onde também guardavam alimentos perecíveis (salame, banha de porco, vinagre etc.).

Com a mesma presteza com que construíram suas igrejas, trataram de plantar seus parreirais e, atualmente, muitas das primeiras parreiras plantadas ainda estão de pé, como na linha Leopoldina, em Bento Gonçalves, onde é possível encontrar parreiras que têm mais de 110 anos, e que - pelo menos até recentemente - continuam produzindo.

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