Com o objetivo de debater sobre novas linhas de crédito para a agroindústria familiar, representantes de entidades e instituições públicas e privadas se reuniram em Não-Me-Toque, município distante 282 quilômetros de Porto Alegre, no último dia 20 de março. Participaram do encontro, representantes do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Rio Grande do Sul (Sebrae/RS), da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS), da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), da superintendência do Banco do Brasil, do Sindicato Rural de Não-Me-Toque, além das prefeituras de Espumoso, Quinze de Novembro, Tio Hugo, Não-Me-Toque, Campos Borges e Alto Alegre.
O evento foi uma iniciativa do projeto Desenvolvimento de Pequenas Propriedades Rurais do Alto Jacuí, impulsionado pelo Sebrae/RS. De acordo com o gestor do projeto, Nilson Valdir Kilpp, atualmente existe uma linha de crédito para agroindústria familiar por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que financia até 18 mil por família. “Entretanto, esse valor é muito baixo para viabilizar a instalação de uma agroindústria. Por isso, estamos discutindo as necessidades desses empreendimentos”, afirma.
Conforme o gestor, ficou definido pelo grupo presente na reunião que, no dia 15 de abril, haverá outra reunião na superintendência do Banco do Brasil, em Passo Fundo, com a participação de todos os parceiros. “Novamente será convidado o representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para discutir como encaminhar ao Governo Federal a reivindicação dos empresários rurais para que as agroindústrias sejam também beneficiadas pelo Programa Mais Alimento do Governo Federal", destaca Kilpp.
O vice-prefeito de Espumoso, Roberto Iopp, aponta que existem agroindústrias na região que necessitam de um valor muito maior do o que é repassado pelo Pronaf. “A reunião envolveu as entidades interessadas e os produtores, pois queremos saber o que mais o Banco do Brasil pode nos oferecer e que de que forma o Programa “Mais Alimento” pode nos beneficiar.
Segundo o vice-prefeito, o objetivo é enquadrar as agroindústrias no programa Mais Alimento. “Queremos que o Mais Alimento seja bem o que diz o nome, ou seja, que beneficie os produtores de alimentos. Não deixando de beneficiar as outras atividades, mas abrindo o leque para a agricultura familiar, pois temos exemplos de agroindústrias da região que têm matéria-prima e consumidor, mas para as quais falta um incentivo a mais por parte das linhas de créditos”, completa.
Já o coordenador de sistema da gestão municipal da Secretaria de Desenvolvimento da Produção de Não-Me-Toque, Luiz De La Canal, espera poder contar no próximo dia 15 de abril com um representante do MDA para dar encaminhamento para as reivindicações da região, pois hoje as agroindústrias estão carentes de informações e de opção de linhas de crédito, e queremos receber as informações necessárias para darmos andamento ao processo. “Estamos fazendo a nossa parte, agora só falta ajuda financeira”, conclui.
O projeto Desenvolvimento de Pequenas Propriedades Rurais do Alto Jacuí atende 130 pequenos produtores rurais com demandas de organização da propriedade e agregação de valor nos municípios de Espumoso, Quinze de Novembro, Tio Hugo, Não-Me-Toque, Campos Borges e Alto Alegre. O objetivo é aumentar a renda nas propriedades rurais através da qualificação da produção e da organização da comercialização.