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Gramado: Roteiros coloniais em Gramado

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Ônibus turismo - Foto: Prefeitura de Gramado
 
Page Views: 1864
Publicação: 12/09/2007
Atualização: 12/09/2007


A Secretaria de Turismo de Gramado, em parceria com empresas da região, implantou três linhas de ônibus turístico para percorrer cada um dos roteiros de agroturismo do município. Destacando a cultura e a preservação ambiental, o agroturismo tornou-se uma atividade auto-sustentável e uma fonte extra de renda para as famílias do interior. “Além dos ônibus, as empresas oferecem o passeio em vans que partem do centro da cidade levando os turistas ao interior e proporcionando um grande desenvolvimento e movimentação dos roteiros”, afirma o secretário de Turismo, Alemir Klüsener Coletto. Os ônibus são raridades dos anos 50 e decorados com malas antigas. Eles partem diariamente da Praça das Comunicações, de fronte a Casa do Colono e o passeio cultural que inclui degustação, custa R$ 40 por pessoa. A iniciativa envolve a Secretaria de Turismo e Cultura e a empresa Fly Bus. Escolha o seu roteiro e divirta-se. Informações pelo telefone (54) 3036 0389.

Raízes Coloniais – percorre as localidades da Linha Bonita e Linha Nova, onde o turista visita uma casa construída pelos primeiros imigrantes há mais de cem anos, um museu caseiro com peças da imigração italiana, um moinho, uma fábrica artesanal de erva-mate e uma propriedade típica colonial, na qual o visitante é convidado a degustar vinhos, pães, queijos e salames caseiros.

Mergulho no Vale – uma das mais belas paisagens de Gramado é o Vale do Quilombo, que pode ser visto de um mirante próximo ao centro da cidade. No entanto, seu interior esconde cascatas e paisagens naturais mais belas ainda que podem ser conferidas em uma visita pelas propriedades locais. O contato com a natureza e os mistérios deste vale completam a aventura.

O Quatrilho - Vales e riachos compõem o cenário das localidades de Campestre do Tigre e Tapera, onde viveram os protagonistas do romance O Quatrilho, de José Clemente Pozenato. Em uma propriedade de família alemã pode-se conhecer e saborear um típico café colonial alemão (Typisches Kaffee) preparado com cucas, geléias, pães e lingüiças.

 

História de uma terra e seu povo

A hospitalidade de Gramado está intimamente ligada a sua história. A área onde hoje está a cidade servia de passagem para tropeiros que tocavam o gado pelos campos de cima da Serra, no fim do século XIX. Quando chegavam ao topo da Serra, tanto tropeiros quanto imigrantes encontravam um pequeno campo de grama macia e verde que servia de repouso e revigorava suas forças. Este gramado, segundo alguns, foi responsável pelo batismo da cidade. Para outros, a origem do nome da cidade está em outra história: quando se desejava ir a Serra Grande (na época um dos principais acessos do Vale dos Sinos a serra), devia-se tomar extremo cuidado para não perder o momento de dobrar a esquerda em uma das curvas onde se erguia um imenso carrapicho, perto do qual corria um riacho.

A grama que ali crescia era muito suculenta, verde escura e com folhas largas. Na boca do povo este lugar era chamado de Gramado. Em 1875 registra-se a presença dos primeiros imigrantes na região: os lusos José Manuel Correa (Juca Lajeano) e Tristão José Francisco de Oliveira. Cinco anos mais tarde está registrada a chegada dos primeiros imigrantes alemães, João José Rath e Henrique Wasen, que elaboraram o primeiro mapa da região. Da região de Caxias do Sul vieram os primeiros imigrantes italianos. Ao mesmo tempo em que desenvolveu as tradições culturais dos descendentes europeus, a cidade também evoluiu misturando-se aos aspectos do gauchismo. O resultado pode ser encontrado ainda hoje na culinária variada e na arquitetura do município.

