As primeiras referências sobre os vegetais fósseis da região de Santa Maria foram feitas por naturalistas que visitavam o Estado no século passado (Avé-Lallemant, 1980, Isabelle, 1983). White (1908) faz referência a madeiras fósseis encontradas na região de Santa Maria. Moraes Rego (1930), ao propor uma coluna estratigráfica padrão para o Estado de São Paulo, faz referência aos fósseis das "Camadas Santa Maria", no estado do Rio Grande do Sul, representados, segundo ele, por répteis e madeiras fósseis. Huene & Stahlecker (1931), por sua vez, citam, em seu trabalho sobre a geologia do Rio Grande do Sul, as madeiras silicificadas encontradas em sedimentos considerados pelos autores como pertencentes à Formação Rio do Rasto. Posteriormente, Rau (1933) refere-se à presença de troncos fósseis no município de Santa Maria, os quais foram denominados como Araucarioxylon (Dadoxylon), não fornecendo detalhes, porém, sobre a exata localização do jazigo fossilífero.
Durante as décadas de 40 e 50, as madeiras fósseis são apenas mencionadas, juntamente com os paleotetrápodes, como marcos em trabalhos que procuravam estabelecer a estratigrafia das unidades gondwânicas no sul do país (Fiuza da Rocha & Scorza, 1940; Gordon Jr., 1947; Beurlen et al., 1955).
Com o decorrer dos anos a urbanização exigiu que o ambiente fosse gradualmente modificado. As cidades de São Pedro do Sul, Mata e Santa Maria se desenvolveram sobre as jazidas de madeiras petrificadas. Beltrão (1965) retoma o estudo das madeiras fósseis na região central do Estado, registrando os locais onde estes troncos encontram-se inclusos no sedimento. Por outro lado, a abertura da estrada rodoviária (RS 453 e BR 287), ligando Santa Maria a São Vicente do Sul, em 1974, pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER) do Estado do Rio Grande do Sul levou ao reconhecimento da abundância destes troncos de grande diâmetro e comprimento ultrapassando 20 metros.
Neste período iniciam-se nos municípios de Santa Maria, Mata e São Pedro do Sul, os movimentos preservacionistas os quais partiram das comunidades locais. Como conseqüência de um projeto institucional que pretendia delimitar as reservas de madeiras silicificadas na Região Central do Rio Grande do Sul, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) desenvolveu um trabalho de mapeamento das jazidas. Santos e Moreira (1987) cadastraram 17 sítios paleontológicos de madeiras fósseis, todos relacionados pelos autores à Formação Caturrita (Andreis et al., 1980). São eles: Demétrio Ribeiro; Mata; São Rafael; Xiniquá; Passo do Leonel; Carpintaria; Ermida; Antônio Lima; Água Boa; São Pedro do Sul; Faxinal; Capeleto; Inhamanda; São João; Serro Alegre; Chácara das Flores e Pinhal. Foram consideradas áreas prioritárias para o tombamento: Parque Mata (2,28 km2), Xiniquá (9,27 km2), Ermida (2,43 km2) Faxinal (1,64 km2) Parque Capeleto (2,40 km2) e Antônio Dias (1,19 km2).
A estruturação de um núcleo de Paleobotânica no Instituto de Geociências da UFRGS na década de 70, e a nucleação da linha de Pesquisas em Paleobotânica junto ao Curso de Pós-Graduação em Geociências da UFRGS oportunizaram o desenvolvimento de dissertações voltados à anatomia de lenhos do Mesozóico da Região Central do Estado (Minello, 1993; Bolzon, 1993), as quais geraram produção científica expressiva, relacionadas à problemas tafonômicos e paleoambientais (Minello, 1994, 1995; Bolzon, 1995; Bolzon e Guerra-Sommer, 1994; Alves e Guerra-Sommer, 1998).
O registro do gênero Rhexoxylon Kraus por Herbst e Lutz (1989) para a região de São Pedro do Sul, consiste no mais importante parâmetro bioestratigráfico fornecido pela lignitafoflora.