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Deodoro da Fonseca fez a primeira ligação em Porto Alegre
Primeira lista telefônica saiu no jornal
Telefonistas podiam ouvir tudo
O telefone preto
Do preto ao colorido



Deodoro da Fonseca fez a primeira ligação em Porto Alegre

A primeira ligação telefônica de Porto Alegre foi feita do local onde atualmente funciona a Biblioteca Pública Estadual. E quem disse o primeiro "alô" no Rio Grande do Sul foi uma figura muito importante da história brasileira: o general Deodoro da Fonseca. E quem recebeu essa ligação? Não se sabe ao certo. Sabe-se que, conforme as notícias da época, foi um jornal, pois o general (mais tarde marechal) ligou para os "periódicos locais". Mas exatamente qual foi o primeiro para que ligou, não se sabe, embora se possa suspeitar que tenha sido o jornal de caráter governista "A Federação".

No dia 15 de setembro de 1886, em cerimônia cercada de toda a pompa e circunstância possível, o general Deodoro da Fonseca, que mais tarde iria proclamar a República e que na época era comandante do Exército do Sul e ocupava a presidência da então Província do Rio Grande do Sul, disse o primeiro "alô" em um aparelho telefônico.

A ligação foi feita a partir da sede da Companhia Telefônica, que estava situada no local da atual Biblioteca Pública, na esquina da rua Riachuelo com a General Câmara. Diante dos convidados, o superintendente geral da empresa convidou o general a fazer a inauguração. Deodoro, segundo o relato de "A Federação", "fallando ao apparelho, saudou as redacções das folhas da localidade". E "A Federação respondeu a S. Ex.", cumprimentando-o e à Companhia Telefônica pela inauguração da linha telefônica da capital. A seguir, foram feitas várias ligações para as casas que já tinham telefones que, naquele momento, eram doze, embora já existissem mais de 70 assinantes. Isso mostra que a demanda reprimida por telefones no Rio Grande do Sul é também um fato histórico - começou já nos primórdios das comunicações gaúchas.

Porto Alegre foi a sexta cidade brasileira a contar com telefone. Antes dela, foram instaladas linhas no Rio de Janeiro, Petrópolis, Niterói, São Paulo e Santos.
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Primeira lista telefônica saiu no jornal

A primeira lista telefônica de Porto Alegre de que se tem notícia foi publicada no jornal. E não trazia o número de telefone dos assinantes, mas apenas o nome.

Essa lista foi publicada no dia 16 de setembro de 1886, na segunda página do jornal "A Federação". Nela, a "Companhia União Telephonica do Brazil, funccionando na côrte, Nictheroy, Petropolis, S. Paulo e Santos", comunicava sua instalação em Porto Alegre e o início dos seus trabalhos, convidava o público a visitar o seu escritório a qualquer hora, durante o dia, e dava a lista dos primeiros assinantes da companhia.

Eram, no total, 72 assinantes, com o predomínio de firmas comerciais, médicos e figuras importantes da sociedade local. A relação inclui um grande número de figuras que, atualmente, são nomes de ruas em Porto Alegre e outras cidades gaúchas. Constam da lista nomes como Mostardeiro, Chaves Barcellos, Ernesto da Fontoura, Ramiro Barcellos. Constam, também, tradicionais nomes do comércio gaúcho, três jornais (Conservador, Jornal do Comércio e Federação), a Câmara Municipal, a Presidência da Província e a Tesouraria da Fazenda (correspondente à atual Secretaria da Fazenda).

Ao contrário do sistema atual, os telefones de então não eram cobrados por tempo de ligação ou taxa mensal de manutenção. Havia uma "assinatura" anual ou trimestral, que era paga antecipadamente.

Ao final da lista publicada na Federação é informado o valor dessa assinatura: 120 mil réis anuais ou 33 mil trimestrais. Esse era um valor bastante elevado para a época, pois 120 mil réis correspondiam ao salário de um funcionário público de nível médio.

Mas a primeira lista telefônica que se encontra no acervo da CRT é de 1912. É uma lista pequena, com dois mil assinantes, organizada em ordem alfabética e sem classificados.
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Telefonistas podiam ouvir tudo

As primeiras telefonistas tinham que não só ser muito hábeis com as mãos, para passarem o tempo todo ligando e desligando cabos. Tinham, também, que ser extremamente discretas, pois eram, provavelmente, as únicas pessoas que podiam conhecer toda a vida da população.

No início da telefonia, as telefonistas é que faziam a ligação entre os assinantes que quisessem conversar. A pessoa chamava a telefonista, informava com quem queria falar e, através dos cabos da mesa, a telefonista ligava um telefone ao outro. Como ela não sabia quando a conversa estava encerrada, entrava periodicamente na linha, para ver se as pessoas ainda estavam falando. Com isso, se quisesse, podia saber da vida de todos.

No acervo da CRT está uma dessas mesas telefônicas antigas, datada de 1895, que foi usada na cidade de Itaqui. Existem, inclusive, fotos que mostram que, já na década de 1940, essa mesa continuava em uso naquela cidade.

A mesa, da marca Ericsson, tem capacidade para cem assinantes. Isto não significa, entretanto, que fosse possível interligar esses cem assinantes entre si ao mesmo tempo, fazendo 50 ligações simultâneas. A mesa tem oito circuitos, o que mostra que eram possíveis apenas oito ligações por vez.
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O telefone preto

Os telefones automáticos, que permitiam que o usuário ligasse diretamente, sem pedir à telefonista que fizesse a ligação, chegaram a Porto Alegre em 1922, quando foi instalada a primeira central automática — que foi, também, a primeira do país.

O primeiro modelo automático a ser usado em Porto Alegre foi da Siemens. Era um telefone preto, de caixa de ferro, com cordão de pano. Os cordões plásticos espiralados só iriam surgir bem mais tarde.

Entre os modelos automáticos, uma das maiores curiosidades da coleção da CRT é o "Carmem Miranda", um telefone de plataforma alta, que foi fabricado na década de 50. Ele recebeu esse nome porque a sua base lembra os sapatos usados pela cantora.
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Do preto ao colorido

A baquelite — material derivado do petróleo — começou a ser usada na confecção de telefones no final dos anos 20. E, durante muito tempo, reinou absoluta, dando origem às mais variadas gerações de telefones — que eram, em sua quase totalidade, pretos. A cor só chegou aos telefones bem mais tarde, na década de 60, que trouxe também outras novidades.

Elas foram, principalmente, a inovação em termos de design. Apareceram telefones dos mais variados formatos, como o modelo "tartaruga" e muitos outros. Também foi introduzido o fio espiral, recoberto de plástico, em substituição ao antigo fio de pano.

Os telefones coloridos, entretanto, só se tornaram moda realmente na década de 70, quando as cores fortes predominaram como "o último grito da moda".

Mais tarde, nos anos 80, se observou uma tendência para o uso de modelos de cores mais discretas. E atualmente, embora haja uma variedade quase imensurável de modelos, que vão de personagens de história em quadrinhos a reproduções dos primeiros telefones, parece que o consumidor continua dando preferência aos modelos mais discretos.
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