Roteiro Raízes Coloniais atrai pela originalidade e hospitalidade

Um passeio cultural pelas origens da imigração italiana e seu encontro com as tradições do gaúcho. Esta é apenas uma das definições que servem para descrever o roteiro Raízes Coloniais de Gramado. Em meio a um imenso vale de araucárias verdes e plantações de hortifrutigranjeiros, a visita tem encantado centenas de turistas a cada semana. “Aqui as pessoas ficam encantadas pois sentem que estão conhecendo, de maneira original, a verdadeira história de Gramado”, afirma Judite Motin, guia da maior empresa de turismo do Brasil, a CVC que faz este roteiro há aproximadamente um ano. É no animado ônibus comandado pela Judite que nós embarcamos.

Há pouco mais de 4 Km do centro de Gramado, na localidade de Linha Bonita, nossa primeira parada: Casa Centenária. A propriedade da família Ferrari ainda hoje é ocupada pela matriarca Elizabeta. E é ela quem recepciona cada um dos visitantes. Além de fotografar a residência de madeira construída pelas mãos dos imigrantes, é possível visitar seu interior ainda bem conservado. “Esse lugar é encantador. O contato com a natureza e a receptividade de pessoas como a Dona Elizabeta Ferrari já valem o passeio”, diz eufórico Rosalvo Ribeiro Mendes, que visita Gramado ao lado de sua esposa, Schilene. Seguindo mais um quilômetro pela estrada da Linha Bonita, o ônibus faz a sua mais longa parada.

Estamos no núcleo central desta comunidade eminentemente rural do interior de Gramado. A bela igrejinha de São Pedro Claver ergue-se ao lado de um antigo moinho. E é por ali, na frente deste moinho, que os turistas são convidados por Nélson Cavichion a conhecer o processo artesanal de fabricação da farinha de milho. Em seu interior, Cavichion apresenta equipamentos quase seculares ainda hoje em funcionamento.

Desde o processo de debulhar o milho até a sua transformação em farinha. O destaque é o equipamento chamado carinhosamente de Carla Perez. É um moedor e triturador dos grãos de milho que, em funcionamento, chacoalha em movimento circular como se estivesse rebolando. Na saída é possível comprar a farinha recém moída. De acordo com os números da agência Turistur, que opera em parceria com a CVC, em um ano de operação do passeio Raízes Coloniais, 25 mil pessoas já visitaram a localidade. Caminhando pela estradinha de terra que passa pela frente da igreja, chegamos a Ervateria Artesanal de Gramado. Ali, o visitante é convidado a fazer um passeio pela história do chimarrão e conhecer cada passo de sua fabricação artesanal.

Para os turistas dos estados do centro do Brasil, é um momento de descobrir os encantos e os segredos do chimarrão. “É algo tão autêntico que parece que estamos visitando a casa de um amigo ou vizinho”, afirma Judete Borba, promotora de Justiça que veio de Recife-PE para conhecer Gramado e vai voltar levando uma cuia, uma bomba e um quilo de erva mate artesanal. De volta ao ônibus, a excursão nem tem tempo de embarcar já é hora de uma nova visita. Desta vez ao museu do Sr. Nélson Fioezze. Ali nos deparamos com objetos do início do século. Alguns usados outros trazidos pelos primeiros imigrantes italianos que chegaram ao município, vindos de Caxias do Sul. Seu Nélson agrada a todos com suas piadas e seu jeito caboclo de ser.

Alguns minutos adiante chega-se ao último e mais esperado momento do roteiro raízes Coloniais: uma típica merenda italiana servida pela família de Dona Zulmira. Recebidos ao som de América, América, América..., somos levados de volta ao início do século passado. Salame produzido pela família, queijo colonial, sucos de uva, bolo de cenoura, cucas e o delicioso pão caseiro feito no forno a lenha pela própria D. Zulmira. De volta ao centro de Gramado, a alegria e a satisfação estão estampadas no rosto de cada um dos visitantes que levam, além das lembranças, a certeza de terem conhecido algo diferente de tudo aquilo que estão acostumados.



Fonte:
Fotos Adicionais

Ônibus turismo - Foto: Prefeitura de Gramado
 



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