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Judeus
As três correntes de Porto Alegre
Com o fim da colonização rural, iniciou-se uma outra etapa do processo de
imigração judaica. Nessa segunda fase, predominou a imigração diretamente para
cidades, em especial Porto Alegre, sempre fugindo de situações adversas em seus países
de origem.
Historicamente, essa etapa iniciou-se antes da rural - no final do século passado alguns
imigrantes alsacianos vieram para Porto Alegre, Rio Grande e Pelotas. Mas é a partir da
década de vinte que se acentua a imigração, e na década de trinta toma força o
processo.
Em 1910 foi fundada a mais antiga sinagoga ainda em funcionamento no estado, a da União
Israelita Porto-Alegrense. Em 1917, criou-se uma segunda instituição, o Centro
Israelita. No início da década de vinte, foi a vez dos judeus sefaraditas fundarem o
Centro Hebraico Rio Grandense. Os sefaraditas - ou sefaradins - haviam começado a chegar
a Porto Alegre já no início do século.
Eles pertencem a um dos dois principais ramos do judaismo. São judens de origem espanhola
que, após a grande expulsão de 1492, se dirigiram para Turquia, Grécia e países do
norte da África. Falam o ladino, um espanhol arcaico, do tempo de Cervantes, e seus ritos
apresentam pequenas diferenças em relação ao outro grande ramo, o dos asquenazim. A
denominação de sefaraditas vem de Sefarad, termo que significa Espanha.
Já os asquenazim são de origem germano-eslava, e usam o ídiche (dialeto de origem
germânica). Asquenazim vem de Asquenaz, descendente de Noé, e quer dizer germano. Além
das diferenças de origem houve, em Porto Alegre, uma diferença "geográfica"
entre os dois grupos. Os sefaradim, em sua maioria, se estabeleceram com casas de
comércio (especialmente tecidos) no centro da cidade, área em que também residiam.
Durante a década de 30 predominou a imigração de um outro grupo, os judeus poloneses.
Eram quase todos eles artesãos - alfaiates, marceneiros etc. - e concentravam-se na zona
do Bom Fim. Fundaram, eles também, a sua associação, a Poilisher Farband (literalmente
associação dos poloneses), que tinha o objetivo de prestar assistência e apoio aos que
iam chegando. Essa imigração se interrompeu com a eclosão da Segunda Guerra, sendo
retomada no pós-guerra, quando alguns sobreviventes do morticínio vieram para Porto
Alegre.
Também na década de 30 - a partir de 1933, quando Hitler assumiu o poder na Alemanha -
começaram a vir os judeus alemães. Entre eles estavam vários intelectuais e
profissionais liberais, que fugiam de seu país preocupados com a escalada nazista. No
esforço para encontrar trabalho e criar um espaço para conviverem, os alemães fundaram
em 1936 a Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência (Sibra).
Essas associações todas atendiam a objetivos religiosos e também a outros muito
práticos. Procuravam permitir, ao recém-chegado, a oportunidade de se instalar
condignamente em seu novo país. Para isto, foram criadas instituições como as caixas de
empréstimo (Laispar-Casse), que forneciam recursos para seus associados. Muitos desses
"bancos informais" funcionavam em um dia específico da semana.
É o caso do Poilisher Farband, cuja Laispar-Casse funcionava nas quartas-feiras à noite,
e onde o associado poderia receber um empréstimo de 400 mil réis, para ser pago em dez
semanas sem juros. A mesma instituiçãso mantinha também a Kranken-Casse (Caixa dos
Doentes), cujo funcionamento dá idéia do alto grau de necessidade dos imigrantes. Além
de subsidiar consultas médicas, emprestava objetos como termômetros, seringas e agulhas
para seus associados.
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