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Primórdios da
Imprensa no
RS
Os primeiros jornais
O Diário de Porto Alegre foi o primeiro jornal do Rio Grande do
Sul. Mas, fundado em 1º de junho de 1827, teve vida curta - durou apenas dois semestres.
Com apenas duas páginas, o pequeno periódico teve, desde o início, a preocupação de
tratar dos mais diversos assuntos. A época era de forte efervescência política. Assim,
ao lado de matérias relacionadas com a navegação e o comércio, também analisava
questões relacionadas com a escravatura, costumes etc.
Esta página apresenta um resumo elaborado pelo Museu de Comunicação Social Hipólito
José da Costa e pela Universidade Federal de Santa Maria, sobre os primeiros jornais do
Rio Grande do Sul.
Conheça os primeiros jornais:
CONSTITUCIONAL
RIO-GRANDENSE - PORTO ALEGRE
Segundo jornal rio-grandense, circulou a partir de 5 de julho de 1828,
sendo impresso na mesma tipografia do "Diário de Porto Alegre". Subsistiu até março de 1831. Tinha
como redator Vicente Ferreira Gomes, o "Carona", que imprimiu ao jornal uma
feição liberal. Neste jornal, Pedro José de Almeida, o agitado e gordo "Pedro
Boticário", defendia a reforma federativa.
CORREIO DA LIBERDADE -
PORTO ALEGRE
Sua publicação foi iniciada em 17 de abril de 1831 e o novo jornal não
passou de setembro. Era impresso na Tipografia de Manuel dos Passos Figueirôa, conhecido
por o "Calchas", que também era o redator do veículo.
CORREIO OFFICIAL DA
PROVÍNCIA DE
SÃO PEDRO - PORTO ALEGRE
Consta que o número 1 saiu em 17 de dezembro de 1834, redigido por uma
sociedade de ilustres literatos. Desapareceu em 1835. Impresso nas oficinas gráficas de
Cláudio Dubreuil e Cia., tinha como redator Pedro Chaves. Agridia fortemente os liberais
da Província, desenvolvendo campanha tenaz contra os farroupilhas.
DIÁRIO DE PORTO ALEGRE -
PORTO ALEGRE
Este foi o primeiro jornal do Rio Grande do Sul. Impresso na
"Tipografia Rio-Grandense", iniciou sua publicação em 1º de junho de 1827,
sob a direção do major Lourenço J. de Castro, que também foi seu redator, juntamente
com José Inácio da Cunha. Seu último número saiu em junho de 1828. Encarregavam-se da
composição e impressão os franceses Dubreuil e Estivalet. Publicava os atos oficiais,
refletindo o pensamento do chefe da Administração da Província. Circulava diariamente.
ESTRELA DO SUL - ALEGRETE
Órgão oficial da República Rio-Grandense, apareceu no dia 4 de março
de 1843 e teve curta duração. Era impresso na tipografia republicana Rio-Grandense. Há
quem afirme que o jornal teve apenas uma edição. Substituiu o "Americano".
MESTRE BARBEIRO - PORTO
ALEGRE
Impresso na tipografia de Cláudio Dubreuil e Cia., iniciou sua
publicação em 31 de janeiro de 1835 e se manteve até setembro. Seu redator era Antonio
José da Silva Monteiro, o "Prosódia", violento e ferrenho oposicionista dos
farroupilhas. Foi o menor de todos os jornais dos primeiros tempos da imprensa no Rio
Grande do Sul.
O AMIGO DO HOMEM E DA
PÁTRIA - PORTO ALEGRE
Este jornal surgiu em 5 de julho de 1829, tendo como fundador o major
Lourenço da Castro Jr. Seu redator foi o professor Tomaz Inácio da Silveira, de alcunha
"O Sete Ciências". Foi publicado até 14 de março de 1830. Jornal de idéias
liberais, foi propagador dos novos princípios de liberdade.
O ANALISTA - PORTO ALEGRE
Impresso na tipografia do Analista, este jornal iniciou sua publicação
em 7 de agosto de 1840. Circulava duas vezes por semana, e, em 1844, encerrou suas
atividades. Cláudio Debreuil imprimiu ao jornal uma direção apaixonada e violenta,
procurando de todos os modos abraçar a missão do governo provincial de Álvares Machado.
O ANUNCIANTE - PORTO
ALEGRE
De acordo com vários autores, circulou de 1832 a 1835. Impresso na
tipografia de Cláudio Dubreuil e Cia., publicava essencialmente editais e anúncios,
além de uma seção sobre a chegada e saída de navios e outra sobre política.
O ARTILHEIRO - PORTO
ALEGRE
Este jornal apareceu em junho de 1837, em plena Revolução Farroupilha.
Foi o último jornal desse decênio publicado na tipografia de Cláudio Dubreuil e Cia.
Usava linguagem desenvolvida e violenta, sendo defensor dos legalistas.
O AVISADOR - PORTO ALEGRE
Iniciou sua publicação em agosto de 1835. Era impresso na Tipografia
Rio-Grandense. Partidário dos liberais, publicava anúncios, editais e, às vezes,
algumas notícias.
