|
|
Avança o povoamento e surge a indústria do charque
Início do povoamento
O povoamento foi sendo feito a partir da chegada dos primeiros lagunistas, que se
fixavam para criar gado. A ocupação do solo se adequava às características da
criação de gado, e aos padrões de propriedade rural adotados em toda a colônia: eram
doadas grandes glebas de terras a um proprietário, que as ocupava com gado.
Para o trato dos animais, usavam-se alguns poucos homens, livres ou escravos. A
estância consolidava-se, aos poucos, como célula básica da vida gaúcha, e o
estancieiro, senhor absoluto dentro de sua área, não era apenas responsável pelo
cuidado do gado e dos homens sob suas ordens; também se encarregava da defesa do solo,
garantindo sua posse à coroa portuguesa. Numa região permanentemente em conflito, a
estância iria desempenhar o papel de defesa, de sobrevivência, de segurança, e seria a
marca da presença portuguesa no Rio Grande do Sul.
Poucos anos após a chegada dos lagunistas, que organizaram a criação e o comércio
de gado com as demais capitanias, uma leva de imigrantes açorianos foi dirigida para o
Rio Grande com a intenção de povoar a região que anteriormente havia sido ocupada pelas
Missões Jesuíticas.
O grupo era formado por casais de pequenos agricultores, enviados a fim de
desenvolver a agricultura. A primeira leva, chegada em 1740, iria se fixar na hoje Porto
Alegre, devido à dificuldade em alcançar a zona das Missões.
Aí, em pequenas propriedades, plantariam principalmente trigo. Apesar das
atribulações iniciais, a cultura do trigo acabou por ter sucesso, e durante um certo
período da história gaúcha, contribuiu de forma expressiva para a balança de
exportações.
Porém, o grupo de açorianos formava um enclave de pequenos agricultores no meio de uma
província dominada pelas grandes propriedades, onde havia pouco mercado para os produtos
de sua lavoura. Além disto, sucessivos ataques de ferrugem, que diminuíam
consideravelmente a produção de trigo, fizeram com que os açorianos fossem aos poucos
abandonando a agricultura e se integrando à economia baseada na pecuária que regia a
vida local. O gado venceu, e o Rio Grande continuou a ser por algum tempo a terra dos
conflitos de fronteira e da pecuária. (Mais informações sobre a colonização portuguesa).
(Por:
Lígia Gomes Carneiro, em
"Trabalhando o couro - Do serigote ao calçado 'made in Brazil'" - Editora
L&PM, 1986)
Continua
Retorna para a
página inicial da área de História
|
|
|