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Capítulo 08 - O Que é o Chimarrão - A Erva Mate

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Publicação: 01/10/2007


 A verdadeira erva-mate é a “Ilex paraguaiensis”, St. Hil, família das Aquifoliáceas. Os contornos da árvore lembram os ciprestes, embora suas folhas muito se assemelhem às da laranjeira. Em pleno desenvolvimento, a erveira mede de seis a oito metros de altura. Tronco erecto, com ramos alternos e divergentes em grande profusão; folhas persistentes, tamanho médio 9x4cms., alternas, coriáceas, verde-escuras na face ventral e verde-claras na dorsal, obovais, estreitadas na base e apiculadas no vértice, com nervuras salientes e o limbo despido de pelos; o pecíolo mede pouco mais de 1cm. de comprimento por 2cm. de largura; flores pequenas, alvadias, que se desenvolvem em feixes nas axilas das folhas, com quatro pétalas e igual número de sépalas e estames; frutos avermelhados, contendo quatro sementes.
  
  A erva-mate é planta nativa das matas sul-americanas, estendendo-se desde Boaira, na República Oriental do Uruguai, até Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, compreendendo porções de terra do Brasil, Argentina, Paraguai, e, em pequena escala, do Perú, Equador e Colômbia. No Brasil, a “sua área de distribuição geográfica poderá ser delimitada, no Rio Grande do Sul, por urna linha que siga, rumo NO-SE, do Nhucorá. no rio Uruguai, até a Serra-do-Erval; pela mencionada serra e por uma linha que, infletindo, tome o rumo N, até Marcelino Ramos; em Santa Catarina, por uma linha que siga de Marcelino Ramos, rumo N, até Campo Alegre; no Paraná, por uma linha que siga de Campo Alegre, rumo N, até Campo-Grande; daí rumo NO, até Piraí; desse ponto, no mesmo rumo, pela vertente ocidental da Serra-do-Apuçaranã e pela parte sul do Mato-Grosso, até o rio Paraná, abrangendo os municípios matogrossenses de Maracaju, Iguatemi, Ponta-Porã e Dourados; e, finalmente, a O, pelos rios Paraná e Uruguai abaixo, até Nhucorá”.
  
  Cinco são os Estados produtores de mate em nosso país: Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso e, em mínima escala São Paulo.
  
  O processo natural de multiplicação da árvore do mate consiste na transportação das sementes por pássaros, até as terras propícias à sua germinação, geralmente humosas e abundantes de vegetação, com sub-solo de terra vermelha permeável, e expostas a um clima quente. Estas condições apontadas, propícias ao perfeito desenvolvimento da llex paraguaiensis, são maravilhosamente satisfeitas na chamada “região das araucárias”; ou seja, nas matas de pinheiros. Dizem, mesmo, os estudiosos, que há uma “espécie de simbiose vegetativa” entre o mate e o pinheiro. Explica-se assim a grande concentração de ervais no Paraná, onde ocupa, aliás, uma extensão de 4/5 de toda a sua superfície territorial.
  
  Mas hoje os ervais silvestres já não constituem a única fonte de produção de erva-mate. Tal qual acontecera nas Missões Jesuíticas e na Argentina, procederam os nossos ervateiros à cultura do mate, principalmente no Rio Grande do Sul, onde o produto dos ervais nativos não podia corresponder às exigências do consumo local.
  
  Depois de muitas tentativas infrutíferas, e após muita incompreensão por parte dos ervateiros, que julgavam inúteis estas tentativas, em vista da “maldição” dos jesuítas, a cultura do mate triunfou em nosso país. O processo empregado na plantação das erveiras - embora nem sempre se obtenha um resultado satisfatório - fica longe das complicações supostas pelos antigos.
  
  Um dos métodos mais empregados é o seguinte:
  
  As sementes maduras, colhidas nos meses de março abril, são trituradas num almofariz comum ou por meio de compressão de garrafa. Da trituração resulta uma mistura de sementes, cascas e polpas mucilaginosas. Lavando-se esta mistura em água corrente, as cascas vêm à tona e a polpa é carregada pela águas, conseguindo-se, assim, separar as sementes, as quais, distribuídas em canteiros de terra vegetal, são comprimidas e cobertas por serragem e uma pequena camada de terra, também vegetal. Deste modo a planta é resguardada até apresentar 4 a 5 folhas; até então, deve-se dispensar o mais cuidadoso tratamento à erveira, irrigando-a diariamente e livrando-a das ervas estranhas que porventura medrem no canteiro. Depois a planta será levada a um viveiro e, quando chegar a época propícia - de setembro a junho, preferindo-se o mês de maio - será transplantada definitivamente para um terreno elevado e úmido. Devem as mudas guardar uma distância de cinco metros entre si, ocupando uma média de quatrocentos pés por hectare.

  
  E competirá à natureza concluir a obra iniciada.

 
 (Trecho extraído do livro "História do Chimarrão", de Barbosa Lessa, publicado em 1a. edição pelo Departamento de Cultura da Prefeitura do Município de São Paulo e editado posteriormente em 2a. edição pela Livraria Sulina. Você pode encontrar as obras de Barbosa Lessa em qualquer livraria gaúcha, mas principalmente no Martins Livreiro, na Rua Riachuelo, em Porto Alegre)


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