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Capítulo 23 - Dizeres

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Page Views: 4155
Publicação: 01/10/2007

 A “erva”
  
O dinheiro. “Ele se encheu da erva” - ele ganhou muito dinheiro. Talvez um vestígio do tempo em que a erva-mate tinha o valor de “moeda corrente”.

  
  
  Nem prá erva.

  Esta locução bem diz do papel que o mate representa pra o gaúcho. Emprega-se no sentido de “na última miséria, sem dinheiro pra nada”.

  
  
  Tereré não resolve.

  Ao contrário dos gaúchos, que tomam o chimarrão com água quente, os paraguaios preferem-no com água fria - um gosto bastante estranho, aliás, pois o mate assim preparado adquire um sabor enjoativo. A este mate frio os paraguaios chamam “tereré”. Uma só vantagem parece-nos que ele apresenta: não é preciso se esperar que a água aqueça; basta encher a cuia com água do rio ou de uma vasilha qualquer, para que o chimarrão esteja pronto. Dizem os habitantes de Corrientes (Argentina) que os paraguaios costumam tomar “tereré” por uma única razão: para se furtarem ao “cansativo trabalho” de aquecer água, tamanha é a indolência a que se entregaram. Mas a verdade é que o tereré constitui a maneira mais popular de uso do mate no Paraguai. Tanto assim que, nos quartéis daquela República, os soldados não tomam água: esta é misturada, em grandes tinas, à erva-mate, resultando, enfim, no tereré.
  
  O gaúcho, porém não se pode acostumar ao mate frio. “O chimarrão só é bom - diz ele - quando traz quentura ao coração da gente”. E completa: “Tereré não resolve...” Hoje, este dito abandonou sua zona de origem - a fronteira do Alto Uruguai - e invadiu todo o Rio Grande do Sul, desde o descampados da planura até o emaranhado de ruas das grandes cidades. “Tereré não resolve” significa “isto não adianta” ou “Isto é conversa à-toa”.
  
  Acresce notar que, durante a revolução de 1930, um popular carioca ouviu esse dito da boca de um dos gaúchos acampados no Obelisco (na Capital Federal), gostou, passou adiante, assim chegou o ditado aos ouvidos de um compositor popular, e dessa forma fez sucesso, no carnaval carioca de 1931, a marchinha “Tereré não resolve”.

  
  
  Pialador de mates.

  Laçador de mates, isto é, pessoa que - seguindo a trajetória do chimarrão, o qual passa de mão em mão, sempre pela “volta” - vai mudando de lugar, conseguindo, desta maneira, tomar mais alguns mates do que os demais componentes do grupo.

  
  
  Mate de armada curta.

  Mate muito quente, queimando a boca de quem o sorve. Armada é a laçada corrediça que se faz com o laço, para prender um animal. Não percebemos a correlação entre o laço de armada curta e o mate fervendo.

  
  
  O primeiro mate é dos pintos.

  Como o gaúcho atira fora os primeiros sorvos de mate, serão os pintos os aproveitadores das partículas de erva cuspidas.

  
  
  O mate pra o estribo.

  Ou o mate do estribo. O último mate que se brinda a um visitante, quando ele já está “com o pé no estribo”, pronto pra partir.

  
  
  Como o mate do João Cardoso.

  Emprega-se para dignar um fato que nunca se realiza, uma promessa que nunca se cumpre.

  
  
  Como o mate das senhoras Morais.

  Idêntico significado da frase anterior. As senhoras Mo. rais, residentes na povoação Basílio, no município de Erval, quando recebiam visitas passavam a tarde inteira perguntando se os amigos queriam mate doce ou chimarrão, com erva paraguaia ou brasileira, em cuia de porcelana ou de porongo... para, no final, nada oferecerem.

  
  
  “Toma mais um mate!”
  
  “Não te vás; é cedo ainda!”
  
  
  Aquentar água pra outro tomar mate.

  Preparar um negócio para outra pessoa colher os lucros. Emprega-se de um modo especial para designar um namorado que “prepara” uma moça para depois outro casar com ela ou dela receber as melhores carícias.

  
  
  Anda de carijo aceso.

  A temperatura média de um carijo, durante a secagem da erva-mate, é de 100º. Diz-se da moça que anda “feito louca” atrás de namorado.

  
  
  Chimarrão sem churrasco é laço sem argola e relho sem soiteira.

  Da mesma maneira que a argola - afim de que se possa fazer a “armada” - para o laço, e a soiteira - extremidade que fere o animal rebenqueado - para o relho, o chimarrão é complemento indispensável do churrasco. Um e outro se completam. Na verdade, enquanto está esperando que o churrasco fique assado - e a salmoura vai chiando no fogo... - o gaúcho sempre “intertem” o estômago com alguns sorvos de mate-amargo. E, finda a tradicional refeição dos pampas, é ainda ao chimarrão que o gaúcho vai apelar, para “sentar a bóia.

  
  
  UMA SENHA DE GUERRA

  - Oh! da ronda pelotão!
  Vá! responda ao chimarrão!
  
  - Toca a encerra; vá barroso!
  Aqui mesmo neste pouso!

  
  (Parece-nos fora de dúvida que estas frases - recolhidas por João Simões Lopes Neto à pg. 258 de seu “Cancioneiro Guasca” - constituem uma antiga senha do Rio Grande dos velhos tempos, comumente usada por alguma tropa guerreira).

 

 
 (Trecho extraído do livro "História do Chimarrão", de Barbosa Lessa, publicado em 1a. edição pelo Departamento de Cultura da Prefeitura do Município de São Paulo e editado posteriormente em 2a. edição pela Livraria Sulina. Você pode encontrar as obras de Barbosa Lessa em qualquer livraria gaúcha, mas principalmente no Martins Livreiro, na Rua Riachuelo, em Porto Alegre)


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