Conforme Guerra-Sommer et al. (1999), além do Arenito Mata as lignitafofloras também encontram-se associadas aos estratos da Fm. Santa Maria, onde são caracterizadas pelo domínio de coníferas, pteridospermas e ginkgoales, estando as Coristopermales representadas pelo gênero Rhexoxylon que designa essa associação florística. O gênero Rhexoxylon é exclusivamente gondwânico e tem sua representatividade restrita ao intervalo Anisiano-Noriano (Meyer-Berthaud et al., 1993). A partir desta concepção a flora Dicroidium preservada como impressão nos sedimentos da Formação Santa Maria e a "lignitafoflora Rhexoxylon" representariam diferentes comunidades contemporâneas preservadas em distintas faciologias dentro de um mesmo sistema deposicional. A "lignitatoflora Rhexoxylon" representa a associação mais distal de planície de inundação, enquanto a flora Dicroidium estaria associada as porções mais proximais desse mesmo ambiente.
Por sua vez, a lignitafoflora vinculada ao Arenito Mata tem como característica o domínio de coníferas e ausência de pteridospermas relacionadas a Rhexoxylon. A Flora de Coníferas corresponderia a uma associação de idade mais recente que a flora Dicroidium e a flora Rhexoxylon. Esta concepção coaduna-se com as referências fornecidas por Bolzon (1995), que sugere um progressivo desenvolvimento da Flora de Coníferas na Bacia do Paraná causado por mudanças climáticas que teriam iniciado durante a passagem do Meso para o NeoTriássico, estando as Floras de Coníferas restritas ao intervalo Carniano-Noriano.
O Arenito Mata (Faccini, 1989) recobre em desconformidade os depósitos fluviais das Formações Santa Maria e Caturrita, compondo uma seqüência deposicional independente (Faccini, op. cit.). As espessuras são bastante variadas, oscilando entre 20 e 60 metros. Na região de São Pedro do Sul e Mata é constituída por arenitos finos a conglomeráticos, quartzosos, com cores de esbranquiçada a ocre. Internamente, as estruturas mais características são as estratificações cruzadas de pequeno a médio porte, superpostas na forma de ciclos granodecrescentes sucessivos (Faccini, 1989). As características texturais e estruturais dos depósitos arenosos sugerem um sistema fluvial entrelaçado.
No afloramento Piscina (São Pedro do Sul) e em afloramentos nas cercanias da cidade de Mata, troncos fósseis ocorrem inclusos em depósitos sedimentares do arenito Mata (Fig. 2b), interpretados como barras de canais fluviais.
Normalmente os troncos apresentam uma orientação do eixo maior transversal ao sentido de migração das barras arenosas. É importante aqui ratificar que freqüentemente lenhos silicificados ocorrem como densas associações roladas sobre a superfície (Fig. 2c), sendo pouco freqüentes os afloramentos em que os troncos encontram-se incluso na rocha o que dificulta, muitas vezes, sua vinculação a uma unidade estratigráfica específica.
Considerando as associações de madeiras permineralizadas destes sítios paleontológicos, pode-se observar o domínio de planos lenhosos gimnospérmicos. A medula, quando presente, na maioria dos casos, é pequena e parenquimática, sugerindo afinidade com Coniferophyta. O diâmetro dos troncos é expressivo variando entre 30 cm e 2 m, e o comprimento de algumas espécies ultrapassa 20m. Freqüentemente, raízes são resgatadas roladas sobre a superfície. O processo de permineralização danifica muito as estruturas celulares, dificultando as análises anatômicas.
Conforme Bolzon (1993) a origem da tafoflora ter-se-ia dado a partir de evento catastrófico rápido, episódico e de grande escala. Antes do evento da silicificação o agente de transporte teria sido a água. O processo de silicificação da madeira teria ocorrido em sedimentos mais próximos a superfície em ambientes com oscilação do nível de água.
Os anéis de crescimento observados são indistintos (Fig. 3). O fator limitante do crescimento do indivíduo teria sido a umidade e reflete clima quente com alternância de períodos úmidos e secos, não necessariamente anuais ou cíclicos. O solo onde a árvore teria crescido era provavelmente firme, com taxa de umidade variável e provavelmente pobre. O clima indicado pelos anéis de crescimento da árvore é semelhante ao atribuído para a silicificação da madeira, quente e sazonalmente úmido.