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Portugueses
Milicianos receberam terras como
pagamento
Dentro da origem portuguesa do Rio Grande, uma outra corrente, além de lagunenses e
açorianos, não pode ser esquecida. Trata-se dos milicianos que, atraídos pelo soldo e
pela perspectiva de receber terras ao final do período de engajamento, vinham para cá
como membros das tropas portuguesas. Eram, em sua maioria, originários das capitanias de
São Paulo e Minas Gerais, e através das sesmarias que lhes foram concedidas, ocuparam
uma fatia significativa do Rio Grande.
Para responder à pressão espanhola, que cresceu a partir da invasão de 1763, foram
concedidas, a militares, terras nas regiões mais ameaçadas. Com isto o povoamento
voltou-se para o sul, indo até Camaquã; para o sudeste (seguindo os vales do Camaquã
Mirim e do Piratini) e para o oeste a partir de São Sepé, pelos vales dos rios
Vacacaí-Cacequi e Santa Bárbara.
É dessa época que data a fundação de várias pequenas vilas, que serviam de centros
administrativos e religiosos de apoio aos moradores das sesmarias: Pelotas (a partir de
1780 começou seu povoamento); Encruzilhada (1770); Erval (que surgiu ao redor de um
acampamento militar, em 1791); Caçapava e Canguçu (em 1880).
Esses povoados e as sesmarias que os cercavam, garantiram a presença portuguesa ao sul do
Jacuí. A bacia do Vacacaí também foi ocupada de 1790 (ano da fundação de São
Gabriel) a 1794 (quando se fundou São Sepé). O mesmo aconteceu com a Depressão Central,
onde, em 1727, havia sido estabelecido um acampamento militar que deu origem a Santa
Maria.
Já a região das Missões foi conquistada em 1801, mas permaneceu com uma densidade de
ocupação muito baixa: uma área com cerca de 10 mil quilômetros quadrados até o rio
Ibicuí, foi concedida a apenas 14 donatários - entre os quais, naturalmente, estavam os
conquistadores da região. Também foi através de milicianos que receberam sesmarias que
se ocupou a zona da fronteira, com cidades surgindo a partir de acampamentos e
fortificações. É o caso de Bagé, São Gabriel, Alegrete e Livramento.
Essas ocupações de milicianos tiveram sucesso onde a colonização de pequenas
propriedades com açorianos não teve. Pois a estância, comandada por um militar ou
ex-militar e razoavelmente auto-suficiente, tinha condições de resistir aos ataques que
porventura sofresse.
Já a pequena propriedade açoriana estava totalmente exposta, e não tinha como garantir
a defesa do solo. Entretanto, não se pode minimizar a importância da colonização
açoriana. Pois foi deles, dos milicianos de Minas e São Paulo e dos lagunenses, que se
formaria a corrente luso-brasileira do sangue gaúcho que, mais tarde, se misturaria a
muitas outras.
SEGUE
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Colonização
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