Ultimo Entardecer! Jonas Martins 06.10
De novo o sol vai de mancito se descabando por detrás dos monte, A lua cheia se prepara pra iluminar mais uma noite, á o entardecer, dando espaço para a anoitecer que vai se chegando, as aves nativas começam a voar suavemente em direção ao horizonte, e alheio a tudo isso, como se nada mudasse, ali na porta do rancho, o velho indio, já judiado pelo tempo, com um olhar frio, olhava o nada, com a certeza de que nunca se sabe, o que um entardecer, na querencia pode trazer.
Na mesma porta do rancho em que vira o filho partir, onde também teve o desejo de ir pelear com os farroupilhas, mas ja naquele tempo, era velho e cansado, um veterano, com orgulho do passado de ter a lança empunhado combatendo os catelhanos; e foi numa dessas batalhas, que quando voltou não encontrou mais a mulher, apenas o pobre guri, a quem dedicou todos dias da sua vida, até que um dia entrou pela mesma porta a qual estava parado agora, e com o peito estilhaçado por um lançaço, teve força para no ultimo sopro de vida, no ultimo afago de amor, tirar do peito banhado em sange o pavilhão tricolor.
E agora quando mais um entardecer se desprendia, ele não sabia, o que o entardecer na quêrencia poderia trazer; que bom se o entardecer pudesse trazer-lhe de novo o filho, que não tombou com a sua gente, pra defender o pavilhão tricolor, queria ao menos dizer o quanto orgulhoso ficou pelo gesto do filho, e saber se o moço lhe perdoara pelas duras palavras desferidas, pois não sabia que o filho era tão corojoso que jamais ha de ser esquecido, pois a pavilhão tricolor tripula numa haste estendida no terreiro, como que se abanando para o sol que se desprendia no horizonte.
Como era triste viver solito, não restou nem mesmo um cusco para lamber-lhe os pés, e lhes fazer companhia nessa hora tão morta, restará apenas as lembranças, e o rancho, donde dali, da porta, o velho indio cansado olhava o entardecer, e lembrava de tudo que passará desde que o filho se foi, porque o patrão das alturas não o levará no lugar do moço, afinal ele já tava velho arquejado, e não servia mais pras peleias do dia-a-dia, mas nunca se sabe, o que o entardecer na querencia, pode trazer.
Esse entardecer não era como os outros, e foi nessa hora tão morta, que uma golpeada lhes rasgou o peito, e ali na porta do rancho onde virá o filho partir pra revolução, o velho tombou, mas foi um tombo suave, onde de mancito, foi se acomchegando no chão, aquele forte estrilho que lhe cortou o peito por um segundo foi esquecido, e já sentindo que a morte lhe robará o sopro da vida, o velho, num ultimo clarão do olhar, quando a escuridão queria romper-lhe a visão, com veemencia ainda olhou pro terreiro, onde o trapo sagrado, que um dia foi banhado em sangue pelo moço que tombou, abanava, como se dissendo já chegou sua hora velho teimoso, e como que se fazendo referencias as tantas batalhas do passado, que comandará com tamanha distreça em defesa do Rincão, teve força pra olhar pra aquele trapo sagrado e gritar, avançar.... e de mancito o sono derradeiro foi chegando, e o velho partiu... pra estancia velha do céu... Afinal nunca se sabe o que entardecer na querencia pode trazer....
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