Na esquina da Ladeira, uma dúvida. Como está o fôlego? Dá para encarar a ladeira? O ideal é que dê, mesmo que seja caminhando bem devagar. Pois no alto da ladeira está a Praça da Matriz (o nome verdadeiro é praça Marechal Deodoro), e a Biblioteca Pública. Ao chegar ao alto da ladeira, olhe para o prédio à sua esquerda. É a Biblioteca Pública. Para observar melhor, talvez valha a pena atravessar a rua. De lá, veja a série de figuras que contornam a parte de cima do prédio. Estão lá Júlio César e outras grandes figuras da humanidade. Essa espécie de "friso cultural" é o "Calendário Positivista", que apresenta, para cada um dos treze meses que considera, um vulto importante da civilização. São treze meses porque os positivistas consideravam os meses lunares, e não solares. E está faltando gente no calendário. Pode contar. São só nove ou dez (não me lembro ao certo). Onde estão os outros? Minha hipótese é que estão escondidos pelo prédio que foi construído, posteriormente, ao lado da Biblioteca Pública. O calendário fazia toda a volta, e uma parte ficou escondida. Mas pode ser que não estejam lá. Pode ser que nunca tenham sido colocados. Ou que tenham sido colocados e fugiram. Quem sabe? Dentro do prédio da Biblioteca também existem muitas coisas ocultas. Logo na entrada, há um pedaço da parede que foi restaurado e que mostra a pintura original, toda trabalhada, muito melhor do que a camada lisa e sem graça de tinta que hoje recobre grande parte dos ambientes do prédio. Felizmente a substituição da delicada pintura original por demãos de tinta sem graça não atingiu o Salão Mourisco nem a Sala Egípcia, situadas no segundo andar da Biblioteca. Suba a escada e observe, em ambos, a decoração do teto e paredes. Originalmente, cada sala da biblioteca tinha um tema, homenageando uma civilização. É certo que a coisa toda deveria ser um pouco como o "Samba do Crioulo Doido". Mas é uma pena que os demais temas estejam escondidos.
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