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Alemães
O começo da colonização maciça do Rio
Grande
A primeira colonização maciça, após a tentativa feita com os açorianos, ainda no
século XVIII, aconteceria, no Rio Grande do Sul, a partir de 1824, quando começaram a
chegar os colonos alemães. Nos primeiros cinquenta anos de imigração foram introduzidos
entre 20 e 28 mil alemães no Rio Grande, a quase totalidade deles destinados à
colonização agrícola.
Essa primeira grande colonização alteraria a ocupação de espaços, levando gente para
áreas até então desprezadas. Introduziria também outras grandes modificações. Até
então, a classe média brasileira era insignificante, e se concentrava nas cidades. Os
colonos alemães iriam formar uma classe de pequenos proprietários e artesãos livres, em
uma sociedade dividida entre senhores e escravos.
A história da imigração alemã para o Brasil começou em 1822, quando o major Jorge
Antonio Schaffer foi enviado por Dom Pedro para a corte de Viena e demais cortes alemãs,
com o objetivo declarado de angariar colonos, e o não declarado de conseguir soldados
para o Corpo de Estrangeiros situado no Rio de Janeiro. O segundo objetivo era,
inicialmente, mais importante que o primeiro, pois tinha a finalidade de garantir a
independência brasileira, ameaçada pelas tropas portuguesas que continuavam na Bahia
após a declaração, e pela recusa de Portugal em reconhecer o Brasil como estado
independente.
Mas a intenção de obter soldados estrangeiros não podia ser revelada nas cortes
européias, porque nenhum país do antigo continente concordaria com isto. Após a
experiência com Napoleão, a Europa desconfiava de qualquer um que pudesse ser tomado
como aventureiro ou golpista. E Portugal procurava justamente fazer com que Dom Pedro
fosse visto como o líder de uma rebelião.
Por isto, o trabalho de Schaffer foi dificultado. Usando a alegação de convocar colonos,
em seus primeiros anos de trabalho von Schaffer convocou principalmente soldados - e uns
poucos colonos. Porém, à medida em que o Império brasileiro foi se estabilizando,
Schaffer passou, efetivamente, a se preocupar em enviar colonos. Para isto, anunciava aos
interessados que, aqui no Brasil, receberiam 50 hectares de terra com vacas, bois e
cavalos; auxílio de um franco por pessoa no primeiro ano e de cinquenta cêntimos no
segundo; isenção de impostos e serviços nos primeiros dez anos; liberação do serviço
militar; nacionalização imediata e liberdade de culto.
Daquilo que foi oferecido, ao menos a primeira promessa superou as expectativas: ao invés
de 50, os colonos receberam (no início) 77 hectares. Os dois últimos itens não poderiam
ser cumpridos, porque contrariavam a constituição brasileira. Dos outros itens, alguns
também não foram cumpridos integralmente. Mas o que interessava realmente aos colonos
era a posse da terra, e isto, ao menos, obtiveram, se bem que à custa de grandes
sacrifícios.
SEGUE
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Colonização
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