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História dos municípios
Italianos foram
atraídos
pelos ideais farroupilhas
Vindos de uma terra distante e, em sua maioria, refugiados políticos, um grupo de
italianos participou ativamente da Revolução Farroupilha. Provavelmente o que os atraía
eram os ideais liberais dos farrapos em que viam a semente de uma revolução social mais
ampla, e a possibilidade de "fazer a história". Alguns deles tiveram atuação
destacada, mas um, Giuseppe Garibaldi, é lembrado de forma especial, principalmente
porque, mais tarde, participaria das guerras de unificação da Itália e se tornaria
conhecido em toda a Europa graças à sua biografia, escrita por Alexandre Dumas.
Os italianos revolucionários haviam chegado à América do Sul antes mesmo do início da
Guerra dos Farrapos, dedicando-se principalmente a atividades comerciais e à navegação.
Dentre eles muitos eram carbonários, membros da sociedade secreta que atuava na Itália,
França e Espanha no início do século XIX e que pregava a adoção do sistema
republicano. Essa sociedade derivava da franco-maçonaria, e foi formada para lutar contra
o domínio napoleônico no reino de Nápoles (1806 a 1815).
Depois, passou a lutar contra os soberanos italianos restaurados após 1815, e organizou
levantes e atentados sem maiores conseqüências. A partir de 1818 o carbonarismo começou
a ser difundido na França, onde conquistou os bonapartistas liberais. Organizados em
lojas (como na maçonaria), seus membros arquitetaram numerosos complôs, entre 1818 e
1822, contra os Bourbons que haviam voltado ao trono. Todos fracassaram.
A causa da Revolução deve ter seduzido a esses homens, habituados aos atentados,
complôs e lutas. E cerca de cinqüenta italianos - provavelmente em sua maior parte
carbonários - participaram da Guerra dos Farrapos. Alguns se destacaram, como o Conde
Tito Lívio Zambiccari, que era ajudante de campo e secretário do presidente farroupilha,
e que foi preso em 1836, no combate do Fanfa, junto com Bento Gonçalves.
A captura de Zambiccari, a princípio lamentável, terminou por trazer benefícios para a
Revolução. Transferido para uma prisão no Rio de Janeiro, entrou em contato com
Garibaldi e Luigi Rosseti que, animados pelo que ele contava, alistaram-se nas tropas
farroupilhas. Luigi Rosseti veio a ser co-editor do jornal farroupilha "O Povo",
e também foi secretário-geral da República Juliana (em Laguna).
Garibaldi, por sua vez, teria uma trajetória rica em aventuras. Nasceu em Nice (que
então era italiana), em 1807. Antes de vir para o Brasil, participou do movimento Jovem
Itália, de idéias republicanas, coordenado pelo general Mazzini. Comprometido em uma
tentativa de ataque a Gênova, fugiu para o Brasil em 1836. Logo conheceu Zambiccari, e
decidiu vir lutar no Rio Grande.
Aqui, recebeu em 14 de dezembro do mesmo ano a autorização do governo farroupilha para
realizar o corso, isto é, para atacar, de barco, navios e propriedades inimigas,
apossando-se de seus bens. Para poder executar essa tarefa, recebeu o posto de
capitão-tenente, e foi-lhe determinado que coordenasse o armamento de dois lanchões que
estavam sendo construídos no estaleiro farroupilha, no rio Camaquã. Cada um desses
barcos, quando pronto, tinha duas peças de bronze e uma tripulação de 35 homens. Um
deles foi comandado por Garibaldi, outro por John Griggs, um americano que também havia
sido seduzido pela causa farroupilha.
Com esses dois barcos, Garibaldi iniciaria sua guerra de corso na Lagoa dos Patos.
Aproveitando-se do fato de suas embarcações serem pequenas, e portanto poderem transpor
os bancos de areia que dificultavam a navegação dos navios - de maior porte - da Marinha
Imperial, Garibaldi atacava as estâncias de legalistas que estavam nas margens da lagoa,
apossando-se de cavalos, mantimentos etc.
Em julho de 1839, após coordenar a epopéia de transporte dos lanchões por terra,
participou do ataque a Laguna, em Santa Catarina. Ali, conheceu Ana Maria Ribeiro da
Silva, que passou à história como Anita Garibaldi, e que iria acompanhá-lo por toda a
sua vida.
Quando Garibaldi a encontrou em Laguna, Anita era casada com Manuel Aguiar, a quem deixou
para seguir Garibaldi. Desde o início, revelou-se a companheira ideal para o
revolucionário, participando com extrema bravura dos combates de defesa de Laguna contra
os imperiais. Em 15 de novembro de 1839 foi presa, no combate de Curitibanos, mas fugiu
atravessando o rio Canoas a nado, agarrada à crina de seu cavalo, indo assim se
reencontrar com Garibaldi em Vacaria. No Rio Grande deu à luz a seu primeiro filho,
Menotti, e continuou a combater ao lado de Garibaldi até que este, em 1842, deixou as
tropas farrapas, indo para Montevidéu.
Anita iria acompanhá-lo, mesmo quando voltou para a Itália, em 1848, e iria estar ao seu
lado nas lutas em que participou contra os austríacos naquele ano e no seguinte, quando
morreu, durante uma fuga após um combate. Garibaldi, por sua vez, continuou a sua vida de
revolucionário, sendo um dos líderes do movimento que resultou na unificação da
Itália (concluída em 1870), e falecendo em 1882.
Por:
Lígia Gomes Carneiro
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