
Madeiras petrificadas ao ar livre
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Madeiras petrificadas
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Page Views: 370
Publicação: 11/09/2007
Atualização: 11/09/2007
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Quem já morou ou mora no interior do Estado sabe que quando se derruba uma árvore, abandonando-a no campo, ela apodrece. Sendo assim, seria possível imaginar uma árvore de 200 milhões de anos preservada? É. Em condições muito especiais, mas é. Na região de Mata, a 372 quilômetros de Porto Alegre, há uma verdadeira floresta nessas condições. Foi mantida toda a estrutura das árvores, mas petrificada. Essa raridade da paleobotânica chegou a inspirar o slogan do município: "Cidade de pedra que foi madeira". Ali e em São Pedro do Sul, 46 quilômetros antes, o turista pode ver um surpreendente documento vivo da evolução da vida na Terra: a maior floresta petrificada do mundo. Resistindo ainda à depredação, ao abandono das autoridades e por muito tempo ao descaso dos próprios moradores, essa floresta, que permite o estudo das mais importantes transformações geológicas, pode ser apreciada por quem se dispuser a um roteiro diferente pelo Estado. Visto ao longe, cada um dos troncos dessa floresta parece um tronco como outro qualquer. Mas, de perto, não há dúvida: é uma pedra. Na verdade, trata-se das duas coisas. Há 200 milhões de anos era uma árvore e agora é uma pedra, mas mantendo todas as características da árvore, incluindo-se aí a estrutura molecular, os anéis de crescimento, a casca, as raízes, os nós, o miolo etc. Como isso foi possível? Os cientistas já têm todas as respostas, embora ainda com algumas dúvidas. Das certezas, podem extrair-se, no entanto, algumas explicações simples. Em primeiro lugar, a árvore tem que ficar coberta por água, terra ou gelo por milhares ou alguns milhões de anos. No local, tem que haver sílica, cálcio ou pirita, especialmente sílica. E, finalmente, o mais importante: no ambiente tem que haver determinado índice de alcalinidade, para dissolver a sílica. Com isto, a solução aquosa da sílica vai sendo absorvida pela árvore, através dos poros da madeira. A sílica, vulgarmente conhecida por areia, penetrou em todo o corpo da árvore, vitrificando sua estrutura. Isto a impediu de apodrecer e explica a petrificação. Em casos onde a sílica não penetrou completamente na estrutura da árvore, esta parte apodreceu e desapareceu, observando-se buracos no interior das pedras que foram árvores. Cientistas já repetiram o processo em laboratório, somente não conseguindo reproduzir um importante detalhe da petrificação: não puderam preservar a estrutura celular que, em boa parte das árvores petrificadas encontradas no Rio Grande do Sul, foi mantida intacta. Tão intacta, que permite a cientistas estudarem as mudanças ocorridas ao longo do período da existência da árvore e a evolução da estrutura celular da antiga flora.
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