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Mata: Fósseis vivos de grande importância para a ciência

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Madeiras petrificadas ao ar livre
 
Page Views: 3486
Publicação: 11/09/2007
Atualização: 11/09/2007


A petrificação dessas árvores data do período triásico da era mesozóica, há 180 a 225 milhões de anos.
 
 Esta fase foi subdividida regionalmente em outras três, conhecidas como formações, e que são as seguintes, de baixo para cima: formação rosário ou sanga do cabral; formação santa maria, de ambiente lagunar, com constituição argilosa; e formação caturrita, a mais superficial, de ambiente fluvial, onde predomina o arenito.
 

 As madeiras petrificadas são encontradas na formação caturrita, numa cota entre 140 a 200 metros acima do nível do mar.
 
 Para encontrá-las, no entanto, não é preciso abrir buracos, ou fazer grande esforço para localizar um ou outro exemplar. A erosão superficial ocorrida acabou resultando em afloramentos numa vasta região, deixando expostas árvores enormes em meio a pastagens, matos, à beira de estradas e até em quintais das casas de Mata e São Pedro do Sul.
 
 Em muitos lugares, não é possível nem mesmo plantar-se uma horta, pois o amontoado de inúmeras árvores petrificadas acaba formando uma base quase intransponível, fazendo também com que os proprietários, nas áreas rurais, tenham que contentar-se com a possibilidade de explorar a pecuária em campos nativos, sem a possibilidade de fazer plantações de produtos agrícolas.
 
 Acredita-se que os locais onde atualmente estão depositadas as árvores petrificadas eram, remotamente, leitos de rios e planíveis inundáveis, para onde os troncos foram arrastados, depositando-se no sentido leste-oeste.
 
 A área potencial de afloramentos superficiais é muito grande, supondo-se que alcance ao redor de 305 quilômetros quadrados, estendendo-se da divisa do município de Mata com Jaguari, até o município de Candelária, numa linha reta de leste a oeste com 125 quilômetros de extensão.
 
 Anteriormente as informações eram de que as madeiras petrificadas pertenciam somente à família das coníferas, à qual também pertencem o nosso pinheiro araucária e o pinus, embora os exemplares antigos não sejam deste gênero.
 
 Atualmente, no entanto, já se detectaram outras famílias: gingoáceas, cicadáceas e pteridospermas, entre outras.
 
 Algumas curiosidades: os únicos exemplares de árvores da família das pteridospermas que se encontram no mundo, além de Mata e São Pedro do Sul (onde estão na forma de pedra) somente são encontrados na Austrália, África do Sul e Antártida, reforçando a teoria das ligações gondwânicas; já as gingoáceas, encontradas em grande quantidade petrificadas, têm seus últimos exemplares na natureza vistos unicamente na China, praticamente sem evolução em relação às que atravessaram milhões de anos e ficaram preservadas no Rio Grande do Sul. Por isso estas árvores são chamadas de "fósseis vivos", de muita importância para a ciência.
 
 Os troncos petrificados encontrados exibem, muitas vezes, exuberantes anéis de crescimento, que se formam com as mudanças de estações climáticas, servindo para demonstrar um dado surpreendente: que, há duzentos milhões de anos, as estações já estavam definidas.
 
 Com esse material, mesmo petrificado, pode-se então estudar, por exemplo, os verões e invernos do passado remoto; a temperatura, os acidentes climáticos e, enfim, como era a vida na Terra, algo ainda muito pouco estudado no país.


Fonte:



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Madeiras petrificadas ao ar livre
 


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