O deputado Alberto Oliveira (PMDB) ocupou a tribuna nesta quarta-feira (15), no período do Grande Expediente, para alertar sobre a epidemia do crack que vem se alastrando de maneira incontrolável no Rio Grande do Sul. A droga, hoje, é responsável por 70 % dos homicídios, e de cada dez pacientes usuários de crack que procuram a emergência do Hospital Psiquiátrico São Pedro, sete são oriundos do interior do Estado.
Para Oliveira, a erradicação de qualquer tipo de droga deve começar pelas mais leves, como é o caso do álcool. "O chefe da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus, psiquiatra Sergio de Paula Ramos, afirmou recentemente que, em 35 anos de trabalho nunca tratou um paciente, seja dependente de maconha, cocaína ou crack que a primeira droga de contato não tenha sido o álcool. Porta de entrada para a droga, o álcool é catalogado como a 3ª doença que mais mata no mundo", destacou.
Como forma de combater este mal, que não escolhe mais classe social, o parlamentar protocolou na Assembleia Legislativa Projeto de Lei destinando 5% do tempo e espaço contratados para as campanhas publicitárias dos órgãos do Poder Executivo, do Poder Judiciário, do Poder Legislativo e do Ministério Público para campanhas de combate às drogas ilícitas, ao alcoolismo e ao tabagismo (PL 54/2009).
A proposta prevê, ainda, a criação de um comitê gestor formado por representantes dos Três Poderes, Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Contas, conselhos estaduais de Educação, de Saúde e dos Direitos da Criança e do Adolescente e CONEN-RS para acompanhar os trabalhos. "Hoje nos parece que a maior urgência e necessidade diz respeito ao combate ao crack. Num segundo momento, talvez torne-se mais interessante focar a prevenção ao consumo de crack e ao álcool, ou abranger todas as drogas ilícitas, alcoolismo e tabagismo", sugeriu.
Porto Alegre no ranking do consumo de droga
No início da década, Porto Alegre apareceu no ranking das 17 capitais no consumo de álcool, cigarro e drogas ilegais, "quadro que, infelizmente, não temos condições de afirmar que foi revertido", disse o peemedebista, ao citar o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) alertando que não houve resultado significativo de reversão do consumo pelos 26 milhões de dependentes químicos. "A proposta da ONU era de criar um mundo livre de drogas até 2008, e Porto Alegre e o Rio Grande do Sul representam um quadro de agravamento que não estamos conseguindo mudar. Nossas ações, e elas existem, não estão alcançando resultado efetivo", lamentou.
O cigarro é outra droga que tem chamado a atenção e, mais uma vez, a Capital gaúcha aparece, seguida por Fortaleza, com os piores índices entre escolares. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, 23 pessoas morrem a cada hora no Brasil em conseqüência do tabagismo. "O enfrentamento do consumo desenfreado de drogas lícitas e ilícitas depende da união. E a união de esforços da sociedade é a resposta ao problema", concluiu o deputado Alberto Oliveira.