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A origem do Rio Grande do Sul - II
Embora a fundação de Laguna em
1684 seja o marco do início da ocupação sistemática das terras do sul do
continente, isso não significa que, antes mesmo disso, elas não atraíssem os
portugueses por razões não só políticas (a ocupação da maior faixa possível
de território por Portugal), mas também econômicas. Afinal, o continente do
Rio Grande era rico em gado, uma herança que os jesuítas das Missões
haviam deixado: ao serem desfeitas as comunidades missioneiras, o gado vacum
ficou solto no território gaúcho, e se multiplicou, formando vastos rebanhos.
E era em busca
desses grandes rebanhos — e também de índios para escravizar — que vinham
grupos de exploradores das áreas mais povoadas localizadas mais ao Norte, como
São Vicente (São Paulo). Esses grupos levavam consigo as informações sobre a
abundância de gado no chamado Continente de São Pedro. E essas informações
terminaram por fazer com que o então governador geral, Rodrigo de César
Meneses, escrevesse para o rei português, afirmando que era preciso “mandar
povoar toda aquela fronteira, de cuja capacidade pela abundância e a fartura se
pode fazer uma das maiores povoações da América”.
A abundância e a fartura podiam ser grandes, e a ambição
portuguesa era, sem dúvida, ainda maior. Mas a ocupação de tão vasta área
de território esbarrava em uma limitação: a falta de população, de pessoal
para enviar para a nova área. O povoado mais extremo então existente, além da
Colônia de Sacramento, era Laguna — que contava com a exígua população de
32 casais.
Por isso, a ocupação do Rio Grande começa não com
o envio de colonos, mas com expedições de exploração, captura de gado e
descoberta de rotas. A primeira delas, em 1725, foi liderada por João Magalhães.
Dois anos depois,o grupo liderado por Francisco de Sousa e Faria estabeleceu o
primeiro caminho que liga a Colônia de Sacramento à Vila de Curitiba. (Por
Lígia Gomes Carneiro)
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