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Missões, a
história extraordinária do Rio Grande
Experiência sepultada com a expulsão
dos jesuítas e dos guaranis
Depois de grande conflito, com milhares de mortos, especialmente de índios, Portugal e
Espanha voltaram atrás, mas logo dariam o golpe definitivo contra as reduções,
expulsando os jesuítas e deixando os guaranis sem qualquer coordenação. Seguiram-se
administradores militares e os índios acabaram sendo transformados em guerreiros, nos
diversos episódios militares ocorridos no Prata, sendo exterminados completamente nos 60
a 70 anos que se seguiram à expulsão dos jesuítas.
Destruídas primeiro pelos bandeirantes, depois pelas tropas de Portugal e Espanha e, no
lado paraguaio, pelo próprio ditador do novo país, após sua independência, restou
pouco das reduções para ser visto nos dias atuais, mas, nas ruínas que ainda são
mantidas, há alguma coisa da velha república para apreciar, entrando-se num importante
capítulo da história do Sul, muito mal contado em nossos livros.
Os jesuítas cerceavam completamente a liberdade dos índios, mas, à luz da pregação do
Evangelho, indiretamente intimidando-os com os conceitos sobre céu e inferno e salvação
da alma, conseguiram transplantar da Europa para o interior de nosso continente, há mais
de 350 anos, costumes avançadíssimos, uma arte refinada e um modelo utópico de
administração - com propriedade coletiva, sem classes e sem governo, e sem oposição
entre cidade e campo -, que Clóvis Lugon, em seu livro "A República Comunista
Cristã dos Guaranis", chegou a definir como "a mais fervorosa das sociedades
cristãs e a mais original das sociedades comunistas". E que foi, como assinalou,
"comunista demais para os cristãos burgueses e cristã demais para os comunistas da
época burguesa".
A República Guarani pode ser visitada com facilidade, por estradas de asfalto. Três ou
quatro dias é o suficiente para admirar o que restou. Igrejas e casas de pedra
semidestruídas por incêndios, abandono e a depredação dos moradores das vizinhanças
que ocorria até recentemente; algumas dezenas de imagens e de trabalhos nas pedras das
construções, são as últimas evidências dessa experiência teocrática.
Passadas tantas batalhas - no sentido literal da palavra -, essas igrejas e obras de arte
não têm mais a riqueza de antigamente, com trabalhos em ouro e prata, que os índios
importavam do Peru, mas, com o que resta, pode se ter a certeza de encontrar na região
lembranças inesquecíveis.
CONTINUA
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