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História dos municípios
A epopéia dos
lanchões
pelos campos gaúchos
Muito tempo antes do desenvolvimento dos veículos anfíbios, Garibaldi demonstrou que um
barco construído para se movimentar na água também podia andar na terra. Graças a isso
as tropas farroupilhas puderam conquistar o porto catarinense de Laguna e proclamar a
República Rio-Grandense. Para chegar lá, o chamado "herói de dois mundos"
teve que colocar em execução um dos mais arrojados planos militares já idealizados em
qualquer época: estando as embarcações dos farroupilhas cercadas na Lagoa dos Patos,
onde as forças do Império dominavam a entrada e saída, ele mandou deslocar por terra
seus lanchões mais leves, o Farroupilha e o Seival. Foi uma epopéia digna de figurar com
destaque na história dos conflitos mundiais.
"Não existe a menor dificuldade na expedição por mar a Laguna. Mande-me o general
alguns carpinteiros e a madeira necessária para a construção de quatro grandes rodados
e cem juntas de bois carreiros para a tração das rodas, e eu farei transportar os
Lanchões até Tramandaí, se Deus quiser", disse Garibaldi numa reunião do alto
comando farroupilha. Ele levou os dois lanchões até o rio Capivari cerca de dois
quilômetros adentro antes de sua foz na Lagoa dos Patos, e em menos de sete dias comandou
a montagem dos rodados e das pranchas sobre as quais os lanchões foram colocados, para
serem movimentados por terra até Tramandaí. Eles foram puxados cada um por juntas de cem
bois.
Em Tramandaí, após reparos rápidos que não levaram três dias, os lanchões foram
lançados no rio Tramandaí e dali seguiram para o mar e para o ataque às forças
imperiais que estavam acantonadas em Laguna. Entre o rio Capivari e o rio Tramandaí,
através de campos, areais e banhados, foram percorridos cerca de cem quilômetros entre
os dias 5 de junho pela manhã e a tardinha do dia 11 desse mês, sem que as forças
imperiais tivessem a mínima suspeita do que estava acontecendo.
Em Laguna, enquanto os "patos" de Garibaldi atacavam por mar, os homens do
general David Canabarro investiam por terra, conseguindo dominar rapidamente a cidade e
conquistando um importante porto para os farroupilhas, que nunca conseguiram se apoderar
de Rio Grande e São José do Norte.
Os lanchões Seival e Farroupilha deixaram o rio Capivari no ponto onde esse rio é
cruzado, no momento, pela RS-040, cerca de mil metros antes do posto da Polícia
Rodoviária em Capivari, que está no cruzamento dessa rodovia com o início da chamada
Estrada do Inferno. Para quem vai de Porto Alegre em direção a Capivari, há um marco
logo depois da ponte sobre o rio Capivari, à esquerda, indicando o local considerado como
o início da movimentação terrestre das embarcações do grupo comandado por Garibaldi.
Já no rio Tramandaí os lanchões voltaram a ser colocados na água nas proximidades da
ponte antiga que liga Tramandaí a Imbé, onde na temporada de veraneio centenas de
pessoas passam o dia pescando sardinhas e bagres. Na passarela para pedestres entre as
duas pistas da avenida Fernandes Bastos, no lado do município de Tramandaí, há um marco
indicativo do feito de Garibaldi, colocado, juntamente com o de Capivari, quando da
comemoração do sesquicentenário da Revolução Farroupilha. Uma réplica do Seival
ainda pode ser vista em Tramandaí, no Parque Histórico General Manuel Luiz Osório.
Por:
Lígia Gomes Carneiro
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