As "florestas petrificadas" que afloram nas regiões de Mata e São Pedro do Sul compõem alguns dos mais importantes sítios paleobotânicos da América do Sul. Embora estas florestas petrificadas sejam conhecidas desde algumas décadas no Rio Grande do Sul, somente no último decênio iniciaram-se tentativas de proteção e conservação deste patrimônio científico-cultural.
Estes gigantescos troncos mineralizados, que atingem até 30 metros de comprimento, são representantes de uma densa floresta formada prioritariamente por coníferas. As florestas petrificadas que afloram em diferentes sítios paleontológicos da porção central do Estado do Rio Grande do Suli têm sido nas últimas décadas relacionadas a diferentes idades e a distintas unidades estratigráficas (Fm. Rosário do Sul Gamermann, 1974, Fm. Sanga do Cabral Andreis et al. 1980, Fm. Caturrita Bortoluzzi, 1974 e Arenito Mata Faccini, 1989).
Atualmente estudos estratigráficos, tafonômicos e paleontológicos integrados tem vinculado diferentes associações de madeiras petrificadas a distintas unidades estratigráficas sendo as "florestas petrificadas" mais importantes, e mais abundantes as relacionadas ao Arenito Mata.
Se, por um lado, a ausência de continuidade nos trabalhos afetou o ritmo das atividades de preservação a nível institucional, as comunidades, com rara e sábia sensibilidade em relação à importância da preservação destas florestas petrificadas, as protegem através da criação de centros comunitários, pequenos museus e a instituição de leis municipais. Paralelamente ao desenvolvimento desta conscientização preservacionista nas comunidades, ocorreu, também, o início da exploração destes recursos que muito se prestam como matéria-prima para objetos de decoração, vendidos a altos preços no mercado nacional e internacional.
Embora estes sítios estejam sob proteção constitucional, a exploração sistemática e abusiva destes testemunhos de vida no passado geológico levou rapidamente à quase exaustão das reservas superficiais, as quais encontram-se praticamente desprotegidas, pela impossibilidade real de policiamento pelos órgãos competentes.