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Capítulo 06 - A Salamanca do Jarau

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Page Views: 1215
Publicação: 01/10/2007

 (J. Simões Lopes Neto)
 

 (continuação)
 

 Faz duzentos anos que aqui estou; aprendi sabedorias árabes e tenho tornado contentes alguns raros homens que bem sabem que a alma é um peso entre o mandar e o ser mandado...
 
 Nunca mais dormi; nunca mais nem fome, nem sede, nem dor, nem riso...
 
 Passeio no palácio maravilhoso, dentro deste Cerro do Jarau, ando sem parar e sem cansaço; piso com pés vagarosos, piso torrões de ouro em pó, que se desfazem como terra fofa; o areão dos jardins, que calco, enjoado, é todo feito de pedras verdes e amarelas e escarlates, azuis, rosadas, violetas.., e quando a encantada passa todas incendeiam-se num íris de cores rebrilhantes, como se cada uma fosse uma brasa viva faiscando sem a mais leve cinza...; há poços largos que estão atulhados de doblões e de onças e peças de jóias e armaduras, tudo ouro maciço do Peru e do México e das Minas Gerais, tudo cunhado com os troféus dos senhores reis de Portugal e de Castela e Aragão...
 
 E eu olho para tudo, enfarado de ter tanto e de não poder gozar nada entre os homens, como quando era como eles e como eles gemia necessidades e cuspia invejas, tendo horas de bom coração por dias de maldade e sempre aborrecimento do que possuía, ambicionando o que não possuía...
 
 O encantamento que me aprisiona consente que eu acompanhe os homens de alma forte e coração sereno que quiserem contratar a sorte nesta salamanca que eu tornei famosa, do Jarau.
 
 Muitos têm vindo.., e têm saído piorados, para lá longe irem morrer do medo aqui pegado, ou andarem pelos povoados assustando as gentes, loucos, ou pelos campos fazendo vida com os bichos brutos...
 
 Poucos toparam a parada... ah!... mas esses que toparam, tiveram o que pediram, que a rosa dos tesouros, a moura encantada não desmente o que eu prometo, nem retoma o que dá!
 
 E todos os que chegam deixam um resgate de si próprios para o nosso livramento um dia..
 
 Mas todos os que vieram são altaneiros e vieram arrastados pela ânsia da cobiça ou dos vícios, ou dos ódios: tu foste o único que veio sem pensar e o único que me saudou como filho de Deus...
 
 Foste o primeiro, até agora; quando terceira saudação de cristão bafejar estas alturas, o encantamento cessará, porque eu estou arrependido... e como Pedro Apóstolo que três vezes negou Cristo foi perdoado, eu estou arrependido e serei perdoado.
 
 Está escrito que a salvação há de vir assim; e por bem de mim, quando cessar o meu cessará também o encantamento teiniaguá: e quando isso se der a salamanca desaparecerá, e. todas as riquezas, todas as pedras finas, todas as peças cunhadas, todos os sortilégios, todos os filtros para amar por força... para matar... para vencer.., tudo, tudo, tudo se virará em fumaça que há de sair pelo cabeço roto do cerro, espalhada na rosa dos ventos pela rosa dos tesouros...
 
 Tu me saudaste - o primeiro tu! - saudaste-me como cristão.
 
 Pois bem:
 
 alma forte e coração sereno!... Quem isso tem, entra na salamanca, toca o condão mágico e escolhe do quando quer...
 
 Alma forte e coração sereno! A fuma escura está lá: entra! Entra! Lá dentro sopra um vento quente que apaga qualquer torcida de candeia... e tramado nele corre outro vento frio, frio.., que corta como serrilha de geada.
 
 Não há ninguém lá dentro... mas bem que se escuta voz de gente, vozes que falam... falam, mas não se entende o que dizem, porque são línguas atoradas que falam, são os escravos da princesa moura, os espíritos da teiniaguá... Não há ninguém... não se vê ninguém: mas há mãos que batem, como convidando, no ombro do que entra firme, e que empurram, como ainda ameaçando, o que recua com medo...
 
 Alma forte e coração sereno! Se entrares assim, se te portares lá dentro assim, podes então querer e serás servido!
 
 Mas, governa o pensamento e segura a língua: o pensamento dos homens é que os levanta acima do mundo, e a sua língua é que os amesquinha...
 
 Alma forte, coração sereno!... Vai!
 
 Blau, o guasca,
 
 apeou-se; mancou o flete e por de seguro ainda pelo cabresto prendeu-o a um galho de cambuim que verga sem quebrar-se; rodou as esporas para o peito do pé; aprumou de bom jeito o facão; santiguou-se, e seguiu...
 
 Calado fez; calado entrou.
 
 O sacristão levantou-se e o seu corpo desfez-se em sombra na sombra da reboleira.

 
 O silêncio que então se desdobrou era como o vôo parado das corujas: metia medo...


Fonte:  





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