Publicação: 29/04/2009
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A estiagem é tão severa no Rio Grande do Sul que algumas cidades gaáuchas enfrentam o abril mais seco desde o século XIX. Em Porto Alegre, abril está sendo muito seco, mas os volumes de chuva deste mês não estão entre os dez mais baixos da série histórica climática da cidade iniciada em 1909. A precipitação até agora em abril na estação do Instituto Nacional de Meteorologia no Jardim Botânico é de 31 milímetros, mas em 2006 choveu 17,6 milímetros. Ocorre que as medições de chuva na Capital foram feitas em pontos diferentes ao longo do último século devido às mudanças de local da estação nos últimos cem anos. Dados da rede da MetSul Meteorologia e do Sistema Metroclima da Prefeitura mostram que em pontos da cidade onde se realizou registro de chuva no passado, caso do Centro, que abrigava a estação meteorológica no começo do século XX, a precipitação deste mês poderia figurar no ranking dos dez meses de abril mais secos de Porto Alegre. No Centro, a MetSul registra agora em abril apenas 19 milímetros na Praça da Matriz e 21,4 milímetros na Rodoviária. Veja, na tabela, os dez meses de abril mais secos da série climatológica do Inmet de Porto Alegre.
1
1974
0,5 mm
2
1929
4,9 mm
3
1926
8,5 mm
4
1946
12,8 mm
5
1978
14,8 mm
6
1982
15,7 mm
7
1942
16,7 mm
8
2006
17,6 mm
9
1933
21,1 mm
10
1947
24,9 mm
Na Grande Porto Alegre, o mês de abril está sendo um dos mais secos também das últimas décadas. No Vale do Sinos, Campo Bom registra até agora em abril apenas 24,8 milímetros. A última vez que havia chovido tão pouco no quarto mês do ano na cidade, que possui observação meteorológica desde 1984, foi em 2006 com 27,6 milímetros. Já em São Leopoldo, na sede da MetSul Meteorologia, no Morro do Espelho, está sendo o abril mais seco desde o início das observações em 1987 e o segundo mês mais seco da série histórica atrás apenas de março de 1988. Veja, nas tabelas, os dez meses de abril mais secos desde o início das observações em São Leopoldo assim como os dez meses mais secos da série histórica da cidade.
1
2009
7,9 mm
2
2006
24,3 mm
3
1997
40,7 mm
4
2007
51,3 mm
5
1993
55,4 mm
6
1996
68,9 mm
7
1995
79,0 mm
8
1988
91,9 mm
9
2004
96,6 mm
10
1998
101,3 mm
1
1988
Março
5,8 mm
2
2009
Abril
7,9 mm
3
1989
Fevereiro
11,9 mm
4
1988
Fevereiro
14,7 mm
5
2006
Abril
24,3 mm
6
1988
Agosto
26,8 mm
7
2001
Agosto
28,7 mm
8
1996
Maio
30,7 mm
9
2005
Janeiro
36,8 mm
10
1993
Agosto
36,9 mm
O meteorologista Eugenio Hackbart, diretor-geral da MetSul, ressalta que o período de estiagem atual é histórico. "Abril e maio são meses com menor precipitação na climatologia anual, mas estamos passando por uma escassez quase total de chuva em várias partes do Estado", observa. Segundo Hackbart, o que torna a estiagem mais grave é o fato das precipitações de janeiro e fevereiro, mais abundante, não terem sido suficientes para repor totalmente as reservas hídricas, seguindo-se um novo período seco a partir de março. O diretor-geral da MetSul enumera diversos fatores que estão agindo ao mesmo tempo para que o Sul do Brasil e o Conesul enfrentem uma grave estiagem. Primeiro, o padrão atmosférico no Pacífico ainda é de La Niña, o que favorece a diminuição da chuva no Rio Grande do Sul. As águas do Atlântico Norte e o Caribe se resfriaram intensamente nos últimos dois meses, apresentando os menores valores em mais de uma década, fazendo com que chova mais no Norte do Brasil e haja menos fluxo de umidade para o Sul do país. A atividade solar, que estudos mostram ter influência no regime de chuva, é a menor desde 1913 e o ciclo solar atual é o mais longo desde o final do século XVIII. Ainda, a chamada Oscilação Décadal do Pacífico (PDO) se encontra negativa há 20 meses seguidos, um dos mais longos períodos com valores negativos consecutivos desde o início dos registros há 110 anos. A tendência é de agravamento da estiagem, uma vez que a chuva deve seguir escassa no começo de maio.
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| Fonte: |
Metroclima |
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Fotos Adicionais
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