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Maragatos e pica-paus
Os termos "maragato" e "pica-pau", usados para se referir às duas
grandes correntes políticas gaúchas, e identificados, respectivamente, com o uso do
lenço vermelho e do lenço branco, surgiu no Rio Grande do Sul em 1893, durante a
Revolução Federalista.
Os maragatos foram os que iniciaram a revolução, que tinha como justificativa a
resistência ao excessivo controle exercido pelo governo central sobre os estados. O
objetivo da revolução seria, portanto, garantir um sistema federativo, em que os estados
tivessem maior autonomia.
O termo "maragato", aplicado aos federalistas, tem uma explicação complexa. No
Uruguai eram chamados de maragatos os descendentes de imigrantes espanhóis oriundos da
área situada na província de León, na Espanha, conhecida como Maragateria. Os maragatos
espanhóis eram eminentemente nômades, e adotavam profissões que lhes permitissem estar
em constante deslocamento.
Os defensores do governo central passaram a chamar os revolucionários de
"maragatos" com o intuito de insinuar que, na verdade, as tropas dos rebeldes
eram constituídas por mercenários uruguaios. A realidade oferecia alguma base para essa
assertiva Gumercindo Saraiva, um dos líderes da revolução, havia entrado no Rio
Grande do Sul vindo do Uruguai pela fronteira de Aceguá, no Departamento de Cerro Largo,
e liderava uma tropa de 400 homens entre os quais estavam uruguaios.
No entanto, dar esse apelido aos revolucionários foi um tiro que saiu pela culatra. Os
próprios rebeldes passaram a se denominar "maragatos", e chegaram a criar um
jornal que levava esse nome, em 1896.
Já o termo pica-pau, aplicado aos republicanos que apoiavam o governo central, teria
surgido em função das listras brancas do topete do pássaro, pois os governistas usavam
chapéus com divisas brancas, que lembravam o topete do pica-pau, enquanto que as dos
maragatos eram vermelhas. (Por
Lígia Gomes Carneiro)
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