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História dos municípios
Gentilezas, em
momento de sofrimento
A tentativa de tomar São José do Norte, para garantir um porto, resultou naquele que foi
considerado o combate mais sangrento da guerra. Conta-se que as ruas da vila ficaram
cobertas de cadáveres. Nele, os farroupilhas tiveram 181 mortos, 150 feridos e 18 deles
foram feitos prisioneiros. Os imperiais tiveram 72 mortos, 87 feridos e 84 prisioneiros.
Apesar da violência do evento, ele também é lembrado pelo gesto cavalheiresco do
coronel Antonio Soares Paiva, que comandava a guarnição legalista da cidade. Ao término
do combate, Bento Gonçalves - que estava à frente das tropas farrapas - lhe enviou uma
mensagem, dizendo que se achava sem médico e remédios para seus feridos. O coronel
Paiva, então, lhe mandou um médico e metade dos medicamentos de que dispunha. Em
agradecimento, Bento libertou todos os prisioneiros legalistas.
Para alguns, o combate de Ponche Verde destacou-se por marcar o início do fim da
Revolução, embora não tenha havido, nele, um vencedor definido. Mas a revolta seria
mesmo enterrada na chamada "surpresa" de Porongos, acontecimento cercado de
suspeitas. Nele, as forças republicanas foram totalmente dispersas e, segundo algumas
versões, teria sido "armado" entre o general farrapo David Canabarro e o então
Barão de Caxias, com o objetivo de exterminar as tropas negras farroupilhas, formadas por
ex-escravos que haviam sido libertados para lutar ao lado dos rebeldes.
Segundo essa versão, David Canabarro já estaria negociando a paz com Caxias, mas um dos
pontos polêmicos da questão era o que fazer com os negros - se voltassem ao cativeiro,
poderiam se rebelar; se fossem considerados livres, poderiam se transformar em uma força
perigosa. Graças ao ataque de Porongos, em que os contingentes negros estavam acampados
em separado dos brancos, ficou resolvida a questão: diz-se que, de cada cem mortos no
campo de batalha, oitenta eram negros.
É impossível precisar o número exato de mortos e feridos dessa guerra. O historiador
Tristão de Alencar Araripe - que defendia declaradamente o ponto de vista do governo
Imperial -, foi autor do primeiro livro em que as informações sobre a Revolução
Farroupilha foram sistematizadas, publicado em 1881. Ele, que provavelmente teve acesso a
documentos oficiais sobre o assunto, pois foi presidente da província do Rio Grande do
Sul de 1876 a 1877, calculou que morreram, no total, 3.400 homens, sendo que os farrapos
perderam quase o dobro do que os legalistas.
Por:
Lígia Gomes Carneiro
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