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Porto Alegre, o porto de quatro nomes
Se não fosse José Marcelino de Figueiredo, talvez este texto estivesse sendo escrito
não em Porto Alegre, mas no Porto dos Casais. E, se não fossem os casais, talvez esta
coluna fosse produzida no Porto do Dorneles. E se Jerônimo de Ornelas não tivesse vindo
da ilha da Madeira, certamente vocês estariam lendo um material produzido no Porto de
Viamão. Afinal esta coluna é escrita em Porto Alegre, a capital dos gaúchos, que passou
por outros três nomes antes de chegar ao atual.
O primeiro nome dado à região atualmente ocupada por Porto Alegre foi o de Porto de
Viamão, ainda no século XVIII. Nessa época, ainda não havia um núcleo urbano, e os
estancieiros da região usavam o Guaíba como meio de comunicação com Rio Grande e Rio
Pardo. A região, conhecida como campos de Viamão, ainda era um distrito de Laguna (na
atual Santa Catarina). O porto, por decorrência, era o Porto de Viamão.
Em 1740, entretanto, o porto passaria a ter outro nome. A área onde está a atual Porto
Alegre foi concedida como sesmaria a Jerônimo de Ornelas Meneses de Vasconcelos,
português nascido na ilha da Madeira. E o Porto passou a ser conhecido como Porto do
Dorneles. Segundo o historiador Walter Spalding, o Porto propriamente dito ficava na foz
de um riacho, onde atualmente fica a Ponte de Pedra do Largo dos Açorianos.
Esse nome, entretanto, teria vida curta. Em 1752 começaram a chegar, ao Rio Grande do
Sul, os primeiros casais vindos das ilhas dos Açores. O governo português pretendia, ao
incentivar a imigração desses casais, resolver dois problemas. O primeiro era o das
ilhas dos Açores - que estavam superpovoadas. O segundo era o da ocupação do solo na
extremidade sul do território brasileiro, uma zona considerada vital por se tratar do
ponto de encontro entre os domínios portugueses e espanhóis na América do Sul.
Inicialmente foram acomodados na região do Porto do Dorneles sessenta casais. E esse
núcleo de população, que deu origem a Porto Alegre, passou a servir como uma espécie
de ponto de apoio para os novos casais imigrantes que chegavam, e que seguiam para outras
partes do Rio Grande. E, é claro, em função dos casais, o Porto que era do Dorneles
virou dos Casais.
O pequeno povoado ia se desenvolvendo bem. Mas, em 1763, uma guerra traria sua grande
chance de crescimento. Os espanhóis invadiram a vila de Rio Grande, então capital do Rio
Grande. E a sede da capital foi transferida para Viamão, pertinho do Porto dos Casais.
Dez anos depois, com o desenvolvimento do Porto e a sua óbvia posição estratégica nas
margens do Guaíba, o então governador da Província, José Marcelino de Figueiredo,
decidiu transferir a capital de Viamão para o Porto dos Casais. E, simultaneamente, mudou
o nome de Porto dos Casais para Porto Alegre.
Por que escolheu esse nome? Ninguém sabe. Gostava dele, provavelmente, e
lhe lembrava alguma das várias localidades portuguesas que trazem Porto Alegre
no nome: Santana de Porto Alegre, na Ilha Terceira? Portalegre, no Alto
Alentejo? Esse é um mistério que não será respondido. Mas o que se sabe é que o
então governador não era homem de pulso fraco, e quando estava decidido a fazer
algo, não havia quem o segurasse - como se verá na próxima coluna.(Por
Lígia Gomes Carneiro)
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