O CAMPEÃO DA LEGALIDADE -
PORTO ALEGRE
Começou a ser publicado em 4 de fevereiro de 1837, extinguindo-se em 1839
com a morte de seu proprietário, J. Girard. Usava linguagem violenta, desabrida, atirando
aos adversários as mais graves acusações, causando indignação nos meios políticos
que não pactuavam com a administração de Antero.
O COLONO ALEMÃO - PORTO
ALEGRE
Começou a circular em 1836, em pleno período revolucionário, tendo o
último jornal saído da tipografia de V. F. Andrade. Jornal alemão, era todo redigido em
português por Hermano Salich, que, com sua influência sobre os colonos, conseguiu deles
a adesão à causa farroupilha.
O COMMÉRCIO - PORTO
ALEGRE
Seu primeiro número data de 4 de fevereiro de 1840 e circulou durante
nove anos, sendo impresso na tipografia de Cláudio Dubreuil. Seu redator e proprietário
era Isidro José Lopes, "Cara de Cavalo", homem moderado que defendia a causa da
legalidade. O jornal chegou a ser publicado sob a direção de amigos de Isidoro e depois
foi temporariamente órgão oficial.
O CONTINENTINO - PORTO
ALEGRE
Surgiu em outubro de 1831, impresso em tipografia própria, sob a
direção de João Manuel de Lima e Silva. Era o órgão de uma sociedade secreta que mais
tarde se filiou à maçonaria. Em janeiro de 1833 iniciou uma nova fase, redigido por
Joaquim José de Almeida, o "Mãos-Grandes".
O CONTINENTISTA - PORTO
ALEGRE
Último jornal a sair da Tipografia Rio-Grandense, surgiu em 17 de julho
de 1835 e suspendeu a publicação em junho de 1836. Seus redatores foram um empregado do
Serviço Público, de nome França, e ainda Francisco de Sá Brito e José de Paiva
Magalhães Calvet. Foi o jornal revolucionário de mais peso e valor.
O ECHO PORTO-ALEGRENSE -
PORTO ALEGRE
Apareceu em 3 de junho de 1834, sendo o primeiro jornal da província com
circulação três vezes por semana. Cessou sua publicação em junho do ano seguinte.
Também era impresso na Tipografia Rio-Grandense e logo tomou vigorosa feição
partidária farroupilha, através de seu redator, o ten. cel. Silvano José Monteiro de
Araújo e Paulo.
O IMPARCIAL - PORTO ALEGRE
Apareceu em 22 de outubro de 1844, impresso na tipografia de Cláudio
Dubreuil. José Pedro de Carvalho Moreira era seu editor e, mais tarde, J. J. Quadrado
assumiu o posto. A edição de 31 de dezembro de 1849 traz a notícia da cessação da
publicação desse veículo.
O NOTICIADOR - RIO GRANDE
Foi o primeiro jornal da cidade de Rio Grande e apareceu em tipografia
própria, em 3 de janeiro de 1832. De acordo com vários autores, seu último número foi
publicado em 17 de novembro de 1835, mas o Museu de Comunicação Social possui um número
de 11 de janeiro de 1836. Seu proprietário e redator foi Francisco Xavier Ferreira, o
"Chico da Botica". Eventualmente publicava edições extras.
O PROPAGADOR DA INDÚSTRIA
RIO-GRANDENSE - RIO GRANDE
Impresso na Tipografia de Francisco Xavier Ferreira, foi publicado a
partir de 30 de janeiro de 1833. Seu último número teria sido publicado em 8 de março
de 1834. Era editado pela Sociedade Protetora da Indústria da Província de São Pedro do
Rio Grande do Sul e dirigido por José Mariano da Rocha Cabral. Publicava assuntos de
interesse geral.
O RECOPILADOR LIBERAL -
PORTO ALEGRE
Este jornal surgiu em fins de junho de 1832, impresso na tipografia de V.
F. Andrade e encerrou sua publicação em junho de 1836. Seus redatores foram,
possivelmente, Tito Lívio Zambecari, Manuel Ruedas e José de Paiva Magalhães Calvet, o
"Pernilongo". Apoiou, em princípio, o governo provincial, passando depois a
órgão extremado do Partido Farroupilha e um dos promotores da Revolução Farroupilha,
iniciada em 1835.
SENTINELA DA LIBERDADE NA
GUARITA AO NORTE DA BARRA DO RIO GRANDE DE SÃO PEDRO - PORTO ALEGRE
Começou a circular em 2 de março de 1830, tendo como redatores Lourenço
de Castro Junior, Francisco Luís da Costa Guimarães e Cláudio Dubreuil, este
proprietário do jornal. Ao irromper a Revolução Farroupilha, fogem para o Rio e lá
retomam a publicação, a partir do número 547, levando-o até o número 575. Retornam a
Porto Alegre no ano seguinte e, em dezembro, voltam a imprimir o jornal, que logo deixará
de existir, em data que não se pode precisar.
Este era um jornal adepto dos farrapos, de oposição, portanto, ao
governo central. Era publicado duas vezes por semana.
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