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Banhado, ecossistema ameaçado pelo arroz

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Publicação: 08/09/2007

 Os banhados são o ecossistema gaúcho mais frágil. Também são os mais ricos em vida. Só perdem para a Amazônia e os corais, dizem especialistas. Mas, embora tão importantes, estão correndo enormes riscos.
  
 Se a agricultura gaúcha tem duzentos anos, a destruição dos banhados tem a mesma idade. Já no final do século passado o governo do Estado patrocinava drenagens no Banhado do Taim, onde não restou mais do que 10% do ecossistema original, tendo se aterrado, além dos banhados, muitas lagoas.
  
 E nos últimos trinta anos, enquanto se assistiu à grande expansão do arroz nas várzeas, também se acompanhou minguarem os banhados numa proporção assustadora. Dos mais de 45 mil hectares do Banhado Grande de Gravataí, restaram pouco mais de 5 mil. Dos 3 mil hectares do Banhado Santa Catarina, entre Santa Maria e São Gabriel, chegaram a 1987, de quando é o último dado, menos de 300.
  
 Outros exemplos dessa devastação espalham-se por todo o Rio Grande: desde o Banhado de São Donato, em Itaqui e São Borja, passando pelo Inhatinhum, em São Gabriel; o Upamaroti, em Dom Pedrito, por toda a península entre a Lagoa dos Patos e o mar, e chegando ao ponto mais meridional, Santa Vitória do Palmar. Está sobrando muito pouca coisa do que havia, com um surpreendente apoio até recentemente dado pelo Governo Federal, que possuía linhas de crédito para sua drenagem.
  
 Ninguém se arrisca a estimar o que já pode ter sido destruído de banhados em todo o Estado. Será setenta, oitenta ou noventa por cento? Também não se sabe exatamente o que havia no passado. Considera-se que o total de terras alagadiças que existiam no Rio Grande chegava a 5,3 milhões de hectares, cerca de 20% do território. Como nem todos os solos de várzea foram banhados, pode se considerar para estes um número menor, algo em torno de 2,5 milhões de hectares, ainda assim uma área muito importante.
  
 Com o assoreamento que naturalmente ocorre nos cursos de água e que no Rio Grande vem sendo acelerado pela ação predadora do homem, os banhados que estavam irremediavelmente condenados, terão um fim ainda mais rápido. Depois deles tenderão a desaparecer as lagoas, que também estão sendo aterradas com a mesma velocidade.
  
 O papel do banhado na natureza é o de garantir a sobrevivência do seu ecossistema vizinho, normalmente as lagoas. Quando há uma seca, o banhado fornece água para as lagoas e, quando há cheia, retém. Faz o papel de uma esponja. Como os banhados são muito ricos em matéria-orgânica, em decorrência da decomposição de juncos e gramíneas, também têm uma vida extremamente rica.
  
 A base de sua cadeia alimentar são as algas, que ainda desempenham o papel de filtro biológico, agindo como grandes estações de tratamento de água. Dessas algas alimentam-se micromoluscos, que são o alimento dos peixes pequenos e, estes, dos peixes maiores. Aves e alguns roedores como a capivara e o ratão-do-banhado, bem como o jacaré-do-papo-amarelo, lontras, entre outros animais, também se favorecem dessa cadeia rica em alimento. Vê-se que o ecossistema depende do elo mais fraco que o compõe. Como uma cadeia alimentar e de vida é uma inter-relação, qualquer elo que se corte irá rompê-la.
  
 Observe-se um exemplo. A pomácea, um caramujo que ocorre nos banhados, é, junto com as algas, a fonte de alimento mais importante nesses ecossistemas. Se deixar de existir, seja pela drenagem ou as violentas cargas de inseticidas despejadas pelos arrozeiros nesses ambientes, muitas aves perderão sua refeição predileta. E ao menos uma estará irremediavelmente comprometida: o gavião caramujeiro somente existe em função dessa pomácea.
  
 Sem os juncais dos banhados, aves migratórias como o cisne-do-pescoço-preto, a coscoroba, entre tantas outras que nidificam somente nesses ecossistemas, também teriam o futuro comprometido. Como elas fazem do Rio Grande do Sul o seu mais importante berçário, da mesma forma que inúmeros peixes também fazem dos banhados o seu viveiro, o que acontecerá com nossa fauna dentro de alguns anos? Não há uma resposta objetiva, mas apenas suposições: se a formação de novos banhados não ocorrer com a velocidade que possa acompanhar a destruição dos que já existem, poderemos assistir a um grave desequilíbrio ecológico nos próximos anos.


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