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As Comunicações no
RS
Peças históricas
Acervo da CRT preserva velhos
telefones
Pé de ferro foi
um dos primeiros modelos usados no Estado
Castiçal era telefone dos xerifes
Modelos antigos eram mais decorados
O telefone de JK
Telefones de campanha
Poste lembra antigas linhas
Acervo
da CRT preserva velhos telefones
Em duas salas, no Centro de Treinamento da CRT (Companhia Rio-Grandense de
Telecomunicações), em Porto Alegre, eles se mantêm em silêncio. "Pé de
Chumbo", "JK", "Carmem Miranda", "do Xerife" e seus
companheiros já falaram muito, e conheceram muitas histórias. Agora, eles próprios,
cansados de transmitir mensagens, são a história. E, como avós aposentados à espera
dos netos, esperam quem os visita para contarem as muitas histórias da telefonia no Rio
Grande do Sul.
Esses senhores respeitáveis são os telefones que foram usados no Rio Grande do Sul, e
que fazem parte do acervo montado pelo "Projeto Memória das
Telecomunicações", embrião do Museu da CRT. Junto com documentos, aparelhos
técnicos, fotos e diversos objetos, eles fazem parte de um acervo que vem sendo juntado,
pacientemente, ao longo dos últimos anos
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Pé
de Ferro foi um dos primeiros modelos usados no Estado
O "Pé de Ferro" fabricado pela Ericsson, em Estocolmo, é considerado o
aparelho mais raro do acervo da CRT. Esse modelo, de 1892, foi, com certeza, utilizado no
Rio Grande do Sul. É um aparelho de magneto, que tinha uma bateria própria. Para fazer a
ligação, não se usava um disco ou um teclado, como nos aparelhos atuais. Havia uma
manivela, que o usuário girava. Essa manivela fazia soar um sinal na mesa da telefonista.
Ela atendia, perguntava com quem se queria falar e fazia a ligação.
O acervo da CRT conta com dois aparelhos desse modelo. A grande novidade que trazia foi o
fato de reunir, em uma só peça, o transmissor e o receptor. Anteriormente, essas eram
peças separadas. O aparelho recebeu esse nome por ter uma base de ferro.
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Castiçal
era telefone dos xerifes
Presença destacada nos filmes de gangsters ou de cowboys, os aparelhos do modelo
"castiçal" são um dos pontos altos da coleção da CRT. O aparelho castiçal
recebeu esse nome, justamente, por sua semelhança com um castiçal. É um aparelho longo,
que era fabricado no início do século, que tinha o receptor e o transmissor separados.
Como o telefone era muito usado na época dos filmes de cowboys, o telefone também ficou
conhecido como "telefone do xerife". Sua campainha e magneto estão em uma peça
separada do resto do telefone.
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Modelos
antigos eram mais decorados
Os primeiros modelos de telefone tinham o transmissor e o receptor separados. Muitos deles
eram modelos de parede, como o Kellogg, fabricado em 1901 nos Estados Unidos. Esse
aparelho tinha o bocal ajustável à altura da pessoa que estava usando o telefone.
Uma características dos modelos mais antigos é a de serem mais trabalhados. É o caso do
modelo fabricado pela Berliner, na Alemanha, em 1892, que tem vários detalhes entalhados
em sua caixa.
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O telefone de JK
O Ericofon, modelo de telefone fabricado em 1956, trouxe linhas inovadoras. Seu disco
ficava localizado na base, e o telefone todo era constituído de uma peça única. Mas, no
Brasil, o Ericofon ficou mais conhecido por sua associação a um presidente do que por
sua concepção revolucionária.
Diz-se que, ao ver o Ericofon, o presidente Juscelino Kubitschek (JK) que dirigiu o país
de 1956 a 1961, e que construiu Brasília, ficou encantado com suas formas que,
acreditava, lembravam as dos projetos arquitetônicos da nova capital. JK teria gostado
tanto do telefone que determinou que fosse o modelo adotado nos órgãos públicos
federais. Embora não se tenha a confirmação da veracidade dessa história, o que se
sabe é que o modelo, de fato, ficou conhecido, no Brasil, como JK.
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Telefones de campanha
O telefone usado pelos pracinhas brasileiros, durante a Segunda Guerra Mundial, também
está no acervo da CRT. O modelo, de 1939, foi usado pela Força Expedicionária
Brasileira na Itália, e faz parte do grupo de telefones militares de campanha do acervo.
São telefones portáteis, com bateria própria, que os militares transportavam pendurados
no ombro, dentro de caixas. Entre eles está, também, um modelo com caixa de madeira,
igualmente da década de 30.
Outra curiosidade são os telefones de navio, usados para comunicação interna em
embarcações. Um dos modelos, da década de quarenta, é todo feito em antimônio, para
evitar a ferrugem.
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Poste lembra
antigas linhas
As primeira linhas telefônicas eram de cobre, sem nenhuma proteção externa. Para
conduzi-las, eram usados postes com cruzetas e peças de porcelana ou vidro. E, embora
esse sistema já tenha sido abandonado há muito tempo, um desses postes ainda está de
pé, em Porto Alegre.
Ele está na esquina da avenida Osvaldo Aranha com a rua José Bonifácio, em frente à
Capela dedicada ao Espírito Santo. O poste, que atualmente não conduz mais nenhuma linha
telefônica, foi catalogado pelo Projeto "História das Telecomunicações", da
CRT.
Esse poste, manufaturado pela Siemmens Brother, era utilizado originalmente para
a condução da linha telegráfica da Empresa de Correios e Telegráfos ( ECT ),
conforme relata ao RS VIRTUAL o geógrafo Marcus Vinícius Albrecht Anversa, do
MCT/Observatório Nacional. Por ele passavam as linhas troncos do Norte e Centro
do Estado e de Viamão, que se encontravam na esquina da Av. Protásio Alves com a
Av. Lucas de Oliveira. Estes dois troncos, por sua vez, se encontravam com o que
vinha do Sul do Estado na altura da Rua João Alfredo. Daí, o
posteamento
telegráfico com todos os troncos se dirigia à Agencia Central dos Correios e
Telégrafos, na Praça da Alfândega, descendo pela Rua Caldas Júnior. A CRT, na
década de 1970, aproveitou o referido poste telegráfico para colocar uma fiação
telefônica secundária em isolador lateral, acrescenta Marcus Vinícius.
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